sexta-feira, 22 de outubro de 2010

amizades de fachada



Ter amizades de fachada ou a fingir é das coisas piores que podemos ter pior ainda mesmo que termos estado sempre sempre sós mas observando tudo à volta posso-me descartar de qualquer culpa que possa ter sobre mim uma vez que a única coisa que sucedeu foi a minha tremenda falta de sorte ao atrair todo e qualquer tipo de gente que conheço aqui e ali. No fundo projectei nessas pessoas uma ideia de mim não real e mais positiva e elas pareciam gostar do meu modo de ser alegre mas forçado, depois fui dando mais e mais e sempre senti que pouco ou nada recebi em troca do meu esforço por manter ou começar uma amizade. Quando mostrava ser mais eu com direito a maus dias, direito a não ser fantoche e estar sempre a falar (já que a maior parte das minhas conversas era monólogos), quando mostrava o que estava a sentir e comecei a dizer o que pensava e sentia essas pessoas acharam-me estranha, negativista, bruta e arrogante...e não gostaram.
A maior parte dessas pessoas pura e simplesmente falharam no teste mais importante de todos e que nem era muito difícil: não fui dizendo nada e elas também até pura e simplesmente não nos falarmos mais ou então dizermos um Olá miserável como se isso tivesse de ser uma obrigação e regra de boa educação. De facto dizer um Olá com um sorriso vão a alguem que mal conheça não me custa nada mas fazê-lo a alguem que julguei conhecer chega a ser doloroso. O que pode ficar de meses e meses de mútuo desprezo? no meu caso ficou uma ténue lembrança de algures no espaço e tempo ter falado com essa pessoa mas ela passa logo a não existir depois do momento em que limpo umas quantas lágrimas num olho e noutro e penso no tempo que perdi a construir aquela fachada. Mas para essas pessoas não! Para elas parece que tudo continua igual e que somos amigos como sempre como dantes, sem o mínimo esforço mutuo de manter algum tipo de contacto. Devo dizer que isso para mim não funciona. E devo dizer que lamento todo o tempo que perdi com elas e que elas me fizeram perder. O cerne maior da questão é aquela dúvida atormentável sobre o que é então ser amigo?Para muita gente quanto mais pessoas melhor, qualquer pessoa com quem almoces meia dúzia de vezes e cumprimentes já é teu amigo, qualquer pessoa com quem tenhas 2 dedos de conversa é teu amigo? O que é para elas ser amigo? Para elas parece ser tão fácil para mim é muito difícil... e eu prefiro não ter ninguem a ter muita gente sem nenhum interesse. Prefiro passar e ser ignoarda por todos de facto se eu pudesse ter um poder seria invisível, eu prefiro a solidão do que as amarras de uma relação falsa e sem significado.No final fica esta sensação estranha e constrangedora de já depois de tanto desprezo não sentires absolutamente nada por essa pessoa, e quando digo nada refiro-me a nada. Tento pegar em razões para que eu goste dela ou ela goste de mim e não as há e eu não as sinto. Essa pessoa e tantas outras passaram a ser só mais umas memórias vãs e turvas de um passado que não volta...O que também é incrível é o esforço todo que fiz por conhecer pessoas, o esforço que fiz por gostar delas e a recompensa aparente de elas parecerem gostar de mim...no fim ninguem foi suficientemente interessante para mim, ninguem fez mais ou igual por mim do que fiz por eles mas incompreensivelmente parecem não querer entender o que digo e que estou a sentir. Custa ter confiado demais e não receber a confiança deles, custa terme-me esforçado demais, custa terme-me preocupado demais, custa ter gostado demais, custa ter tido todos aqueles desabafos incompreendidos que só serviam para aguçar a curiosidade alheia, custa ter sido parva, custa ter acreditado nos outros, custa ter tido ilusões...Como exemplo mais óbvio, quando já não se sente nada numa relação dita amorosa as pessoas acabam por se separar, os rostos alegres ternurentos e inspiradores de confiaça passam a ser frios e distantes até que toda a mágoa dá lugar à aceitação e à indiferença por tudo isso.
Não ter alguem mesmo que se goste para fazer as coisas de que se goste é o mesmo que não ter nada nem ninguem. A partir do momento em que se tem de fazer as coisas de que se gosta sozinho é aí que se sabe que não se tem ninguém e é tudo fachada.Para continuar em frente há que quebrar o passado e todas as pessoas que nos prendem a ele...eu estou a acabar com todo o meu Mundo desinteressante prefiro optar pela solidão porque a solidão verdadeira dói menos que uma amizade de fachada.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

1ª Viagem à Dinamarca: it was just a dream


Já há muito que voltei da Dinamarca há muito tempo mas tinha de escrever o próximo post sobre os 10 dias que lá passei.
A verdade é que afinal eu tinha uma ideia muito diferente do que aquele país poderia ser, as expectativas eram muito altas e saí um pouco desiludida. Houve coisas que gostei e outras não, coisas que me surpreenderam quer pela positiva quer pela negativa...mas de modo simples e conciso posso dizer que a Dinamarca não é o país de sonho que idealizei.

Pontos Positivos:
1) As pessoas são do mais simples que vi em termos de modo de vida, vestem-se com o que é mais práctico, não são de modas e apesar de terem bons ordenados não sentem a necessidade de mostrar as suas posses em vez de carros andam de bicicleta (os portugueses por outro lado gostam de mostrar o que têm e não têm e muitos apesar de não terem uma casa muito boa fazem por ter um carro topo de gama que muitas vezes nem conseguem pagar e acaba por ser penhorado).Os carros que vi na rua nem eram topo de gama como audis ou mercedes.
2) Há uma forte consciência ecológica uma vez que imensa gente anda de bicicleta e transportes públicos mesmo quando chove imenso andam sempre de bicicleta. Não metem sequer cadeados nas bicicletas o que mostra que ninguém rouba nada a ninguém. Em Portugal esse cenário é inexistente pois ninguém anda de bicicleta na rua (até porque nas cidades nem foram feitas ciclovias com esse intuito. Em Portugal andar de bicicleta é uam actividade recreativa ou desportiva e não um modo de locomoção).
3) A 1ª vez que saí à noite sozinha foi em Copenhaga e não houve lugar onde me sentisse mais segura à noite  apesar de haver pouquíssima gente na rua.
4) As ruas estão sempre muito limpas.
5) Tinham museus interessantíssimos e de renome internacional como o Museu Nacional com obras primas tais como o artefacto viking charriot of sun e Det Carlsberg Glyptotek com obras de Degas e Van Gogh. Os palácios também eram muito interessantes.
6) Era tudo muito verde talvez devido também ao clima chuvoso.
7) Eu adoro aquele tempo: bastante chuva e vento e algum frio também. Os dias de sol tendem a pôr-me deprimida e não suporto o calor de modo que prefiro bem mais aquele clima.
8) Os subúrbios são bastante acolhedorese com condições: os prédios são todos bem conservados, os prédios são pouco altos (não vi nem um arranha céus) e a maior parte das pessoas vive em pequenas moradias com pequenos quintais, as casas típicas também são habitadas ao contrário de em Portugal que ou quase não existem ou são só para fins turísticos ou servem de escritórios e armazéns como a baixa lisboeta. Através das casas que vi ficou evidente que o nível de vida é muito igual entre os dinamarqueses o que denota justiça social.
9) Vi bastantes eólicas especialmente offshore.
10) Os dinamarqueses são pessoas bastante activas vi muita gente a andar a pé, de bicicleta e fazer jogging.

Pontos Negativos:
1) Há poucos turistas o que se tornou claramente evidente a partir do momento em que o planetário Tycho Brahe nem tinha legendas em inglês e não o pude visitar. Muitas vezes senti-me a única turista lá o que me desconfortou até pelos olhares.
2) A vida nocturna é aborrecida ou praticamenet inexistente. Os bares fecham muito cedo (regra geral às 10 da noite mas os mais resistentes fecham só por volta das duas da manhã), há poucas discotecas e a haver são ferquentadas por pessoas mais velhas. Há heterogeneidade de presenças em pares estando repletos tanto de mais velhos como de mais novos, sendo um ambiente demasiado estranho. As pessoas nos bares mal falam umas com as outras, timidamente cantam as músicas nos pubs, notei pouquíssima gente a divertir-se. Para além disso as bebidas são caríssimas e o karaoke praticamente é só com músicas de há 20 ou15 anos atrás. Vi pouquíssima gente nos bares e nas ruas principais de noite apesar de estarmos a meio de Agosto e ainda ser verão lá todos os dias da semana (mesmo sexta e sábado).
3)A maior parte das pessoas são o típico viking das lendas escandinavas na medida que são do mais impessoal possível, dão a menor confiança possível, são de poucas falas às vezes um pouco brutas e não escondem alguma hostilidade, desconfiança, desagrado, espanto ou frieza perante estranhos. Não são um povo muito anfitrião, e tal como nos outros países escandinavos isso reflecte-se na imigração. Os países escandinavos têm poucos imigrantes.
4) Há pouca convivência pelo menos em público ( a maior parte dos dinamarqueses faz festas privadas em casas de amigos): os cafés e restaurantes estavam sempre muito vazios e as pessoas não falavam muito umas com as outras, e a falar faziam-no muito muito baixinho.
5) A maior parte das pesssoas não gosta de falar com turistas porque são estranhos e causa-lhes algum desconforto serem abordados na rua mesmo para pedir informações em inglês.
6) Não posso dizer que achei que fossem um país de pessoas simpáticas ou antipáticas mas sim apáticas com poucas emoções quer positivas quer negativas. Não me lembro de ouvir alguém rir alto, pouca gente sorria, quase não se ouvia as pessoas a falar pois falavam muito baixinho...nos comboios até havia tabletas a dizer para não se falar ao telemóvel para não perturbar os passageiros e uma dinamarquesa chegou a levantar-se chateada por eu estar a falar em português com um nível sonoro diferente do que quando se está numa biblioteca. Para além disso pouca gente respondia a saudações de bons dias ou agradecia aquando de um pagamento muito menos nos olhavam nos olhos.
7)Também havia miséria com pessoas a dormirem na rua: novos e velhos ao frio e à chuva e à noite demandando atenção ou compaixão mas apenas recebendo desprezo.
8) A comida típica é bastante má uma vez que abusam da carne por isso nem pude provar. Não têm acompanhamentos como arroz e batatas fritas ou cozidas baseia-se tudo na dita da proteína. Aliás os pratos típicos era peixe com carne e marisco e banha mais uns molhos estranhos...irrc.
9) Era tudo super, hiper, mega caro.
10) Achei Lisboa mais bonita que Copenhaga.
11) Achei que viver ali deveria ser muito chato e em 10 dias cheguei a aborrecer-me de estar lá e tive saudades de Portugal.
12) Apesar da justiça social evidente entre os dinamarqueses eles idolatram uma família real que vive rodeada de luxos à custa dos contribuintes do estado dinamarquês. Para mim é inconcebível uma sociedade dita mais evoluída que as outras manter uma família real que mesmo sem poder político esbanja o dinheiro do povo em futilidades e luxos escandalosos.
13) Os dinamarqueses foram apontados como o povo mais feliz do mundo num estudo de há anos atrás mas essa felicidade a existir era bastante reprimida e escondida...para mim não foi visível.

Concluindo: estou muito feliz de ter realizado este meu sonho de ter ido à Dinamarca, sempre disse que não sairia de Portugal para visitar outro local sem ser 1º a Dinamarca...agora que já aconteceu estou livre para ver outros locais. E para o bem ou para o mal tirei esta obcessão da minha cabeça uma vez que era apenas um sonho. Não foi uma total desilusão mas esperava mais daquele local, um conto de fadas quando no fundo era apenas um local sombrio sem muita vida nem graça.
Estive nas nuvens o sonho levou-me lá mas o sonho desvaneceu-se quando as nuvens do céu português se desvaneciam em pó e o avião aterrava em Portugal e foi aí que me senti finalmente...em casa.
It was just a dream...

sábado, 14 de agosto de 2010

Porquê Dinamarca? Porquê Copenhaga?


É mesmo desta vez que vou ter a minha viagem de sonho à Dinamarca, mais especificamente à cidade de Copenhaga embora um dia seja para visitar a 1ª capital danesa: Roskilde e outro para ir à cidade de Malmo na Suécia. Serão 10 dias de contos de fadas no Reino da Dinamarca!!!
Em dinamarquês København, que significa porto do mercador
Mas muito pouca gente consegue compreender o porquê da minha fixação por aquele local, este post é dedicado a esclarecer essas pessoas:
PORQUÊ COPENHAGA?
1)porque tem sido repetidamente reconhecida como uma das cidades com melhor qualidade de vida do planeta e em 2008 foi apontada como a cidade mais habitável do mundo pela revista internacional Monocle no seu "Top 25 de Cidades mais Habitáveis" de 2008
2)porque é considerada uma das cidades mais ecológicas do mundo, com a água no interior do porto da cidade sendo tão limpa que pode ser usada para praticar natação, além de 36% de todos os cidadãos da cidade irem de bicicleta ao trabalho todos os dias mesmo com o mau tempo.
3)porque em 2008, Copenhaga ficou na 4ª posição pela revista, de propriedade do Financial Times, fDi Magazine em sua lista de "Top50 Cidades Europeias do Futuro" depois de Londres, Paris e Berlim.
4)porque é uma das cidades com mais ciclistas do mundo. A cidade foi escolhida pela União Ciclística Internacional como a primeira Bike City.
5) Uma cidade de contrastes onde coabita a tradição e a vanguarda modernista, relativamente perto do palácio Real e do parlamento há uma área povoada de hippies e ecologistas radicais: Christiannia.
6) diverosos viajantes apontam Copenhaga como a cidade mais limpa da Europa

PORQUÊ DINAMARCA?
1)A Dinamarca, com um estado de bem-estar social, o país possui o mais alto nível de igualdade de riqueza do mundo.
2)De 2006 a 2008, pesquisas classificaram a Dinamarca como "o lugar mais feliz do mundo", com base em normas de saúde, assistência social, e educação.
3)O Índice Global da Paz de 2009 classificou a Dinamarca como o segundo país mais pacífico do mundo, depois da Nova Zelândia.
4)A Dinamarca também foi classificada como o país menos corrupto do mundo em 2008, pelo Índice de Percepção de Corrupção, compartilhando o primeiro lugar com a Suécia e a Nova Zelândia.
5) Investe grandemente nas fontes de energia renováveis e os seus habitantes têm forte consciência ecológica.
6) Possui quase 500 ilhas e é um país pouco povoado.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

8 dias em Copenhaga/ Dinamarca

COPENHAGA
Caleidoscópio de história, cultura e entretenimento contemporâneos, Copenhaga é uma capital vibrante oferecendo um incrível leque de experiências...
Imaginando (pois para mim é a única possibilidade) 8 dias em Copenhaga que faria eu?

Dia 1 (segunda-feira): Chegada de manhã ao aeroporto Kastrup onde se situa a ilha de Amager (ilha dinamarquesa em Øresund). Começar a visita por essa ilha com especial destaque para a aldeia de Dragor onde há praias e pequenos portos. Seguir para a ilha Zelândia mais especificamente o centro de Copenhaga e ao fim de tarde visitar e jantar fora no porto de Nyhavn em Copenhaga, aproveitar para comprar souvenirs e tirar as primeiras fotografias
Nyhavn:



Dia 2 (terça-feira): Dia para conhecer melhor a cidade com uma viagem de autocarro aquático pelos canais de Copenhaga desde Nyhavn, através de Inderhavn, ao longo dos canais Slotsholmen e Christianshavn. Ver as principais atracções portuárias:
1)Operaen (ópera cujas estátuas da entrada mudam de cor consoante as condições climatéricas).
2) Den Sorte Diamant ou o Dimanate Negro. é a extensão da Biblioteca Real e alberga mais de 4,5 milhões de livros.
3)Estátua da Pequena Sereia (Den Lille Havfrue)
4)Mirar as casas flutantes ao longo dos canais
5) Havnebadet: mergulhar nas borbulhantes águas limpas desta piscina ao ar livre situada em Island Brygge.
Depois alugar uma biciclete e percorrer livremente a cidade pelas ciclovias bem-estruturadas da capital.
Havnebadet = piscina flutuante


Den Lille Havfrue= Pequena Sereia


Dia 3 (quarta-feira): Fazer um circuito para conhecer os 3 palácios da cidade: Christiansborg Slot (onde se situa o parlamento), Amaliensborg Slot (onde vive a família real) e Rosenborg Slot (onde estão as jóias da cora) sem esquecer de às 11h30 ver o render da guarda em Amalienborg Slot e subir à Igreja de Mármore: Marmorkiken cujo miradouro proporciona uma esplêndida vista da cidade de Copenhaga.
À tarde descansar em Kogens Have (um jardim real da Dinamarca perto do palácio de Rosenborg).
À noite visitar o Bairro Latino (deve este nome porque alberga a universidade mais antiga de Copenhaga (sec XV)) onde outrora a língua falada era o latim) hoje em dia zona estudantil está repleta de bares e cafés onde pode desfrutar de um bom fim de noite.

Christiansborg Slot:


Amalienborg Slot e Livgarden:


Rosenborg Slot e Kongens Have:



Dia 4 (quinta-feira):
Visitar o Museu Mundo Maravilhoso de Hans Christian Andersen onde se encontram as cenas dos contos de fadas deste escritor e outras recordações. Depois seguir para Strøget que é considerado o verdadeiro centro de Copenhaga, e é relatado por vários guias de turismo, como o caminho de pedestres mais longo do mundo. Aproveitar para fazer compras ou descansar numa esplanada: as lojas variam entre boutiques exclusivas e armazéns de roupa em segunda mão, cafés e restaurantes de todo o Mundo.
À noite visitar um dos inúmeros bares, pubs, discotecas nas ruas paralelas e nas proximidades de Strøget.
Hans Christian Andersen


Strøget (o pormenor das inúmeras bicicletas estacionadas):



Dia 5 (sexta-feira): Dia de diversão: Visitar o Parque de Diversões Tivoli com um ambiente mágico digno de contos de fadas. O Tivoli foi fonte de inspiração para Walt Disney quando este o visitou em 1950 tendo dito: "É assim que deve ser um parque de diversões!". Experimentar viagens de alta velocidade nos carrosseis Dragon, Demon e Starflyer(o maior carrossel do Mundo), visitar o Tivoli Akvarium: um fantástico aquário baseado num recife de coral tropical que alberga 1600peixes de mais de 500 variedades (é o maior aquário de água salgada da Dinamarca).O salão de concertos Tivoli Koncertsal tem concertso de rock ao ar livre às sextas feiras. Fazer uma refeição num dos emblemáticos restaurantes do Tivoli nomeadamente o Friggaden: uma réplica fantástica de um veleiro, no verão pode-se sentar no convês e apreciar as vistas.
À noite ver o exuberante show: A Tivoli Fairytale e fogo de artifício.

Frigate:



Tivoli à Noite:


Dia 6 (sábado): Visitar Christiania (comunidade hippie)







Dia 7 (domingo): Acordar bem cedo pois neste dia vamos dar um pulo até à Suécia!
Fazer a travessia da Ponte de Øresund (em dinamarquês Øresundsforbindelsen, em sueco Öresundsförbindelsen) que liga a ilha da Zelândia (Dinamarca) à Suécia, através do estreito de Öresund. Com 7845 metros de comprimento, é a maior ponte rodoferroviária da Europa. Chegada a Malmö (a maior cidade do Sul da Suécia). Tempo de travessia: aproximadamente 35 minutos.

Øresund Bridge (view from Amager island):



Malmö (Sweden city):



Dia 8 (segunda): é a partida de volta a Lisboa mas com uma promissora despedida: "até breve!". Seria impossível não voltar...

sábado, 17 de julho de 2010

Ao meu avô materno José dos Santos Amaro


17-Julho-2010

Partiste deste Mundo sem eu me ter despedido de ti.
Sinto-me irreparávelmente afundada num desgosto profundo. Perdi a derradeira oportunidade de me despedir de ti, de ver o teu olhar azul cuja face franzina e risonha estava enrugada pelos belos anos da tua magnífica existência. Mas o brilho dos teus olhos, esse, nem as rugas o conseguiam encobrir...e agora esse brilho desapareceu nesta noita fatídica para todo o sempre.
Nunca até hoje sabia o que era perder um ente querido nem o que uma pessoa poderia sentir nessa situação...infelizmente agora sei-lo...e dói. É um sentimento estranho e não sei como reagir mas os meus olhos vertem água salgada até momentaneamente secarem, o coração parece que se despedaçou e os soluços sufocam-me.
Desde que foste internado que apesar de todos serem pessimistas e nos estarem a anunciar a tua morte que eu acreditei que ias conseguir viver mais e puder ver-te e puder abraçar-te...mas não...
A minha mãe disse que quando te foi ver ao hhospital tu não falavas por causa do AVC então ela mostrou-te uma foto minha e tu começaste a chorar...agora os remorços e a minha dor são tantos e a minha consciência não pára de me culpar...
Hoje à noite antes de saber a notícia, deite-me no sofá a ver televisão...um programa captou a minha atenção sem razão aparente, eu não sabia o porquê de estra a ver aquele filme e muito menos de estar a chorar desalmadamente...o filme era sobre um pescador velho, com olhos azuis como os teus e fez-me lembrar de ti...tudo nele era velho e cansado menos o seu olhar e a sua força de viver...mesmo que a vida o maltratasse...ficou 85 dias sem prescar nada no mar, vivia miseravelmente, só tinha um pequeno rapaz que era seu amigo e lhe dava a pouca comida que tinha, um dia sozinho conseguiu pescar um grande espadarte mas os tubarões arruinaram-lhe a pesca...
O final não sei porque me levantei e segundos depois o filme tinha acabado...mas agora sei porque estava a ver aquele filme e a chorar, pressenti qualquer coisa, aquele pescador eras tu avô: bravo e mesmo doente queria e tinha de ir ao mar...
O telefone tocou pouco depois, senti uma má vibração e decidi ignorar esse pressentimento bem como o telefonema...ninguém atendeu, ligaram-me para o telemóvel...não quis atender, deite-me tentei ignorar todos esses presságios e pensamentos, tentei adormecer mas não conseguia...o meu pai entrou no meu quarto com um tom grave na voz e eu parece que já sabia o que ele ia dizer por isso fingi que dormia...algo me dizia para não ouvir, para evitar, para ignorar...mais tarde levanto-me e vejo que tenho uma mensagem no telemóvel: "o avô morreu", e é então que uma crise incontrolável de choro apodera-se da minha alma...não consegui acreditar.
Não, não dá para acreditar que te foste embora, não, NÃO sem eu me ter despedido de ti, sem eu nunca ter tido a coragem de te poder mostrar o quanto de admiro, que te amo, pois és um herói para mim...
Foi há cerca de 7 meses que te vi pela última vez...mas não me consigo lembrra do teu último olhar, de como foi essa última vez que te abracei, do que te disse cara à cara e do que tu me disseste a mim...só eu sei o quanto me sinto mal agora...
A última vez que ouvi a tua voz foi por telefone, antes de seres internado, quando ainda conseguias falar...estavas bem disposto, falámos do tempo que estava "está calor"dizias, perguntei-te se estava tudo bem e tu disseste que sim, se estavas melhor e tu disseste que sim...pudera és forte e mesmo estando mal dirias que estavas bem...ouvia-te a rir do outro lado da linha e subitamente ficámos sem assunto até me disseste: "então não dizes nada?" (desculpa avô :( então dissemos adeus...nunca pensei que esse seria o último adeus!
A tua voz ecoa na minha mente como uma sinfonia melancólica e ao mesmo tempo alegre...porque ao menos lembro-me da tua voz, mas não consegui perceber o quão poderias estar mal, o quão verdadeiramente eras importante para mim, porque nunca consegui dizer: "gosto muito de ti avô". Mesmo afastados pela distância és importante para mim, és o meu exemplo a seguir...e não me conseguirei habituar a dizer que eras, que foste...não consigo acreditar que já não és...
Como viverei o resto dos meus dias com a culpa, a mágoa e a tenebrosa dor de nunca me ter despedido de ti?
Nunca falámos muito, talvez porque raramente te via mas respeitava-te imenso...adorava-te!
Espero que na hora final a morte tenha tido compaixão por ti e não tenhas sofrido muito e onde quer que estejas, onde quer que a tua alma esteja espero que estejas em paz.
A tua memória, o teu riso, a tua bravura, a tua coragem, a tua coragem de viver...essas coisas ficarão para sempre comigo bem como a mágoa, a tristeza e o inconformismo e a implacável dor de não me ter despedido de ti. Hoje não foste só tu que morreste, uma parte de mim também morreu contigo.
Descansa em paz avô...eu sempre te amei e sempre te continuarei a amar.

Com eterna saudade da tua neta que jamais te esquecerá:

Amo-te Avô!

domingo, 4 de julho de 2010

Pedra filosofal- António Gedeão



Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.




eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.




Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.




Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

sábado, 19 de junho de 2010

sexta-feira, 11 de junho de 2010

ECOCENTRISMO


Econcenttrismo é a minha filosofia me relação à vida na Terra, que assenta um conjunto de valores centrado na Natureza. No nosso mundo CAPITALISTA e industrializado a Terra enquanto conceito de casa não é um conceito tão óbvio quanto deveria ser, talvez porque neste meio poluído e corrompido poucas vezes temos a oportunidade admirar a Natureza que nos envolve, a qual estamos constantemente a explorar em nosso proveito levando à degradação ambiental. Outra noção quanto a mim incorrectíssima é a de que toda a Natureza e por isos todos os demais animais que habitam a ECOSFERA devem ser subordinados ao ser humano, assim o nosos modo de alimentação é encarado simplesmente como cadeia alimentar. Por isso defendo naturalmente o veganismo (não comer animais nem os explorar em nosso proveito, quer para roupas e outros produtos derivados como queijo, leite e ovos). Não que seja vegan para já mas sei que com o passar do tempo conseguirei ser e manter esse nível de vida.
É porque o Universo tem valor por si próprio e não o valor que nós lhe decidimos dar.
Apesar de os outros animais seguirem esse padrão, nós com o nosso livre arbitrio podemos ecolher seguir outro rumo, e mesmo continuando a alimentarmo-nos de animais e de seus derivados devíamos de no mínimo preocuparmo-nos com o bem estar animal, condenando e boicotando as sanguinárias cadeias alimentares que vêm nos animais simples objectos de lucro.
Sem uma perspectiva ecocêntrica que sirva como âncora para os valores e propósitos numa realidade maior do que a de nossa espécie, a resolução dos conflitos politicos, económicos, e religiosos será impossível.


ECOCENTRISMO:

Princípios Chave
1º: A Ecosfera é o centro de Valor da Humanidade

2º: A Creatividade e Produtividade dos Ecossistemas da Terra Depende de Sua Integridade

3º: A Perspectiva Terracentrica é apoiada pela História Natural

4º: Ética Ecocêntrica está firmada na Consciência de nosso Lugar na Natureza

5º: Uma Perspectiva Global Ecocêntrica Valoriza Diversidade de Ecossistemas e Culturas

6º: Ética Ecocêntrica Apoia a Justiça

Princípios de Ação:

7º: Defender e Preservar o Potencial Criativo da Terra

8º: Reduzir o Tamanho da População Humana (MUITO IMPORTANTE!!!)

9º: Reduzir o Consumo das Terra por Seres Humanos (isso implica reduzir ou eliminar o consumo de carne: a maior parte das terras produtoras de cereais servem para alimentar gado e não pessoas!)

10º: Promover um Governo Ecocêntrico

11º: Propagar a Mensagem e CUMPRI-LA COM SERES INDIVIDUAIS, ter consciência que SE MUDARMOS O NOSSO MUNDO O MUNDO MUDA

os 6 graus que podem mudar o Mundo


Os 6 graus que podem mudar o Mundo (FONTE: NATIONAL GEOGRAPHY)

Vivemos num Mundo (sec XIX) pelo menos 1ºC mais quente que no sec XIX.

As previsões para o futuro são alarmantes:

•Dentro de 4 décadas os glaciares dos Himalaias fonte de água para milhares de pessoas terão desaparecido.
•Dentro de 50 anos a fusão do manto de gelo da Gronelândia poderá ser imparável.
•Até ao final deste século a Floresta Tropical da Amazónia que alberga metade da biodiversidade do Mundo poderá transformar-se numa savana árida.
Estamos à beira do aquecimento de um grau a temperatura mais quente em milhares de anos mas ao longo dos próximos cem anos poderá haver uma subida de temperatura de 1ºC a 6ºC e cada grau significa um futuro radicalmente diferente. Os dados actuais demonstram que a temperatura global média já subiu 0,8ºC.

Evidências contemporâneas do aquecimento global:

*Incêndios na Austrália que já era o continente mais seco do Mundo e agora está a sofrer a pior seca dos últimos 1000 anos. Os climatologistas prevêm que os incêndios piorem daqui a 30 anos.
O aquecimento global não significa apenas o lento aumento das temperaturas médias, este fenómeno altera completamente o funcionamento da Terra. É por isso que podemos ver secas numa região, inundações noutra ou até mesmo uma sucessão de secas e inundações no mesmo local.
Uma mudança de seis graus de um dia para outro é algo que se pode esperar no âmbito das oscilações meteorológicas normais. Seis graus em termos da alteração média global é diferente. Seis graus a menos é a diferença entre hoje e a última Era Glaciar há 18 mil anos. Se apenas 6 graus a menos transformaram a Terra criando uma Era Glaciar imaginem-na 6 graus mais quente………
As primeiras alterações acontecem na atmosfera constituída por uma pequena % de gases com efeito de estufa (um cocktail de vapor de água, metano, dióxido de carbono, óxidonitroso e ozono) que retêm a radiação emitida pela Terra, há medida que a concentração desses gases aumenta eles retêm mais calor o que pode afectar radicalmente o clima em todo o planeta. Ao longo dos últimos 250 anos as emissões dos gases com efeito de estufa subiram em flecha há medida que descobríamos cada vez mais formas de utilizar mais e mais energia. O CO2 é o preço oculto que pagamos.
Há agora 383 moléculas de CO2 em cada milhão, parece insignificante mas há medida que a concentração de CO2 aumenta o mesmo acontece com a temperatura em todo o planeta. O nível perigoso é de 450 partes por milhão e jás estamos em 383 ppm.

*Um aquecimento global de mais um ou dois graus célsius é um grande problema.

*Se o Mundo aquecer 1ºC o Árctico não terá gelo durante metade do ano abrindo aos navios a lendária passagem do Noroeste. Dezenas de milhares de casas junto ao Golfo de Bengala serão inundadas. O Atlântico Sul começa a ser fustigado por furacões, intensas secas na zona ocidental dos EUA provocam escassez de cereais e carne no mercado global, é provável o aparecimento de novos desertos entre Texas e California. Os padrões agrícolas são visivelmente alterados, por exemplo hoje é possível existirem viniculturas e plantações de oliveiras em Inglaterra enquanto a zona francesa de produção de champanhe está a aquecer demais para continuar a produzir uvas. Em breve as temperaturas do verão inglês serão semelhantes às mediterrânicas!

*No tempo dos nossos pais e avós era tudo mais fresco e verdejante….

Estamos tão próximos dos pontos de viragem que temos mesmo que estabilizar os níveis de CO2.
O planeta já passou por alterações climáticas mas geralmente estas processam-se ao longo de milhares ou milhões de anos agora o aquecimento global está a ser medido em décadas até em anos! Isso significa que há imensas espécies que não vão conseguir acompanhar o ritmo, aquecer a esta velocidade poderá levar-nos para território desconhecido. O aquecimento global começou por o nosso apetite insaciável por energia.
Quase 90 % da energia do Mundo começa por ser um combustível fóssil: carvão, petróleo, gás natural. Mas é impossível escapar à química resultante da queima de restos mortais fossilizados de animais e plantas pré-históricos: o dióxido de carbono.
Juntos, estes três combustíveis constituem a maior fonte de emissões de CO2 que inundam a atmosfera. Eles melhoraram a qualidade de vida de gerações e é difícil imaginar como seria passar sem eles. E o impacto carbónico de tudo o que fazemos vai-se acumulando.
Nota: Nos EUA a emissão de gases resultantes do processo de produção de cheeseburguers é maior que a emissão de GEE de todos os automóveis!
Se a temperatura subir mais que um grau poderá ameaçar o delicado equilíbrio da natureza do fundo dos mares aos cumes mais altos do mundo. As alterações deixarão de ser graduais: os glaciares da Gronelândia desaparecem, a falta de gelo já é tanta que os ursos polares tem dificuldades de locomoção, os insectos migram em novas e estranhas direcções, há medida que um clima temperado avança para norte dos EUA os escaravelhos dos pinheiros matam as árvores das florestas de casca branca a principal fonte de alimento para um urso pardo no Outono, novas florestas instalam-se na tundra que derrete no Canadá, as ilhas de Tuvalu (?) no Pacífico desaparecem sob as marés que sobem sob o efeito do aquecimento global…este poderá ser o nosso mundo com mais 2ºC.

Mas um aquecimento de 2ºC no ecossistema marinho é muito mais severo, podemos vir a perder a maioria dos recifes de coral do mundo, mais de 1 milhão de espécies diferentes, vivem, alimentam-se e reproduzem-se junto dos recifes, precisam mesmo do recife e é-lhes impossível viverem sem ele.
Os oceanos são o maior depósito de carbono do planeta, o principal mecanismo natural para absorver o CO2 atmosférico, mas ultimamente há indícios de que se estão a deteriorar.
Em condições normais espécies minúsculas como os foraminíferos e os cocolitóferos (?) absorvem o CO2 da água e utilizam-no para formar as suas conchas e os seus esqueletos mas há um ponto de viragem em que o excesso de CO2 nos oceanos torna a água cada vez mais ácida. A acidificação destrói as conchas e os esqueletos dessas criaturas e impede-as de absorver mais CO2 da água Estes animais minúsculos que apenas medem 1mm estão na base da cadeia alimentar marinha e o destino de todas as criaturas marinhas de todas as formas e feitios está em jogo.
Se alterarmos a química do oceano o principal mecanismo para controlar o clima começa a falhar. Se perdermos um recife de coral talvez percamos 500 mil espécies.
A Natureza levou 150 mil anos a construir o grande manto de gelo da Gronelândia que está agora a derreter-se no mar mais depressa do que nunca. Há medida que desaparecer o gelo da Gronelândia haverá inundações em zonas costeiras de todo o Mundo. Um glaciar da Gronelândia desloca-se 40 metros por dia derretendo-se no mar duas vezes mais depressa que há 10 anos, a quantidade de gelo que se desprende deste glaciar em apenas dois dias contém água suficiente para abastecer a área metropolitana de Nova Iorque durante um ano.
Hoje em dia na Gronelândia a maior parte dos pescadores usa um barco em vez de um trenó!
O manto de gelo da Gronelândia tem mais de 150 mil anos.
Em 1992 havia 5,6 km de glaciar a deslizar em direcção ao mar e a desaparecer, 10 anos depois esse nº aumentou para 15,5 km por ano o que é bem mais que o dobro!
O gelo agora derrete tão depressa que o nível dos oceanos podem subir nada menos que 1 m durante os próximos 100 anos!
O manto de gelo da Gronelândia contém água congelada suficiente para aumentar o nível global do mar em cerca de 7 metros, o suficiente para afundar Nova Iorque, Londres, Banguecoque, Xangai, etc.
Muitos cientistas concentram-se nos 2 graus de aquecimento como o ponto de viragem que irá alterar as bases do nosso modo de vida neste planeta. O aquecimento acelera a perda de gelo polar e a perda de gelo acelera o aquecimento., mais água derretida absorve mais calor do sol derretendo o manto de gelo e aquecendo o planeta ainda mais depressa…é então que o aquecimento global se torna numa reacção em cadeia imprevisível.

3ºC: O Árctico não terá gelo no verão, a floresta tropical da Amazónia seca, a neve que cobre os cumes dos Alpes praticamente desaparece, os padrões meteorológicos extremos do El Niño passam a ser uma constante, o Mediterrâneo e algumas regiões da Europa definham sob o calor escaldante do Verão, as ondas de calor serão uma norma e trarão para o centro da Europa as temperaturas que agora existem no Médio Oriente e Norte de África. Recordemos a vaga de calor em 2003 que varreu toda a Europa como um lança chamas, tendo morto na noite de 10 de Agosto só em Paris entre 2500 pessoas a 3000 pessoas. Os telhados de metal(estanho) da cidade parisiense foram construídos para uma era anterior, destinavam-se a proteger do frio do Inverno mas agora a subida das temperaturas virou-os contra os parisienses e as casas tornaram-se em autênticos fornos. O nº de mortos devido ao calor em toda a Europa viria a ser superior a 30 mil! Só em França morreram mais de 14000 pessoas em apenas algumas semanas!
Durante a onda de calor de 2003 aconteceu outro fenómeno imperceptível que se desenvolveu entre árvores e plantas da Europa, uma espécie de revolta da vegetação, a fotossíntese tinha entrado em colapso, Em condições normais as árvores são a 1ª linha de defesa contra os GEE absorvendo o CO2 e convertendo-o em O2 que é libertado para a atmosfera, mas no calor extremo desse verão as plantas retiveram o oxigénio libertando o CO2 para a atmosfera! Pensemos no que o que acontecerá À biosfera se este mecanismo vital parar de funcionar regularmente?
Na Floresta Amazónica são produzidos 20 % do oxigénio do mundo. Um aquecimento global pode reduzir essa região das mais húmidas do mundo a uma savana recortada e árida!
Verão de 2005,alguns dos afluentes do rio Amazonas secaram! O exército brasileiro teve de carregar de helicóptero quantidades brutais de água para impedir que as pessoas dessas regiões morressem de sede! E pensar que isto foi na orla do anterior imponente Amazonas! Na esteira do verão de 2005 ardem mais de 2500 km quadrados da floresta Amazónia .
As árvores ajudam a formar 50 % da precipitação da Amazónia. Num mundo 3º mais quente a perda se grande parte da Amazónia poderá libertar milhões de carbono armazenado nas copas das árvores, talvez intensificando o aquecimento global em mais um grau…
Esse mundo 3º mais quente podia pender a balança para um aquecimento global descontrolado…não há nada no passado que nos possa preparar para estas condições extremas.
Há medida que os oceanos se tornam cada vez mais quentes surge um novo padrão climático global que reflecte a violência da anomalia meteorológica a que chamamos El Niño.
À escala geológica, no Piloceno, altura em que havia cerca de mais 3 graus do que há agora no padrão de circulação oceânica no Pacífico era diferente e havia um El Nino permanente.
Normalmente os ventos alíseos empurram as correntes quentes do oceano para o Pacífico Ocidental deixando ficar as águas frias e ricas em nutrientes junto à costa da América do Sul, o El Niño vira esse sistema de pernas para o ar. Os primeiros indícios são as variações da pressão atmosférica: os alíseos enfraquecem e mudam radicalmente de direcção, as águas quentes espalham-se pelo pacífico em direcção a leste, chuvas torrenciais e inundações atingem as regiões costeiras da América do Sul, as florestas tropicais da Indonésia e os terrenos aráveis da Austrália experimentam condições de seca extrema.
Num mundo 3 graus mais quente, haverá muito mais energia nos oceanos para alimentar os furacões.
O que vimos: verão 2005 furacão Katrina atinge Nova Orleães com 380 km / h. O furacão Katrina foi de nível 5 mas investigadores dizem que num mundo 3 graus mais quente podemos vir a ter furacões de nível 6.

4ºC: os oceanos irão subir envolvendo deltas super povoados onde vivem mil milhões de pessoas, o Bangladesh é arrastado pelas águas, o Egipto inundado, Veneza ficará submersa, os glaciares irão desaparecer cortando o abastecimento de água doce a milhares de milhões de pessoas, o norte do Canadá transforma-se numa das zonas agrícolas mais férteis do planeta, enquanto que uma praia na Escandinávia poderá tornar-se na próxima St Trpez, todo o manto de gelo da Antárctida poderá desaparecer fazendo subir ainda mais o nível do mar.
Aos 4 graus começamos a ver um planeta totalmente irreconhecível : alguns dos rios mais importantes do mundo poderão secar e isso fará perigar a sobrevivência de milhões de pessoas. Se algum dia o planeta aquecer 4ºC um dos seus rios irá auto-destruir-se : o rio Ganges fonte de vida de milhões de pessoas na China e no Nepal. A seguir às calotes polares os glaciares dos Himalaias albergam a maior quantidade de água doce do mundo. O glaciar dos Himalaias tem vindo a diminuir 30 m por ano desde a 2ª metade do sec XX Calcula-se que em 2035 ao ritmo actual já não haverá glaciares nos Himalaias semeando o caos na agricultura, na energia hidroeléctrica…e sem Ganges os hindus perdem o que lhes é mais sagrado.
Consequências sociais: dezenas de milhão de refugiados do clima.


5ºC: a civilização humana nunca poderá suportar tal choque climático.
É a 5ª dimensão das alterações climáticas, uma visão de pesadelo da vida na terra.
Os sistemas sociais tradicionais ruiriam, os sobreviventes lutariam entre si para adquirir os bens que restam.

6ºC: os oceanos serão terrenos marinhos estéreis, os desertos marcham sobre os continentes como exércitos conquistadores, as catástrofes naturais são eventos comuns, cidades do mundo inundadas e abandonadas.

O aquecimento de seis graus durante períodos mais longos têm estado ligados a alguns dos casos mais devastadores de extinção em massa de todos os tempos. É justo presumir então, que se a temperatura subir 6 ºC em menos de 100 anos iremos assistir a uma aniquilação global. Aos seis graus de aquecimento foi atribuído o nome de cenário de juízo final.
Mas nem tudo está perdido…ainda! A maioria dos peritos acredita que podemos despertar do pesadelo. Neste momento, a temperatura média “só” subiu 0,8ºC mas não temos muito tempo porque um aquecimento de 2º C deixa-nos à beira de um aquecimento global descontrolado que poderá mudar drasticamente o nosso modo de vida. O auge das emissões só se poderá dar até 2015 e em menos de uma década é necessário encontrar fontes de energia sustentáveis para a maior parte da humanidade.
O que se tem sucedido é que: os seres humanos aparecem, desenterram o material, descobrem que é uma fonte de energia incrivelmente valiosa e sem pensar nas consequências queimam-no e devolvem o carbono que a Terra levou milhões de anos a armazenar de volta à atmosfera em menos de um século! Por isso na verdade, estamos a produzir as condições extremas do Cretácico só que desta vez a uma velocidade estonteante, tão depressa que a maioria das espécies não terá a oportunidade de se adaptar e sobreviver.
E agora que sabemos de tudo isto, o que vamos fazer?