sábado, 8 de dezembro de 2012
Não é esta a Europa que queremos!
"A União Europeia não é uma democracia, que satisfaça qualquer democrata digno desse nome: é, por agora, uma confederação gerida por tecnocratas. esta crença de que é possível tratar da governança económica agora e deixar a democracia para depois é uma irresponsável ilusão. Depois de os países poderosos conseguirem cristalizar o cartel de Estados em que o projecto europeu se tornou, não voltarão a conceder poder, . Nestas situações, deixar a democracia para depois é deixá-la para nunca" Rui Tavares in Público, 5 de Dezembro.
Quem se queixa mais é quem mais tem
""Quem mais vocalmente contesta o que estamos a fazer são aqueles que têm mais", disse Passos Coelho...as palavras de Passos Coelho oferecem um retrato surpreendente. Todos assistimos a manifestaçõesem que um grande número de pessoas contestava vocalmente o que o governo está a fazer. Ficamos agora a saber que aquelas multidões eram constituídaspor aqueles que têm mais. Em retrospectiva, recordo a quantidade enorme de beatas de charuto que cobria o chão após as marchas. Percebo agora a elegância dos manifetsnates todos vestidos de Armani e Chanel. Compreendo finalmente os engarrafamentos provocados pelos protestos: os vocalizadores foram transportados para a manifestação pelos respectivos motoristas...Ali nas ruas a empunhar cartazes a vocalizar palavras de ordem, estavam os banqueiros, os accionistas das concessionáriasdas PP, os grandes empresários. Se esta gente aguenta mais austeridade? Ai aguenta. aguenta - como disse, com conhecimento de causa, um deles . Na altura, não percebi e discordei. Afinal estou de acordo"
Ricardo Araújo Pereira in Visão
ver para crer a polémica declaração do PM: SIC
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Sobre o conflitto israelo-plaestiniano
Li, uma crónica deveras interessante numa Courrier deste ano e decidi partilhar uns excertos aqui.
O autor é Sami Michael, escritor israelista que proferiu estas palavras numa conferência em Haifa.
"Israel é um estado judaico formado há 60 anos após a II Guerra Mundial.
O Estado de Israel é produto da tradição da intervenção judaica.
Quando os pais do sionismo na Europa conseguiram atrair simpatia para a criação de um Estado judeu, utilizaram o argumento de que tal entidade faria avançar por todo o Médio Oriente uma onda de cultura europeia. Esta abordagem ganhou raízes na consciência israelita e, até hoje, a Europa é meca espiritual para uma boa parte da intelectualidade israelita, especialmente para os escritores considerados formadores da opinião pública. A meu ver, este é um dos profundos conflitos intrínsecos à ideia sionista.
A ideologia sionista emergiu no contexto do antissemitismo europeu, embora os pais do sionismo se tenham oferecido para servir de agentes da cultura que alimentara o ódio aos judeus. Parece que os seus defensores consideram que séculos de antissemitismo, a expulsão da Espanha quatrocentista e as atrocidades da Alemanha nazi ocorreram noutro planeta, numa era imaginária.
Como resultado de uma autolavagem do cérebro, a Europa permanece na mente d emuitos israelitas como um farol e uma fonte de inspiração para uma sociedade esclarecida.
Aos nossos olhos e aos dos nossos simpatizantes na Europa, reconhecemo-nos orgulhosamente como praça-forte da cultura europeia num mundo atrasado e hostil.
Não me parece que, granjeando a simpatia com a cultura europeia, tenhamos atraído a admiração da Europa, mas o certo é que acirrámos o ódio dos povos árabes, como agentes ao serviço de um inimigo perigoso e como perpetuadores da ocupação por esse mesmo inimigo [...]O estado de Israel desde o dia da sua criação, demonstrou até que ponto a desconfiança dos árabes tinha fundamento e era lógica, a começar pela identificação de Israel na década de 1950 com os crimes dos franceses na Argélia, passando pela participação israelita nas operações da Grã- Bretanha e França em 1956 contra o Egipto por causa da nacionalização do canal do Suez a terminar no nosso entusiasmo pela conquista do Iraque pelos EUA, para não falar na ocupação e colonização da faixa de Gaza e Cisjordânia."
Aulas de Japonês
"Quem aprende uma língua nova, ganha uma nova alma"
Decidi aprender japonês há umas semanas, e
fiquei a saber que a palavra Japão em japonês diz-se Nihon, a palavra
ocidentalizada deste país ficou Japan em inglês ou Japão em português
devido a um episódio caricato das aventuras marítimas portuguesas por
essas áreas, depois de tanto navegar os navegantes portugueses chegam
exaustos ao Japão e perguntam cansados: "já há pão???!"...e assim ficou
Japão!
E mais,a palavra japonesa para pão é um estrangeirismo, de seu nome pan, do português pão.
sábado, 24 de novembro de 2012
Risada!
"Quem ganha menos de 500 euros não tem vontade nenhuma de ir trabalhar"
Alexandre Soarea dos Santos, presidente da Jerónimo mArtins, in Jornal de Negócios
Alexandre Soarea dos Santos, presidente da Jerónimo mArtins, in Jornal de Negócios
os carros dos srs ministros
O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, justificou no seu facebook, a troca de viaturas dizendo que quem quer "uma democracia sem custos, o que deseja não é uma democracia"
Porque é que os cortes nos carros só são populismo em Portugal?
"Em Inglaterra, o Governo retirou os carros e os motoristas à disposição dos ministros por causa da crise. Em França, o Presidente da República passou a anadar num Citroen híbrido para poupar. Em Portugal, om líder parlamentar do PS fez o favor de trocar um BMW Série 5 velho por um Audi A5 novo. Pequena nota de contexto: o Audi A5 de Cralos Zorrinho está à venda no mercado, na sua verão original amis básica, por 42 350 euros; o Citroen híbrido de François Hollande está disponível a partir de 32 229 euros. Conclusão: o presidente da república francesa consegue ser um político auto-mobilizado gastando menos de 10 mil euros do que um deputado português. Isto só pode ser populismo." Gonçalo Bordalo Pinheiro in Perguntas da Semana, da revista Sábado nr 442
Porque é que os cortes nos carros só são populismo em Portugal?
"Em Inglaterra, o Governo retirou os carros e os motoristas à disposição dos ministros por causa da crise. Em França, o Presidente da República passou a anadar num Citroen híbrido para poupar. Em Portugal, om líder parlamentar do PS fez o favor de trocar um BMW Série 5 velho por um Audi A5 novo. Pequena nota de contexto: o Audi A5 de Cralos Zorrinho está à venda no mercado, na sua verão original amis básica, por 42 350 euros; o Citroen híbrido de François Hollande está disponível a partir de 32 229 euros. Conclusão: o presidente da república francesa consegue ser um político auto-mobilizado gastando menos de 10 mil euros do que um deputado português. Isto só pode ser populismo." Gonçalo Bordalo Pinheiro in Perguntas da Semana, da revista Sábado nr 442
Que futuro?
"O mundo vai mal. Mesmo -ou sobretudo - em matéria ambiental. O clima, os tufões, as calamidades, como os terramotos, a lixeira dos oceanos, o aquecimento da terra...As Cimeiras Ambientais não tomam medidas, por razões políticas e económicas, e os ambientalistas tendem a clar-se, porque não são ouvidos.
A globalização desregulada, a economia virtual, os negócios usurários, baseados nos paraísos fiscais, os mercados especulativos, que tendem a dominar os Estados soberanos, estão a pôr em causa as democracias europeias e não só. A ONU, na qual, no pós-guerra, se depositram tantas esperanças, não tem coragem d eintervir quando é necessário (vide o caso escandaloso da ditadura síria e tantos outros).
As grandes potências começam a sentir as dificuldades do capitalismo de casino.
O universo árabe, que parecia ter entrado numa «primavera democrática», afinal está submerso em guerras religiosas que pdoem tornar-se graves...Para além do conflito Palestina-Israel que tem por perto o Irão, que espreita uma oprtunidade.
A União Europeia, que há tr~es anos parecia ser um farol de progresso e um modelo para o mundo, entrou em descrédito, com as suas instituições apáticas e paralisadas.
Começou com a crise grega, seguiram-se a irlandesa, a portuguesa e a cipriota, agora a espanhola e a italiana, depois talvez a francsea. resta a Alemanha, da chanceler Merkel, que corre de um país para o outro sem saber o que fazer. Só em agosto, mês de férias, foi duas vezes à China...
Portugal infelizmente, também vai mal. O governo neoliberal, mais papista do que a troika, tem imposto meidas de austeridade devastadoras para a população com a intenção de diminuir o défice. mas mais de um ano depois, a situação ficou muito pior do que estava. A recessão aumentou, com a falência de empresaso país empobreceu, o desemprego cresceu devastadoramente e, ao contrário don esperado, a previsão do défice de 2012 até aumentou dos 4,5% para os 5,8% ou os 9,5% do PIB segundo dizem os jornais.
Além disso, o primeiro-ministro parece muito contente com a ação ou inanação do Governo...para o ano vai estar ainda melhor, disse.
Vai haver privatizações - graves como disse, e bem, a ministra da Justiça - dos Correios e Telégrafos, TAP, Estaleiros de Viana, Águas de Portugal, etc. medidas a retalho, não se sabe quem a spaga e por quanto.
[..] Pobre país, dirão os portugueses mais atentos. o futuro que se lhes apresenta não será nada brilhante. É preciso, portanto, que os portugueses tomem consciência disso e ajam em conformidade. Já que não podemos mudar o Mundo, nem sequer a Europa sejamos ao menos capazes de mudar Portugal".
Mário Soares in Visão nr 1028
A globalização desregulada, a economia virtual, os negócios usurários, baseados nos paraísos fiscais, os mercados especulativos, que tendem a dominar os Estados soberanos, estão a pôr em causa as democracias europeias e não só. A ONU, na qual, no pós-guerra, se depositram tantas esperanças, não tem coragem d eintervir quando é necessário (vide o caso escandaloso da ditadura síria e tantos outros).
As grandes potências começam a sentir as dificuldades do capitalismo de casino.
O universo árabe, que parecia ter entrado numa «primavera democrática», afinal está submerso em guerras religiosas que pdoem tornar-se graves...Para além do conflito Palestina-Israel que tem por perto o Irão, que espreita uma oprtunidade.
A União Europeia, que há tr~es anos parecia ser um farol de progresso e um modelo para o mundo, entrou em descrédito, com as suas instituições apáticas e paralisadas.
Começou com a crise grega, seguiram-se a irlandesa, a portuguesa e a cipriota, agora a espanhola e a italiana, depois talvez a francsea. resta a Alemanha, da chanceler Merkel, que corre de um país para o outro sem saber o que fazer. Só em agosto, mês de férias, foi duas vezes à China...
Portugal infelizmente, também vai mal. O governo neoliberal, mais papista do que a troika, tem imposto meidas de austeridade devastadoras para a população com a intenção de diminuir o défice. mas mais de um ano depois, a situação ficou muito pior do que estava. A recessão aumentou, com a falência de empresaso país empobreceu, o desemprego cresceu devastadoramente e, ao contrário don esperado, a previsão do défice de 2012 até aumentou dos 4,5% para os 5,8% ou os 9,5% do PIB segundo dizem os jornais.
Além disso, o primeiro-ministro parece muito contente com a ação ou inanação do Governo...para o ano vai estar ainda melhor, disse.
Vai haver privatizações - graves como disse, e bem, a ministra da Justiça - dos Correios e Telégrafos, TAP, Estaleiros de Viana, Águas de Portugal, etc. medidas a retalho, não se sabe quem a spaga e por quanto.
[..] Pobre país, dirão os portugueses mais atentos. o futuro que se lhes apresenta não será nada brilhante. É preciso, portanto, que os portugueses tomem consciência disso e ajam em conformidade. Já que não podemos mudar o Mundo, nem sequer a Europa sejamos ao menos capazes de mudar Portugal".
Mário Soares in Visão nr 1028
Esmagados pelos Juros
"Em 2013 os encargos com a dívida pública vão ascender a 8,6 mil milhões de euros, sem eles, Portugal não teria défice. O montante de juros é superior aos custos de todo o serviço Nacional de saúde e gastos com a educação. Se os juros da dívida fossem reduzidos a metade, estariam encontrados os 4 mil milhões de euros que o governo quer cortar na despesa.
No entanto, com a ajuda do FMI e instituições europeias (Comissão Europeia e BCE), uma coisa é certa: esta solidarieade rende: "em 2012 se retirássemos os juros não haveria défice", diz Bagão Félix
"O velho fantasma de não termos dinheiro para pagar salários não existe, porque o orçamento está equilibrado. O que nos desequilibra neste momento são os juros" diz José Reis, economista.
(lido numa Visão de Novembro)
"Passos e Portas governam , sem qualquer remorso, contra quem trabalha e descontou décadas a fio. Tudo isto porquê e para quê? Para pahgar os juros de uma dívida que o povo português não é responsável. De estádios de futebol do Euro que Cavaco aprovou, dos submarinos do Portas, das PPPs do Sócrates, dos milhões do Alberto João Jardim, do roubo do século do BPN (só aqui mais 5 000 milhões de euros), etc. Só a mobilização de rua pode travar a troika e a direita, exigir a suspensão do pagamento da dívida. Sem esta suspensão não haverá recursos paar dinamizar a agónica economia portuguesa e recuperar centenas de milhares de empregos destruídos". MAS (Movimento Alternativa Socialista)
DESEMPREGO
Antes da troika: 12%
Agora: 16%
DÍVIDA PÚBLICA
Antes da troika: 101% do PIB
Agora: 116% do PIB
DÉFICE
Objectivo para 2012: 4,5%
Défice Alcançado: 6,9%
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O que é a Alemanha?
Esteve cá a Sra Merkel [...] Recordo, a propósito, um livro que volta a ter hoje o maior interesse. Trata-se da Correspondência de um Diplomata [português] no III Reich. Veiga Simões: ministro acreditado de Berlim, de 1933 a 1940, da autoria de Lina Alves Madeira (ed. Mar da Palavra]. O livro de cerca de 40 telegramas diplomáticos enviados para Lisboa pelo nosso embaixador em Berlim, Alberto da Veiga Simões, que ali chegou em Setembro de 1933- ano da nomeação de Hitler como chanceler - e onde se manteve até ao início da II Guerra Mundial. Pode dizer-se que ele - um republicano liberal - foi o nosso embaixador em Berlim nos oito anos e meio de paz, que o nazismo apesar de tudo manteve, sendo substituído por um «germanófilo» no início dos seis anos de guerra impostos pela demência de Hitler.
Para quem conheça a ideologia nazi, esta correspondência não traz novidades no plano das ideias; mas trá-las, e muitas, no campo dos factos políticos, económicos e sociais, bem como no aspecto do discurso oficial do Poder Nacional-Socialista. Mostrando, em Berlim, os seus notáveis dotes diplomáticos, Veiga Simões nunca escondeu, nos seus telegramas, as críticas que lhe merecia o novo regime político implantado na Alemanha pelo Partido único, dito «Nacional Socialista».
Recomendo aos meus leitores, vivamente, que consultem este livro, e meditem bem nele. Talvez não fiquem surpreendidos pela brutalidade dos métodos nazis, de que já por certo ouviram falar. Por certo se lembrarão dos grandes objectivos políticos de Hitler: nacionalismo ariano; o racismo (antijudaico, mas também antieslavo, e por isso antiploaco), a reinvidicação de um maior «espaço vital» para o povo alemão, quer na Europa, quer nas antigas colónias africanas, quer ainda no «fantástico celeiro» da Ucrânia; e, por último, mas não em último lugar, a ambição hegemónica sobre toda a Europa e contra a Rússia comunista.
Tudo isto estava já anunciado no Mein Kampf desde 1925-27. Mas há um aspecto menos conhecido: à esperança suscitada em muitos setores do povo alemão (sobretudo entre os desempregados) pela subida ao Poder do grande orador que era Hitler, seguiu-se um primeiro período de quatro anos (1933-37) de «políticas de austeridade», que os alemães aceitaram bem, por espírito patriótico; mas quando, em setembro de 1937, no congresso partidário anual de Nuremberga, Hitler anunciou «mais quatro anos de austeridade», todo o regime entrou em crise, porque começou rapidamente a perder apoio popular. Assim, a guerra iniciada em 1939 não foi só a consequência lógica de expansionismo germânico: foi também a opção oportuna pelo instrumento clássico de salvação dos regimes em queda livre, que é a guerra contra os inimigos exteriores à Pátria e, por isso, a necessidade de uma forte unidade nacional.
A este propósito, são notáveis os telegramas de 14-9-1936, de 25-4-1937 e de 22-10-1937, onde o nosso embaixador tudo informa, tudo explica, e chega a prever (no último texto), com dois anos de antecedência (!), que Hitler desencadeará (!), uma guerra.
Ouçamos algumas das suas lúcidas palavras, um ano antes de mentira de Munique (30-9-1938):
«O estado Alemão, não pode ter por finalidade o cada vez maior sacrifício da população dentro (das) fronteiras, arranca-lhe sacrifícios na mira de uma acção para além delas. E, no estado atual da Europa, essa acção só pode ter por instrumento- a guerra (...). A guerra ofensiva.».
Para que a Alemanha «dê leis ao mundo, se não mesmo para que se 'civilize' o mundo, à sua imagem e semelhança.»
E lucidamente, remata:
«para civilizar o mundo (o Império) irá ocupar mercados que sejam verdadeiras colónias, aliados que sejam verdadeiros servos«(pp. 154-155).
Seria este embaixador português apenas um grande talento, que captou aquele momento singular, ou um autêntico génio, que percebeu como poucos a intemporalidade do Deutschland übber alles?"
Diogo Freitas do Amaral na crónica de opinião "O que é a Alemanha?" in Visão nr 1028
É assustador, como o que aconteceu antes da 2ª Guerra Mundial em termos económicos parece estar a acontecer de novo! E a História ensina-nos que a dívida e o desemprego carregam o fim dos regimes democráticos, depois a fome, e finalmente a Guerra!
"A Alemanha esqueceu as lições dos anos de 1930, quando a obsessão pelo equilíbrio orçamental agravou a depressão que os conduziria, por fim, à Guerra. Dá sermões aos vizinhos, pede-lhes que a imitem mas Merkel esquece que os seus excedentes são os défices dos outros"
Joseph Stiglitz, laureado com o Nóbel da Economia em 2001, vice-presidente e economista-chefe do Banco Mundial, autor de livros como "O triunfo da Ganância", "A Grande Desilusão", "Um outro Mundo" ou "O preço da Desigualdade".
Recentemente disse numa entrevista relativa à crise que "a austeridade é o suicídio da Europa".
"A rainha das dívidas do século XX foi, afinal, a Alemanha. Esteve insolvente pelo menos três vezes", garantiu o historiador Albert Ritschl ao jornal alemão Der Spiegel. O milagre alemão deve-se, sustenta ele, às generosas injecções de capital norte-americano, ao perdão das dívidas astronómicas e ao facto de o país não ter pago os custos da guerra, deixando-os para os países vítimas de ocupação". [li numa Visão de Novembro]
Da Alemanha partiram as três Guerras Mundiais (I, II e Guerra Fria) que acabaram na divisão da Europa por 4 décadas. Como foi possível a um país, que nas primeiras décadas era o mais produtivo e vanguardista nas ciências e nas artes, na técnica , na filosofia e nas letras, cair, democraticamente , na mais abjecta das barbáries?
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sobre a austeridade:
o suicídio colectivo da austeridade
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terça-feira, 20 de novembro de 2012
Vidas alemãs e vidas portuguesas
Vidas Alemãs: Helga ganha 2800 euros por mês e quer vir de férias a Portugal
Helga tem 37 anos e uma filha de 7, vive em Berlim, trabalha como assietnte social cerca de 35 horas por semana (a média nacional). Esta personagem de ficção tem um salário de 2800 euros e o marido de 3500 euros (os salários médios de mulheres e homens na Alemanha). Pagam 650 euros de renda por um T2. E não prescinde do ginásio, que fica por 160 euros aos dois. Na hora de entregar a declaração fiscal conjunta, o casal paga uma taxa de IRS de 42% (rendimentos anuais acima de 52882 euros), mais uma taxa de solidariedade de 5,5%. Por mês, cada um desconta 14,9% para terem acesso ao sistema de saúde público. Se Helga tivesse dado ouvidos à tradição alemã, depois de a filha ter nascido devia ter deixado o emprego e passado a ser mãe a tempo inteiro. De acordo com a proposta do Governo de Merkel (que não tem filhos), a partir de 2013 será concedido aos pais um subsídio especial para manter as crianças em casa com a mãe até aos 3 anos. Se optar por ser mãe de novo, de acordo com a nova lei de protecção parental em vigor desde 2007, terá direito a 14 semanas de licença pagas a 100%, com opção de estender esse período por mais 14 meses (dois gozados pelo pai) por 67% do ordenado, até um limite de 1800 euros. Um cenário que teme é o desemprego. Num país onde existem 2,7 milhões de desempregados inscritos nos centros de emprego, o que corresponde a uma taxa de dedesempregados inscritos nos centros de emprego, o que corresponde a uma taxa de desemprego de 6,5% se ficar sem trabalho receberá 67% do seu salário bruto (até um máximo de 2964 euros em 2012) durante um período equivalente a metade do tempo que fez descontos. A Portugal gostava de vir, passar férias com a família e conhecer as praias do Algarve.
Fontes: Eurostat, Destatis -German Federal Statistical Office
Vidas Portuguesas: Maria ganha 989 euros e quer emigrar para a a Alemanha
Maria tem pela frente um enorme aumento de impostos. É casada, dois filhos pequenos. Não tem a vida desafogada com que sonhou, mas o dinheiros chega para os bens essenciais.
Para 2013, a palavra de ordem é "popança máxima". Uma história portuguesa em que apenas as personagens são de ficção. Trabalha num escritório de contabilidade em Lisboa (mais do que as as 40 horas semanais estipuladas) e todos os meses recebe 968 euros, salário médio feminino em Portugal: chega para pagar o empréstimo da casa ao banco (650 euros graças à baixa dos juros). Leva almoço de casa para o trabalho. O marido é informático e, tal como a maioria dos homens, ganha mais do que a mulher: 1500 euros . Em conjunto, o orçamento familiar fica equilibrado, mas atira o casal para um escalão de IRS mais elevado em 2013 e para um ataxa de de 37% (rendimentos anuais entre 20 e 40 mil euros). Pelo contrário, as despesas com a casa, saúde e educação dos filhos valerão menos, podendo o casal deduzir até um limite de 1200 euros (mais 10% por cada filho). No escritório de contabilidade correm rumores de despedimentos. O sonho de voltar a ser mãe está posto de parte. Dos dois filhos (em 2008 e 2011) optou por uma licença de maternidade de 150 dias com 80% de vencimento bruto. Esteve em casa os primeiros cinco meses de vida de cada um, que depois ficaram na creche para a mãe voltar ao trabalho. Com o inverno à porta, Maria está já a poupar para as idas ao médico: 20 euros por cada urgência, mais 5 pelas consultas no centro de saúde. Emigrar para a Alemanha? Sim, já lhe passou pela cabeça.
Fontes: Boletim Estatístico de julho de 2012 do Ministério da Solidariedade e Segurança Social, Portal de Finanças, IEFP.
(retirado do Jornalde Notícias de 12-11-2012)
Por fim, finalizo com o video português sobre a crise e o projecto europeu que a Alemanha censurou (censura no século XXI!) no entanto, numa Era da informação, ignorância é uma escolha que se faz, e os alemães lá sabem o que querem decidir:
Alemanha e a Europa dos contrastes
O que é a Alemanha?
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