sexta-feira, 28 de setembro de 2012
A dívida portuguesa é uma dívida odiosa!
Dívida Odiosa
A teoria da «dívida odiosa» consiste em, se um prestamista (por exemplo um banqueiro ou o próprio FMI) concede um empréstimo a um governo que é claramente cleptomaníaco, corrupto ou fornece informação não-fidedigna (nestas classificaçãoes estariam 90% das ditaduras, uma grande percentagem dos países em desenvolviemnto e até alguns governos da União Europeia), os governos seguintes não seriam obrigados a pagá-lo.
O certo é que a ideia não está assim tão isenta de lógica reenquadrar-se-ia no avanço global em matéria de direitos humanos.
Na Idade Média era possível enviar para a prisão uma criança cujos pais tivessem morrido e deixado dívidas pendentes. Estas medidas selvagens serviam para, de alguma forma, controlar o crédito em níveis razoáveis, uma vez que o castigo em caso de incumprimento era extremamente pesado.A contrapartida era de que a vida dos endividados fica virtualmente nas mãos dos usurários. Bom, nisto não avançámos realmente muito. Na realidade, as nações obtêm empréstimos de modo a que as crianças de uma geração acabam por herdar as dívidas dos seus antepassados sem que seja relevante que estas tenham sido contraídas por um megalómano irresponsável ou por um corrupto cujos descendentes jogam alegremente pólo na sua mansão num paraíso fiscal. O conceito devidamente aplicado, seria um avanço sem precedentes em matéria de direitos humanos. Nenhum ditador voltaria a obter dinheiro para financiar guerras, repressão e genocídio, porque os banqueiros teriam muito presente o risco de que no futuro essa dívida fosse reconhecida como odiosa e um novo regime democrático pudesse não a pagar com todo o direito internacional do seu lado.
As fortunas dos três homens mais ricos de Portugal equivalem a 6380 milhões de euros, equivalentes a 3,6% do produto interno nacional, e aumentaram em 1,4 mil milhões em 2010, apesar da crise. Falamos de fortunas de dez algarismos, facto que dificulta muito a sua quantificação, porque a maioria dos portugueses tem um salário médio que oscila entre os mil euros e o salário mínimo (que ascende a 485 euros).
Se à fortuna de António Amorim (o homem mais rico de Portugal, mas que foi acusado de falsificação de documentos, fraude e desvio de fundos, e a quem a União Europeia exigiu uma indemnização de 77 milhões de euros por uso fraudolento de fundos de formação profissional entre 1985 e 1988) somarmos as fortunas de Alexandre Soares dos Santos e Belmiro de Azevedo, globalmente valorizadas em 6 380 milhões de euros, podemos chegar à conclusão que a fortuna dos três multimilionários supera os rendimentos de 3 milhões de portugueses. As desigualdades sociais existentes num país cujas instituições foram assaltadas pelos grandes grupos eoonómicos. As más acções são exemplificadas através dos casos do BPN, BPP, BCP, nos processos «Furacão», «Portucale»,«Casino Lisboa», «Submarinos», «Edifícios dos CTT», «Face Oculta», entre muitos outros casos.
fonte: livro "A troika e os 40 ladrões" de Santiago Camacho
Se a dívida portuguesa se deve à corrupção é uma dívida odiosa: NÃO PAGAMOS!!!!!!
Ler no JN: "dívida dos portugueses ao Estado não existe"
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Entrevista ao economista eurocéptico João Ferreira do Amaral ao Jornal i de 22 e 23 de setembro de 2012...numa só palavra: DEMOLIDOR!
" Se os salários descessem 7%- que na realidade é um pouco mais - e se somarmos o efeito dos preços2% a 3% da inflação- iríamos aos 10% de perda de salário real. É mais do que em todo o programa de ajustamento de de 1983/84 com a agravante de não resolver nada. E com a agravante adicional, muito pouco discutida, de que uma desvalorização do rendimento das famílias é muito perigosa [...] se estamos a reduzir drasticamente o rendimento das famílias- estamos a aumentar muito as condições para o incumprimento, além de criarmos um problema social muito grave.
As pessoas estão a pagar não de acordo com os seus rendimentos, como a Constituição obriga, mas de acordo com o estatuto que têm. Isto é uma concepção medieval. Agora os reformados pagam x, os funcionários pagam outro x. É uma regressãode séculos em termos de base de incidência fiscal. As sociedades civilizadas tributam de acordo com o rendimento ou segundo o património.
[...]Estes programas de ajustamento são um erro brutal ao quererem uma terapia de choque que não resolve nada.
[...]Estes programas [da troika] são um disparate. Aliás, vê-se claramente: é difícil imaginar um programa tão ineficiente como o português [...] É das maiores ineficiências que encontro e a meu ver resulta de a troika ter concepções que se baseiam em pressupostos económicos errados. Um é de que a desvalorização fiscal é a mesma coisa que a desvalorização cambial. Outro é que o emprego só depende dos custos de trabalho quando depende basicamente da evolução da procura interna [...] A troika tem demonstrado uma grande dificuldade em fazer programas que funcionem . Estes não funcionam e já não há desculpa que deram em relação aos gregos, de que eles não cumpriram e são uns valdevinos. Nós fizemos tudo. Para obter este resultado, por amor de Deus, isto não é nada. Estes programas levam a uma grande iliteracia económica, não estão adequados às situações. E é isso que é importante mudar. Se for mudado e se entrar mais numa concepção de ajustamento gradual da estrutura produtiva, através de medidas estruturais de apoio, aos sectoresde bens transaccionáveis, nós podemos fazer o ajustamento. De outra forma penso que só nos resta a saída da zona euro.
[...]Passámos 1 5 anos a distorcer a estrutura produtiva [e vínhamos de uma situação de grande atraso]. Ningém acredita que em um ou dois anos vamos repor a estrutura produtiva. Estes programas são um absurdo e não admira que falhem mesmo quando se cumpre.
i:A perspectiva de quem tenta cumprir o programa é de que é necessário ter dois ou três anos de dor profunda para depois podermos voltar a crecser
JFA:...mas economicamente não há nenhuma razão para supor que isso seja assim, pelo contrário vamos regredir. O investimento tem descido brutalmente, prevê-se uma nova descida para o ano e isso significa que a estrutura produtiva não se reformula. Não há reformulação sem investimento. Essa concepção metafísico-existencial não tem qualquer cabimento em economia.
i: Mas há um constrangimento imediato que vem do facto de estarmos na Europa e de aparentemente haver muito pouca margem para mudar de forma significativa a política actual. Concorda que há pouca margem?
Não. Começa a haver a alguma margem de manobra à medida que é cada vez mais nítido que estes programas não vão dar resultado [...]Infelizmente creio que a posição do governo não é a que seria correcta - cumprir apenas no essencial o programa da troika para manter o financiamento - mas usar o programa como catapulta para uma agenda muito além troika, em que a redução salarial é o nosso futuro. Quando claramente não é.
[...]não se pode repetir em Espanha o mesmo que na Grécia e que se está a repetir em Portugal: um programa de resgate que não dá resultado. Se a Espanha entrar em depressão profunda toda a Europa sofre brutalmente.
[...] a meta de 4,5% do PIB para 2013 não será exequível. E depois teremos um drama medonho que é de novo dizer que não se cumpriu.
i: Estas metas - inflexibilidade subjacente ao programa - acaba por matar a credibilidade de qualaquer ministro das Finanças?
JFA: penso que sim. Acabam por matar toda a gente. Acaba por matar também a credibilidade das instituições comunitárias. Antes podiam transferir a responsabilidade de para os não cumpridores, agora não podem porque Portugal no essencial cumpriu o programa. Portanto, se os resultados não estão adequados é porque o programa estava inadequado à partida como, aliás, muita gente referiu. Isto põe em cheque a credibilidade também do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu. Com uma agravante adicional no que respeita à Comissão Europeia: ao patrocinar estes acordos está a ir contra os tratados. Os objectivos da União Europeia não são estes e a Comissão deve estar ao serviço da União. Essa é uma missão que o Parlamento Europeu devia fiscalizar.
[...]Mas uma vez estabilizada a zona euro, tem de se pensar seriamente no facto de o euro não permitir um desenvolvimento da União[...]Penso que é de encarar seriamente a saída de países da zona euro. Para Portugal é a única forma de termos perspectivas de crescimento a prazo [...] sair do euro teria ainda uma grande vantagem: o financiamento do Estado. A partir do momento em que o estado tem emissão monetária deixa de ter problemas de financiamneto interno [...]
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" Se os salários descessem 7%- que na realidade é um pouco mais - e se somarmos o efeito dos preços2% a 3% da inflação- iríamos aos 10% de perda de salário real. É mais do que em todo o programa de ajustamento de de 1983/84 com a agravante de não resolver nada. E com a agravante adicional, muito pouco discutida, de que uma desvalorização do rendimento das famílias é muito perigosa [...] se estamos a reduzir drasticamente o rendimento das famílias- estamos a aumentar muito as condições para o incumprimento, além de criarmos um problema social muito grave.
As pessoas estão a pagar não de acordo com os seus rendimentos, como a Constituição obriga, mas de acordo com o estatuto que têm. Isto é uma concepção medieval. Agora os reformados pagam x, os funcionários pagam outro x. É uma regressãode séculos em termos de base de incidência fiscal. As sociedades civilizadas tributam de acordo com o rendimento ou segundo o património.
[...]Estes programas de ajustamento são um erro brutal ao quererem uma terapia de choque que não resolve nada.
[...]Estes programas [da troika] são um disparate. Aliás, vê-se claramente: é difícil imaginar um programa tão ineficiente como o português [...] É das maiores ineficiências que encontro e a meu ver resulta de a troika ter concepções que se baseiam em pressupostos económicos errados. Um é de que a desvalorização fiscal é a mesma coisa que a desvalorização cambial. Outro é que o emprego só depende dos custos de trabalho quando depende basicamente da evolução da procura interna [...] A troika tem demonstrado uma grande dificuldade em fazer programas que funcionem . Estes não funcionam e já não há desculpa que deram em relação aos gregos, de que eles não cumpriram e são uns valdevinos. Nós fizemos tudo. Para obter este resultado, por amor de Deus, isto não é nada. Estes programas levam a uma grande iliteracia económica, não estão adequados às situações. E é isso que é importante mudar. Se for mudado e se entrar mais numa concepção de ajustamento gradual da estrutura produtiva, através de medidas estruturais de apoio, aos sectoresde bens transaccionáveis, nós podemos fazer o ajustamento. De outra forma penso que só nos resta a saída da zona euro.
[...]Passámos 1 5 anos a distorcer a estrutura produtiva [e vínhamos de uma situação de grande atraso]. Ningém acredita que em um ou dois anos vamos repor a estrutura produtiva. Estes programas são um absurdo e não admira que falhem mesmo quando se cumpre.
i:A perspectiva de quem tenta cumprir o programa é de que é necessário ter dois ou três anos de dor profunda para depois podermos voltar a crecser
JFA:...mas economicamente não há nenhuma razão para supor que isso seja assim, pelo contrário vamos regredir. O investimento tem descido brutalmente, prevê-se uma nova descida para o ano e isso significa que a estrutura produtiva não se reformula. Não há reformulação sem investimento. Essa concepção metafísico-existencial não tem qualquer cabimento em economia.
i: Mas há um constrangimento imediato que vem do facto de estarmos na Europa e de aparentemente haver muito pouca margem para mudar de forma significativa a política actual. Concorda que há pouca margem?
Não. Começa a haver a alguma margem de manobra à medida que é cada vez mais nítido que estes programas não vão dar resultado [...]Infelizmente creio que a posição do governo não é a que seria correcta - cumprir apenas no essencial o programa da troika para manter o financiamento - mas usar o programa como catapulta para uma agenda muito além troika, em que a redução salarial é o nosso futuro. Quando claramente não é.
[...]não se pode repetir em Espanha o mesmo que na Grécia e que se está a repetir em Portugal: um programa de resgate que não dá resultado. Se a Espanha entrar em depressão profunda toda a Europa sofre brutalmente.
[...] a meta de 4,5% do PIB para 2013 não será exequível. E depois teremos um drama medonho que é de novo dizer que não se cumpriu.
i: Estas metas - inflexibilidade subjacente ao programa - acaba por matar a credibilidade de qualaquer ministro das Finanças?
JFA: penso que sim. Acabam por matar toda a gente. Acaba por matar também a credibilidade das instituições comunitárias. Antes podiam transferir a responsabilidade de para os não cumpridores, agora não podem porque Portugal no essencial cumpriu o programa. Portanto, se os resultados não estão adequados é porque o programa estava inadequado à partida como, aliás, muita gente referiu. Isto põe em cheque a credibilidade também do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu. Com uma agravante adicional no que respeita à Comissão Europeia: ao patrocinar estes acordos está a ir contra os tratados. Os objectivos da União Europeia não são estes e a Comissão deve estar ao serviço da União. Essa é uma missão que o Parlamento Europeu devia fiscalizar.
[...]Mas uma vez estabilizada a zona euro, tem de se pensar seriamente no facto de o euro não permitir um desenvolvimento da União[...]Penso que é de encarar seriamente a saída de países da zona euro. Para Portugal é a única forma de termos perspectivas de crescimento a prazo [...] sair do euro teria ainda uma grande vantagem: o financiamento do Estado. A partir do momento em que o estado tem emissão monetária deixa de ter problemas de financiamneto interno [...]
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"Em nome dos cortes salariais e do roubo, do subsídio de férias e Natal, vamos circular este apelo que ESTÁ CIRCULANDO EM TODA A ESPANHA!E PORQUE NÃO, EM PORTUGAL?
Exigimos:
Reduzir os salários deTODOSos cargos políticos em50%.
RetirarTODOS os subsídios, abonos ou subvenções. Apenas poderão auferir o salário.
Limitar o salário dos cargos políticos, ao valor de 5 salários mínimos (+/- 2.500 ¤ ?)
Apenas poderão auferirUMsalário.
Reforma para os políticos aos65 anosde idade,como todos os outros portugueses.
ESTÁ CIRCULANDO EM TODA A ESPANHA!
Vamos fazê-la circular em PORTUGAL....MUITAS VEZES, tantas quantas as necessárias...
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carta aberta ao Primeiro Ministro por Eugénio Lisboa
(Recebi por e-mail esta carta e achei que devia de pôr aqui alguns excertos):
É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais — tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.
Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida — tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados.Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente.
Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: “Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.
É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais — tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.
Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida — tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados.Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente.
Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: “Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.
De V. Exa., atentamente,Eugénio Lisboa
P
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A FESTA TEM DE ACABAR!
(Recebido por e-mail):
Aqui vai a razão pela qual os países do norte da Europa estão a ficar cansados de subsidiar os países do Sul.
Governo Português
3 governos no continente e ilhas
333 deputados no continente e ilhas
308 câmaras
4259 freguesias
1770 vereadores
30000 carros
40000(?) fundações e associações
500 assessores em Belém
1284 serviços e institutos públicos
Para a Assembleia da República Portuguesa ter um número de deputados equivalentes à Alemanha, teria de reduzir em mais de 50%
333 deputados no continente e ilhas
308 câmaras
4259 freguesias
1770 vereadores
30000 carros
40000(?) fundações e associações
500 assessores em Belém
1284 serviços e institutos públicos
Para a Assembleia da República Portuguesa ter um número de deputados equivalentes à Alemanha, teria de reduzir em mais de 50%
O POVO PORTUGUÊS NÃO TEM CAPACIDADE PARA CRIAR RIQUEZA SUFICIENTE, PARA ALIMENTAR ESTA CORJA!
É
POR ESTAS E POR OUTRAS QUE PORTUGAL É O PAÍS DA EUROPA EM QUE
SIMULTÂNEAMENTE SE VERIFICAM OS SALÁRIOS MAIS ALTOS A NÍVEL DE
GESTORES/ADMINISTRADORES E O SALÁRIO MÍNIMO MAIS BAIXO PARA OS HABITUAIS
ESCRAVIZADOS.
ISTO É ABOMINÁVEL!!!
ACORDA, POVO! ESTAS, SIM, É QUE SÃO AS GORDURAS QUE TÊM DE SER ELIMINADAS E NÃO AS QUE O GOVERNO FALA.
Por isso é que acho que os países nórdicos, onde quase não há corrupção e as pessoas não têm a mania das grandezas têm o direito de não "nos" darem mais dinheiro...afinal de contas é o mesmo que mandar pela janela fora, se algum dia sairmos do Euro ou da UE agradeçam aos chulos que para além de comerem à conta dos impostos dos portugueses também vampirizam os fundos europeus e gozam com os impostos dos outros europeus...vai tudo para os seus bolsos!
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
O suicídio colectivo da austeridade
"Anunciada a redução da TSU para as empresas, paga com um novo «imposto» sobre os trabalhadores, ficará para a História como uma das maiores asneiras de todos os tempos.
[...]A solução «criativa» que o Governo inventou para compensar a redução da Taxa Social Única é de uma insanidade inexplicável face à conjuntura actual.
Com a decisão de colocar os trabalhadores a pagarem a redução da TSU para as empresas, o Governo não só cortou o rendimento mensal disponível das famílias, como, pior ainda, transformou o que poderia ser uma medida de estímulo ao crescimento e à criação de emprego (a baixa de TSU, financiada de outra forma) num instrumento de suicídio colectivo.
[...]Isto é não só criminoso como vai obrigar as empresas a terem de gerir conflitos laborais que nunca pediram a troco de coisa alguma, porque a esmagadora maioria delas não quer, e tem fortes razões para não querer, esta solução de redução da TSU.
[...]Opera-se aqui uma espécie de transferência de riqueza dos trabalhadores para os accionistas, estranhamente decretada pelo Governo.
[..]Será marginal o número de empresas que beneficiará com esta baixa da TSU.
[...]Uma quebra de vendas resultará claramente da perda de compra determinada por esta medida do Governo e que fará com que estas empresas não tenham também qualquer motivo para contratar quem quer que seja. Mas o inverso, o despedimento, irá acontecer.
Este «jogo», de TSU por salário, empobrecerá ainda mais as famílias e fará quebrar novamente o consumo. Vai fazer disparar as falências e o desemprego.Vai abrir novos buracos nas receitas fiscais e da Segurança Social. E vai, em 2013, tal como já conteceu este ano, inviabilizar o cumprimento das metas acordadas com os nossos credores externos.
[..]Estamos todos, esforçada e penosamente, a combater uma crise económica e financeira particularmente difícil para manter o essencial da sociedade que hoje conhecemos? ou estamos já, muito para além disso, numa cruzada de refundação do regime económico, político e social em que o cenário de destruição maciça de empresas e empobrecimento generalizado da poulação são danos que alguém considera aceitáveis, numa equação ideológica maior?"
Pedro Camacho inVisão nr 1020
Não haja dúvida que a imaginação para ir ao bolso dos portugueses por parte deste governo, supera em muito, a imaginação de muitos carteiristas.
Ler mais:
Caro PM
Portugal é um negócio ou uma democracia?
"Portugal é um negócio ou uma democracia? Para o Governo e seus satélites, Portugal é um negócio.
Pese embora o escândalo TSU, o confisco de mais um salário aos trabalhadores e a sua transferência para os patrões, o que de mais grave e irreversível está a acontecer diz respeito às privatizações e aos negócios internacionais que elas propiciam. O intermediário desses negócios chama-se António Borges, um agente opaco, como todos os agentes-sombra. Não é um intermediário neutro e muito menos um zelador dos interesses nacionais. É um agente da Goldman Sachs com passaporte português. O seu negócio principal é a venda de activos nacionais a preços de saldo, mas também está interessado em integrar a Monsanto a produção agrícola transgénica e a outras multinacionais os recursos naturais do país. Se tiver oportunidade, este homem causará imenso dano a Portugal.
Este é o primeiro perigo que os portugueses enfrentam. O segundo perigo é tentar neutralizar o primeiro através da demissão do actual Governo e da nomeação de um governo de salvação nacional liderado por um tecnocrata, tipo Papademus ou Monti. Os portugueses estão na rua depois do estado de choque em que mais uma dose de medidas de austeridade os mergulhou. Vem que essas medidas dão resultados opostos aos que proclamam e não oferecem outra alternativa senão mais medidas ainda mais gravosas.
O Governo, com a sua indescritível insensibilidade social, dividiu o seu bloco de apoio e perdeu o seu apoio e perdeu legitimidade perante os portugueses. O País pode em breve tornar-se ingovernável. Os portugueses estão numa situação de emergência que os pode colocar para além da divisão entre a esquerda e a direita, o que é preocupante. A tentação pode ser a de garantir a estabilidade a todo o custo, recorrendo a um governo de salvação nacional. Não funcionará, porque o novo Governo dará continuidade ao memorando e os problemas de fundo voltarão com a mesma intensidade.
[...]O próximo orçamento que, se contiver as medidas anunciadas é certamente inconstitucional. Compete ao Tribunal Constitucional (TC) fazer tal verificação perante uma solicitação de fiscalização preventiva. Se o TC se decidir pela inconstitucionalidade, Borges, Gaspar e os seus acólitos terão de prestar contas aos seus patrões internacionais.
[...]A solução pressupõe a desobediência democrática ao memorando da troika. A democracia portuguesa não sobreviverá ao cumprimento pleno dele. "
Boaventura de Sousa Santos, in Visão nº1020 de 20 a 26 de setembro
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012
É uma loucura portuguesa, com certeza é uma loucura portuguesa
"Escrevo-te umas horas antes de o Presidente da República falar ao país na certeza de que tudo fará para preservar o poder podre que ajudou a construir [...]
Foram 30 anos a convencerem-nos de que "eles" são todos iguais e que não há alternativa a viver mal e explorado. Fizeram-nos odiar os sindicatos que nos pertencem. Fizeram-nos pensar que não somos políticos. Fizeram-nos acreditar que não podemos decidir, que vivemos acima das nossas possibilidades e que, se nos revoltarmos, estaremos a comprometer o futuro dos nossos filhos [...]"
Tiago Mota Saraiva na crónica de opinião do jornal i " Carta a Chico Buarque" de 22 e 23 de setembro de 2012
Que fazer?
" É a pergunta: que fazemos com a manif do passado sábado "Que se lixe a troika"e com esta crise? Todos ficaram atónitos com a dimensão da manif [...]A enjoativa alternância PS e PSD leva a abstenção [...] Isto está a ficar do avesso com os patrões solidários com os trabalhadores e os ultraliberais do governo furibundos com os patrões.
"Não há dinheiro" é aquela frase sibilina e pausada do ministro Vítor Gaspar. Não? Deste lado, também já não há. Parece que tem orgulho no povo, seria bom que o percebesse.
Falar com a troika, revirar o orçamento, remodelar o governo, eis o que fazer.
Passos Coelho não deve ter lido o livro da social-democrata Shirley Williams "A Política é para as Pessoas". Talvez se tivesse ouvido menos Borges, Moedas & Ca. e escutado mais empresários, trabalhadores e a sociedade civil, não tivesse chegado aqui. A manif de sábado quebrou-lhe a arrogância e deu um aviso, recordando aquela canção em vésperas do 25 de Abril: "oiçam, o tempo mudou"."
Fernanda mestrinho na crónica de opinião do jornal i de 22 e 23 de setembro de 2012
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domingo, 23 de setembro de 2012
para reflectir...
Não sei se esta história é real ou não, encontrei-a enquanto cirandava pela internet e emocionou-me:
"Um dia o burro de um agricultor caiu num poço.
O animal zurrou, insistentemente, durante horas, enquanto o dono tentava descobrir, esforçadamente, mas sem êxito, alguma forma de conseguir tirá-lo de lá...
Finalmente o agricultor desistiu dos seus esforços infrutíferos e decidiu que, dado que o animal já estava velho, o poço estava seco e a necessitar de ser tapado, realmente não valia a pena resg
atar o burro e o melhor seria mesmo soterrá-lo...
Convidou os seus vizinhos para que viessem ajudá-lo.
Todos pegaram nas suas pás e começaram a lançar terra ao poço.
O burro deu-se conta do que se estava a passar e chorou (zurrou), desconsoladamente...
Logo, para surpresa geral, o burro deixou de zurrar...Depois de mais umas quantas pazadas de terra, o agricultor espreitou, finalmente, para o fundo do poço e surpreendeu-se com o que via...
Com cada pazada de terra, o burro estava a fazer algo incrível...
Sacudia-se da terra e dava um passo para cima... Enquanto os vizinhos iam lançando mais e mais terra para cima do animal, ele ia-se sacudindo e lá ia subindo, pazada a pazada!
Depressa todos puderam surpreender-se como o burro chegou até à boca do poço, passou por cima do bordo e saiu a trotar, alegremente...
A vida também vai atirar-te terra, todo o tipo de terra... O truque para saíres desse poço é sacudires-te e dar um pequeno passo acima... Cada um dos nossos problemas pode levar-nos a um escalão acima!"
Convidou os seus vizinhos para que viessem ajudá-lo.
Todos pegaram nas suas pás e começaram a lançar terra ao poço.
O burro deu-se conta do que se estava a passar e chorou (zurrou), desconsoladamente...
Logo, para surpresa geral, o burro deixou de zurrar...Depois de mais umas quantas pazadas de terra, o agricultor espreitou, finalmente, para o fundo do poço e surpreendeu-se com o que via...
Com cada pazada de terra, o burro estava a fazer algo incrível...
Sacudia-se da terra e dava um passo para cima... Enquanto os vizinhos iam lançando mais e mais terra para cima do animal, ele ia-se sacudindo e lá ia subindo, pazada a pazada!
Depressa todos puderam surpreender-se como o burro chegou até à boca do poço, passou por cima do bordo e saiu a trotar, alegremente...
A vida também vai atirar-te terra, todo o tipo de terra... O truque para saíres desse poço é sacudires-te e dar um pequeno passo acima... Cada um dos nossos problemas pode levar-nos a um escalão acima!"
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
A verdade sobre crise, dívida, FMI e austeridade
Livro: A TROIKA E OS 40 LADRÕES, de Santiago Camacho
As políticas neoliberais aplicadas sem receios e a ganância de alguns conduziram-nos a uma crise económica da qual ninguém parece saber como escapar.
São os cidadãos comuns, aqueles que não tiveram culpa de todo este dano, os que menos beneficiaram e os que mais estão a sofrer, os que têm de pagar as suas consequências, não apenas de maneira indirecta através da deterioração da sua qualidade de vida, do medo, do desaparecimento de postos de trabalho, da dificuldade para obter crédito, e nos piores casos, do despejo e da ruína, mas também financiando com o dinheiro dos seus impostos os mesmos bancos que nos conduziram a toda esta lamentável situação.
E, como é óbvio, os pressupostos do Estado não se podem esticar, haja o dinheiro que houver, e entregam-se milhares de milhões para financiar os bancos, e outras instituições, as dos serviços públicos e sociais, terão de sofrer severos cortes. E assim encontramos o amargo paradoxo de que uma crise provocada pela liberalização se converte, como por arte de magia, na desculpa perfeita para que as políticas avancem ainda mais para o liberalismo implacável [..]. Encontramo-nos numa época de desemprego em massa, e em vez de se reanimar os esforços públicos para criar emprego, recita-se com cada vez mais convicção o mantra da austeridade, na qual a despesa governamental e os programas sociais são cortados até ficarem no mínimo que se consegue tolerar a população antes de chegar a revolta.
Para o justificar, é-nos dito que o extraordinário esforço público realizado durante a primeira parte da crise serviu na realidade para evitar, ou pelo menos mitigar, o desastre económico e financeiro, mas criou um grave desequilíbrio dos cofres públicos que obrigou a adoptar as actuais medidas de austeridade, sobretudo na União Europeia. Manter as políticas de austeridade, ainda que à custa de sofrer com os problemas que se possam gerar a curto prazo - sobretudo o atraso na reactivação económica- é, a única via para assegurar, a longo prazo, uma saída sólida e duradoura para a crise. No entanto, é sempre a obstinada realidade que acaba por colocar as coisas no seu devido lugar. As economias em crise estão ainda longe de enveredar pelo caminho do crescimento, e o estabelecimento de uma política de retrocesso e austeridade da despesa e do investimento público foi um novo golpe, devastador, para as economias que lutavam para se levantar.
Venderam-nos esta doutrina afirmando que não havia nenhuma alternativa - que tanto os resgates como os cortes da despesa eram necessários para satisfazer os mercados financeiros - e afirmando também que a austeridade fiscal criar a emprego. Mas o certo é que se trata de mais uma mentira em toda a História. Nos sítios onde se praticaram as políticas de austeridade orçamental, a crise não apenas não diminuiu, como foi agravada com taxas de desemprego mais elevadas e umas substancial estagnação do crescimento.
[..]A Grécia viu-se empurrada pelas suas medidas de austeridade para uma depressão cada vez mais profunda; e essa depressão, não por falta de esforço por parte do governo grego, foi motivo para que através de um relatório secreto enviado aos dirigentes europeus se chegasse à conclusão que o programa posto em práctica na Grécia é inviável.
Quem lê crónicas sobre a crise financeira, ou vê adaptações cinematográficas como o excelente Inside Job , saberá que a Islândia era supostamente o exemplo perfeito de desastre económico: esse país que o FMI dava como exemplo a seguir e que acabou completamente arruinado, soterrado nos escombros de uma banca cancerígena que converteu a ilha num imenso hedge fund e que deixou uma dívida equivalente a todo o PIB de 8 anos e 6 meses. Os seus banqueiros fora de controlo carregaram o país com dívidas enormes e ao que parece deixaram a nação numa situação desesperada. Enquanto todos os outros resgataram os banqueiros e obrigavam os cidadãos a pagar o preço, a Islândia deixou que os bancos se arruinassem e, na realidade, ampliou a sua rede de segurança social.
A Islândia deu início a uma ambiciosa reforma constitucional que, pela primeira vez na História do Mundo, é fruto de um processo de democracia directa, à margem dos partidos.
Que a solução que se propõe para a crise seja aprofundar ainda mais as políticas que:
1) nos conduziram a ela
2) as que fazem que os que têm menos culpa têm, os cidadãos, sofram as consequências mais terríveis é algo que acrescenta infâmia ao oprobório, uma proposta que responde à tentativa de debilitar as protecções sociais, reduzir a progressividade dos impostos e diminuir o papel e dimensões do governo, ao mesmo tempo que deixa toda uma série de interesses estabelecidos tão pouco afectados quanto possível.
Situações como as que geraram as crise económica fizeram com que se começasse a falar de crimes económicos contra a Humanidade. A nível macroecómico, este conceito foi usados nos debates sobre políticas de ajuste estrutural promovidas pelo FMI e pelo Banco Mundial durante as décadas de 1989 e 1990, que acarretaram gravíssimos custos sociais para as populações de África, América Latina, Ásia e Europa de Leste. Muitos analistas assinalaram estes organismos, as políticas que patrocinaram e os economistas que as conceberam como responsáveis, especialmente o FMI:
Para Shoshana Zuboff, antiga professora de Harvard Business School que publicou um artigo publicado no Business week a 20 de Março de 2009 com o título "Wall Street's economic crimes against humanity" há responsáveis, e são pessoas e instituições concertas: são aqueles que defenderam a liberalização sem controlo dos mercados financeiros; os executivos e as empresas que beneficiaram com o excesso do mercado durante o boom financeiro; aqueles que permitiram as suas prácticas e aqueles que podem agora sair incólumes e fortalecidos, com mais dinheiro público, a troco de nada. Eles são responsáveis pelo facto de milhões de famílias terem perdido as suas casas, milhões de trabalhadores terem ido para o desemprego, mais milhões aumentam a legião de pobres, o número de pessoas com fome aumenta até ultrapassar os 1000 milhões...têm nome e apelido ou razões sociais.
Na Argentina existe um precedente, um tribunal criado para identificar num registo especial as vítimas dos delitos económicos cometidos durante a ditadura [...]Para além deste exemplo pontual,não existe nenhuma norma nem costume nacional ou internacional que reprima como crimes contra a Humanidade os delitos com motivação económica.
Estamos perante o aparecimento de uma Nova Ordem Mundial, perante uma transformação do Estado tal como o conhecemos associado às nações. Não desapareceram os Estado-nações, mas é evidente que estão debilitados e já não têm a capacidade de resposta como dantes.
Como é possível se não através de sugestões de, por exemplo, os burocratas do Banco Central Europeu fazerem com que os governos estabeleçam à pressa e sem consultar a sua população, como aconteceu por exemplo em Espanha, medidas tão graves como uma reforma constitucional que implica de facto limitar a soberania do Estado? Como é que é possível que o «mercado», essa entidade amorfa, sem rosto, sem sede, sem ninguém a quem reclamar, mas tão poderosa, possa pôr de joelhos presidentes de Governo para destruir o Estado de bem-estar e continuar a drenar recursos públicos para seu próprio benefício?
O estado- nação, enquanto conceito, fica momentaneamente débil, ao ponto de ser cada vez menos capaz de regular a sociedade e é-nos imposto uma nova ordem mundial sem qualquer controlo democrático.
Uma figura sobre a qual será conveniente reflectir nesta situação é a do criminoso de Guerra Adolf Eichman, julgado em Jerusalém há 45 anos. Durante o julgamento que estremeceu o Mundo, a Humanidade enfrentou pela primeira vez o aparecimento de um novo tipo de criminoso, participante naquilo que poderíamos denominar «massacre administrativo». Nunca empunhou uma arma. Nunca deu uma ordem directa para assassinar ou torturar ninguém. Nunca viu uma execução. Ele era apenas um contabilista do inferno [...]O sofrimento que se instalou em muitas sociedades deste planeta deve-se aos consciencioso trabalho de muitos Adolf Eichmann. A crise económica não é o Holocausto, mas deriva da mesma supressão generalizada do critério moral.
O comportamento das nossas instituições financeiras é o mesmo em todo o Mundo: um sistema irresponsável empenhado em embolsar o lucro, banqueiros, correctores e especialistas financeiros dispostos a participar num modelo de negócio egoísta e que reserva a desumanização e o distanciamento para os que vivem fora da sua reduzida esfera, no mundo real. Como soldados na guerra, como assassinos em série, como os torturadores de qualquer regime ditatorial, a distância emocional, o despersonalizar dos seres humanos, convertendo-os em coisas, em cifras neste caso, facilitou a tarefa de operar exclusivamente em interesse próprio, sem os sentimentos habituais de empatia que nos alertam para a dor dos outros e nos definem como seres humanos. Nos julgamentos de Nuremberga os acusados defendiam-se dizendo que tinham cometido atrocidades que eram «legais», inclusivamente bem vistas pela sociedade. Não podiam ser julgados por cumprir a lei.
A escravidão da dívida
Desde o início da década de 1980 que o FMI e a sua organização irmã, o Banco Mundial, imposeram programas de ajuste estrutural em mais de 70 países em desenvolvimento que, se não constituem delitos contra a Humanidade, estão muito perto disso. Joseph Stiglitz, que deve saber do que fala como antigo economista-chefe do Banco Mundial, recorda que o FMI se envolveu numa série de programas de «assistência» que afectaram a maioria dos países de África. O resultado foi que os rendimentos desses países foram reduzidos numa média de 23%. No mundo desenvolvido, isso teria sido uma catástrofe. Em África, onde os rendimentos apenas dão para subsistência é um holocausto.
As ajudas ao desenvolvimento passaram de ser precisamente isso, uma ajuda, para se converter num negócio extremamente rentável.
Um exemplo disso é o que aconteceu no Brasil: entre 1985 e 1987, o FMI arrecadou deste país16 800 milhões de dólares de lucro líquido sobre o dinheiro que tinha emprestado
A participação do FMI na crise económica de um país permite que capital estrangeiro se apodere do mercado interno, reforce o seu domínio sobre a banca nacional e aproprie-se dos activos produtivos mais rentáveis a preço de chuva.
O FMI é uma fonte de enormes lucros para bancos como o Goldman Sachs (um dos principais beneficiários dos resgates financeiros), a partir dos tais resgates internacionais.
Outra grande potência que também mordeu o isco do FMI é a Rússia que desde então vive imerso numa armadilha de endividamento. O economista russo Boris Kagarlitski, numa declaração diante do Congresso dos EUA, expôs a situação com enorme clareza: «Os teóricos do FMI insistiram que a privatização conduziria automaticamente a uma melhor gestão das indústrias e à redução das despesas do governo. Também fizeram finca-pé na necessidade de gastar menos em educação, bem.estar social, saúde, etc. O FMI não apenas lançou os líderes da Rússia na ilusão de que esmagar a inflacção levaria automaticamente ao crescimento, como porta-vozes do FMI também alimentaram a falsa ideia que se as coisas corressem mal haveria um monte de dinheiro no sistema financeiro mundial para resgatar os russos». Uma vez mais a fórmula do FMI (que não fez nada para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos russos, mas justamente o contrário) teve os resultados habituais: os preços aumentaram, os salários caíram, e caíram a despesa e o financiamento público.
A despesa com a saúde diminuiu na maioria dos países mais pobres do Mundo desde a década de 1980. Algumas melhorias importantes neste campo, adquiridas com considerável esforço nas décadas de 1960 e 1970, reverteram ao seu estado original ou são estagnadas em muitos países desde a década de 1980, quando a dívida começou a converter-se no problema mais garve dos países em desenvolvimento. Não obstante os vertiginosos avanços da medicina, o número de crianças que morrem antes de fazer 5 anos aumentou em muitos países endividados para níveis elevadíssimos, como no Zimbabué, Zâmbia, Nicarágua, Chile e Jamaica, depois de décadas de resultados cada vez mais incentivadores.
Os salários reais na maioria dos países africanos foram reduzidos em 50%-60% desde o início de 1980.
Em conjunto com os maiores recursos científicos e técnicos e os maiores avanços em organização social que a Humanidade já teve, 2/3 dos habitantes dos habitantes do nosso maltratado planeta são pobres e mais de 1000 milhões de pessoas convivem diariamente com o fantasma da má nutrição e da morte por fome.
A economia transformou-se numa ciência sem consciência ao serviço dos interesses de muito poucos e contra a grande maioria.
A crise está a ser devastadora, não para os milionários de Wall Street mas sim, e sobretudo, para os mais débeis. os centros de poder financeiro estão a transferir com grande facilidade para a economia real os seus problemas sem que o controlo democrático das instituições públicas o impeça.
Todo o Mundo sabe, queira admiti-lo ou não, que o modelo económico agoniza, mas ninguém sabe o que virá depois, mas o 1º passo já foi dado: a crise actual significou para muitos, inexplicavelmente ainda não para todos, a perda de fé no mercado e na eficácia da mão invisível que por artes mágicas regula a economia como se de um ecossistema perfeito se tratasse.
Se para resolver este problema não redesenharmos o modelo arruinado da civilização consumista manteremos as economia s afuncionar durante algum tempo, até ao cataclismo seguinte, à custa de ter afundado povo no desespero.
Em todo o Mundo a ideia da implementação de uma taxa sobre as transacções financeiras ganha terreno. Trata-se de uma medida justa que poderia gerar milhares de milhões de euros para aliviar a crise entre aqueles que mais sofrem, combater flagelos como a fome no Mundo e fazer frente aos efeitos adversos das alterações climáticas. Uma pequena taxa que significará pouco para instituições financeiras mas que implica poder-se contar com recursos impensáveis até agora para combater alguns dos problemas mais vergonhosos do Mundo.
E de que valor estamos a falar para estes recursos? Num valor arrepiante de, nem mais nem menos, 300 000 milhões de euros anuais adicionais para combater a pobreza. São cada vez mais os defensores desta ideia e cada vez têm mais dificuldade os seus detracores, como a Admnistração do Presidente Obama, para justificar a sua postura.
Ocorrem todos os dias milhões de transacções entre as instituições financeiras. Como já vimos, muitas dessas transacções são directamente prejudiciais para a economia mundial e para o bem-estar geral. Será realmente tão disparatado solicitar esta insignificante taxa? Não deve ser, quanto muitos e notáveis economistas, como os prémios Nóbel Joseph Stigliz e Paul Krugman, o director do Earth Institue, Jeffery Sachs, e mais 1000 economistas de todo o Mundo aderiram a esta petição.
Segundo as estimativas, um imposto de cerca de 0,05% poderia gerar 520 000 milhões de euros. Este imposto poderia ser a alavanca que permitiria resolver a maioria dos grandes problemas do nosso Mundo, e tudo isto sem qualquer custo para os cidadãos comuns, recaindo o peso - muito, muito leve - da medida entre aqueles que mais têm, que mais açambarcam e que são os causadores directos da situação actual.
No entanto, e de momento, as coisas estão a ir numa direcção muito diferente. Além disso, seguindo as regras do FMI e das suas instituições irmãs, foi iniciado internacionalmente um percurso pela austeridade e pela suposta competitividade que trará consigo, e que complica cada vez mais a situação para os cidadãos comuns. Um país anuncia uma descida dos salários e das despesas sociais de 20%, e depois há outro que, para não ficar atrás e, sobretudo, para poder colocar a sua dívida pública no mercados, anuncia que o fará com 30% de redução, e certamente haverá um terceiro que se apresse a implementar medidas ainda mais rigorosas.
Esta política de austeridade não pode criar outra coisa que não um ciclo deflaccionista que agravará a crise e dificultará a recuperação; quando se aperceberem do erro, os Estados já não poderão salvar os bancos à custa de milhões, porque simplesmente já não haverá dinheiro para o fazer.
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