domingo, 24 de março de 2013

A hora do planeta


-Hoje assinala-se a hora do planeta.
-A hora do planeta?
-Sim, é uma iniciativa que consiste em desligar as luzes durante 60 minutos, numa tomada de posição contra as mudanças climáticas.
-E depois?
-Então, depois volta-se a ligar as luzes e continua-se a mudar o clima.

Crise no Chipre



"O episódio do Chipre só parece estar a acrescentar desorientação a uma realidade europeia marcada pelas forças de desagregação[...]
A primeira questão que se coloca é simples: por que é que os bancos não podem ir à falência? se todos os negócios podem correr mal, porque é que se criou a convicção que o negócio dos bancos nunca pode correr mal?porque é que se fala de "perigo sistémico", ou de acrónimo TBTF - too big to fail - e se esquece o peso que implica para os contribuintes salvarem os bancos mal geridos (ou criminosos como bem conhecemos?), a segunda questão também é simples: por que motivo hão-de os contribuintes europeus, incluindo os portugueses, suportar os custos de um baillout a bancos que eram lavandarias de dinheiro sujo? por que motivo hão-de sacrificar os contribuintes que pagam 28% de imposto sobre juros dos seus depósitos (como pagam os portugueses) para salvar dinheiro de depositantes (como sucede no Chipre) que estão isentos de impostos?" Manuel Fernandes in Publico 22 de Março

A escumalha
Por:Francisco Moita Flores, Professor Universitário in CM Jornal
"Nunca acreditei muito nos especialistas que gerem países, regiões, imensas comunidades, como é o caso da União Europeia, transformando as pessoas em números secos, em percentagens impessoais, num jogo lógico de descidas e subidas, manipulado num qualquer computador, sem alma, sem dimensão humana, sem uma emoção.
Os homens são antes do mais a expressão da sua própria emoção. Dos seus afetos, dos sonhos, das expectativas em relação à sua vida e dos seus filhos. Somos lágrimas, sorrisos, prantos, abraços. A racionalidade organizada é adquirida, emerge desta dimensão afetiva mas constrói-se com o crescimento, com a escola, com a aprendizagem. Não existe computador nem máquina de calcular que apreenda esta complexidade maior e densa que estrutura a nossa existência.
Aquilo que se passou no Chipre com o confisco parcial das contas bancárias dos cipriotas, medida decidida pela troika, cobardemente aceite pelo governo, corajosamente repelida pelo parlamento daquele país, expressa bem a noção que estes tecnocratas têm das pessoas. Não existimos. Somos números. Números fiscais, números de contribuintes, números de contas bancárias, números de identificação. Não somos mais do que escumalha para estes novos ditadores que arruínam povos, velhos e novos, e ignoram a vida, as dificuldades para que se construa, a maioria das vezes com muito sofrimento. O congelamento a eito das contas bancárias no Chipre foi a primeira experiência. Não tenho dúvidas de que vai ter a segunda e a terceira tentativas até conseguirem esmifrar o pouco que resta das economias familiares. Para engordar a imensa riqueza dos mais poderosos. Nem me espantou a desilusão do ministro das Finanças alemão. O saque dos países mais pobres chegou a uma ausência de escrúpulos que até os sistemas bancários do sul da Europa são descredibilizados. Nem os eternos aliados se salvam.
Não somos mais do que números, servos de sistemas que engordam até à explosão dos próprios ventres prenhes de números. Pelo caminho que a demência predatória desta gente está a trilhar, não admira a revolta. Esses tecnocratas que só conhecem os números não sabem até onde vão as paixões dos homens. Talvez se lixem."



União Europeia morreu em Chipre
"Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida. A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intelectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos. Em 2013, 500 milhões de europeus foram testemunhas, ao vivo e a cores, de um ataque relâmpago ao Chipre. Todos vimos um povo sob uma chantagem, violando os mais básicos princípios da segurança jurídica e do estado de direito. Vimos como o governo Merkel obrigou os cipriotas a escolher, usando a pistola do BCE, entre o fuzilamento ou a morte lenta. Nos governos europeus ninguém teve um só gesto de reprovação. A Europa é hoje governada por Quislings e Pétains. A ideia da União Europeia morreu em Chipre. As ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente." Viriato Soromenho Marques

segunda-feira, 18 de março de 2013

Quem me dera...

Só vou estar em paz comigo mesmo no dia em que emigrar daqui para fora com um bilhete só de ida e sem retorno, no dia em que deixar toda esta vida, todas estas memórias e todas estas pessoas para trás. Quem me dera que esse dia já tivesse chegado!

sábado, 16 de março de 2013

E ainda tem dúvidas se deves ou não emigrar?




Nem li a notícia, bastou-me ver a primeira capa do DN de hoje:
"Gaspar anuncia futuro negro: "ajustamento terá de continuar durante décadas e exige o esforço de uma geração".
"Portugal com o anterior governo duplicou a sua dívida pública. Em apenas seis anos. Agora dizem que precisamos de 20 a 25 anos para fazer regressar essa dívida aos valores que tínhamos antes do desvario. É austeridade para uma geração, e estou a ser optimista" José Manuel Fernandes in Público de 22 de Março

Décadas de austeridade, miséria, desemprego? O esforço de uma geração? ou mais...
Já sabes o que te espera se ficares aqui jovem, se trabalhares vais ser um escravo da dívida para pagar juros exorbitantes de uma dívida contraída por uma geração anterior à tua (não muito anterior atenção, só tenhamos em mente que durante a ditadura de Salazar Portugal não tinha dívida externa (eu sou de esquerda e abomino o Salaazar, não vem que não tem), só para dizer com isto que é bem capaz de ter sido a geração dos pais dos jovens que deu cabo do país, e com consciência que as obras inúteis e gastos faraónicos "seriam pagos no futuro...". Bela herança: dívida e juros.
Eu quero e vou emigrar porque quero, não gosto de Portugal, nunca gostei, nunca me senti que pertencesse a este colectivo de pessoas letárgicas, não gosto da comida (sou vegetariana), passo bem sem este Sol (e há muitos países para aí com Sol) o que que quero é um futuro decente, cheio de aventura, um futuro fora daqui. E recomendo vivamente aos jovens que se aventurem e emigrem...pode até correr mal, não será um mar de rosas, mas ao menos arriscaram, experimentaram, viveram. O meu pai sempre se lamuriou de não ter conseguido ter emigrado por causa das raízes...as raízes são empecilhos dos sonhos, e eu não quero acabar como uma pessoa chata de meia idade a lamuriar-se "se fosse mais novo eu é que não ficava aqui!". Obrigado a todos, nunca (mas NUNCA) me fizeram acreditar que tinha futuro neste país, ficar aqui nunca foi opção, espero terminar o curso e ir de vez sozinha pelo desconhecido, sem medos. Tenho pena, tristeza, mágoa, raiva do que aconteceu aqui mas mais mágoa e tristeza tenho de NUNCA NUNCA ter acreditado que este era o país onde iria viver, mas sim o país do qual tinha de me ver livre.
É triste um país outrora tão glorioso ser reduzido a isto...mas que dirão os gregos? O expoente máximo da civilização ocidental humilhado? 
Jovem, a única coisa que digo é emigra...ou paga!
Ou então recusem-se a pagar e façam uma revolução...mas isso será pedir muito, não?   

P.S: Já agora, acima tudo que emigravam mas é os tansos que só votam PS, PSD, CDS...se calhar cada povo tem o que merece e este povo parece que gosta de ser enterrado por estes coveiros.

porque quero emigrar
Emigração: o último a sair que apague a luz


.......

"Em Portugal os custos directos e indirectos de cada suicídio ascendem aos 300 mil euros...os custos económicos distinguem-se os directos (que incluem despesas dos serviços de saúde e de emergência, ou os funerais, por exemplo) e os indirectos (associados a perda de riqueza"- "suicídio significa que os indivíduos perdem a oportunidade de contribuir para a economia")".

in  Publico de 14/3/2013

Mas que raio de país é este afinal? Não se pode trabalhar, não se pode sobreviver, não se pode viver...e nem se pode morrer?

Andámos a viver aquém das nossas possibilidades

Excelente texto de Rui Tavares, no Jornal Público de 25 de Fevereiro:

"Temos andado a viver claramente aquém das nossas possibilidades democráticas. A nossa democracia vive muito aquém das suas possibilidades políticas- ou seja, das possibilidades de nos dar novos possíveis.
Quiseram convencer-nos de que o nosso grande problema foi termos andado vários anos a viver além - acima, para lá- das nossas possibilidades. É mentira, raios! Foi precisamente o contrário que aconteceu: andámos anos e anos a viver aquém das nossas possibilidades enquanto portugueses, enquanto europeus e enquanto cidadãos. Fomos governados abaixo das possibilidades de transparência, de justiça e de progresso. Abaixo das necessidades, é certo. Abaixo do que seria desejável, e é da vida. Abaixo do que merecíamos, presumimos nós. mas o grande problema é que foi abaixo - aquém -das nossas possibilidades. Isso é verdadeiramente trágico.
O nosso debate público está aquém das suas possibilidades de informação, de esclarecimento e de abertura. A nossa justiça está aquém das suas possibilidades, a nossa economia aquém das suas possibilidades, os nossos políticos a muito aquém das suas possibilidades.
Por isso há jovens e adultos que todos os dias pensam se devem abandonar o país -recusam conformar-se a uma vida vivida sempre aquém das suas possibilidades. Por isso há tanta gente que ama este país e teme não conseguir aguentá-lo.
A democracia, a inteligência e a vida dão-nos mais que isto. É preciso começar a viver de acordo com essas possibilidades. Elevar o grau de exigência sobre a nossa política, trazer uma reforçada cultura cívica para o debate público está nas nossas possibilidades. Iniciar a democracia europeia e reiniciar a democracia portuguesa está nas nossas possibilidades. Está nas nossas possibilidades, acima de tudo, fazer o correcto diagonóstico do que nos está acontecer - sem o qual nunca recuperaremos. Isto já não é uma crise. Isto é uma depressão, ou seja- nas pessoas como nas nações e nas economias -, uma permanente vida mal vivida, prolongadamente aquém das possibilidades que a vida tem. Nós podemos melhor do que isto."

IV Reich



"No I Forum Portugal-Alemanha são reveladas as linhas de força seguidas pelo Governno de Merkel para a construcção de uma Europa que só terá possibilidades de sobreviver sob a batuta da disciplina alemã[...]
A política de Berlim tem sido a criação de fundos de resgate que são apresentados como acto de generosidade de Berlim e aliados, quando na verdade visam proteger os interesses das exportações alemãs, tendo os países resgatados de aceitar medidas duríssímas, sem discussão democrática para obterem esse auxílio. A Olímpica ausência de referência às instituições europeias, mostra que a Alemanha está contente com uma Europa exclusivamente intergovernamental, em que ela manda e os outros obedecem[...]O factor chantagem e do terror sobre os mercados parte da estratégia da hegemonia de Merkel, retirando os prisioneiros da água a um segundo antes do afogamento, tem lesado dezenas de milhões de vida na periferia da Europa[..]240 mil portugueses (2% da população) saíram de Portugal em busca de trabalho, em dois anos, 200 mil empregos foram destruídos em 18 meses, o PIB caiu 3% em 2012, e vai cair mais 2,4% em 2013, com mais 80 mil postos de trabalho destruídos. As empresas públicas rentáveis (EDP, ANA, TAP, CP, CTT) estão a ser vendidas. Em 2014 a viabilidade do país estará ameaçada pelo aumento exponencial da pobreza, da desigualdade e do niilismo. Mesmo como província de uma Europa Alemã, Portugal não teria futuro. Num século, a Europa já se curou duas vezes dessa febre recorrente da hegemonia germânica. Nada indica que não o faça outra vez, com o inevitável mar de escombros."

por Soromenho Marques, in Radar Ensaio, revista Visão

FANTASMAS

"Na entrevista que deu domingo a este jornal, Belmiro de Azevedo contou uma história interessante. Um dia, Helmut Schmidt, quando era ainda (suponho) chanceler da Alemanha, resolveu deixar as coisas claras: "Vocês...", disse ele, "não andam depressa...Não tenham dúvidas de que o nazismo na Alemanha está em hibernação." E acrescentou que a Alemanha precisava de ser integrada na Europa custasse o que custasse. de que "nazismo", falava Schmidt? Não com certeza do "nazismo" de Hitler, com um estado policial e o plano de conquistar a Europa, incluindo a Rússia, pela guerra e exterminação. Ele sabia com certeza que a Alemanha, sem a força económica e o poder militar de 1939, não iria longe contra  oposição conjunta da América e da URSS e também da Inglaterra (com um exército de Reno) e da França, que De Gaulle armara com um arsenal nuclear.
E, no entanto, custa a admitir que o Schmidt falasse por falar ou só para impressionar Belmiro de Azevedo, que nunca ninguém tomou como um homem muito impressionável. De resto, a semana passada, Jean Claude Juncker, uma das grandes personagens de Bruxelas e antigo presidente do Eurogrupo, avisou o mundo que a situação actual é "arrepiantemente" parecida com a de 1913 e que quem julgar "que a eterna paz na Europa já não é um risco" se engana "redondamente". E o próprio chefe do grupo parlamentar SPD (Partido socialista da Alemanha), Bernhard Rapkay, se indigna quando vê cartazes com a sra Merkel de uniforme nazi. Ainda mais revelador, em Portugal, Rui Rio achou conveniente prevenir que há "fantasmas" que dormem e e recomendou as maiores "cautelas".

Que significa isto? Significa que desde o fim do século XIX existiram duas correntes no imperialismo alemão: uma, donde veio o nazismo, que favorecia a construção de um império clássico fundado na força; outra que preferia um império económico, que a Alemanha regeria através de estados clientes, embora aqui e ali com uma ocasional intervenção armada. A primeira hipótese acabou com a hegemonia absoluta da América, da Rússia e, agora, da China. A segunda, dentro de certos limite, continua a ser em 2013 uma possibilidade na Europa e os sinais não são confortadores. Basta pensar na Grécia, na Irlanda, em Portugal e no papel do Sr. Monti em Itália. E, sobretudo, na deslocação da política externa de Barack Obama da Europa para a Ásia e no desinteresse (temporário?) de Putin pelo ocidente. Que sucederá aos 27 sem a tutela dos "grandes"?"

Vasco Pulido Valente in Publico 15/Março/2013

A SOLUÇÃO ALEMÃ, POIS CLARO !

"Sabia que a Alemanha já teve uma dívida tão grande quanto a da Grécia?
Ao fim de mais uma avaliação da aplicação do memorando da Troika estamos piores em todos os aspetos e as previsões para o futuro são ainda mais assustadoras. Tivemos um ano de 2012 terrível - 25 falências por dia/17 desempregados por hora; taxa de desemprego média de 15,7%; queda do PIB de 3,2%; dívida aumentou, só em 2012, 51 milhões de euros por dia quebrando a fasquia dos 200 mil milhões de euros - atingiu 203,4 mil milhões, isto é, 122,5% do PIB.
Tudo a pior e ao contrário dos objetivos do Memorando de Entendimento.
Para 2013 as previsões, para além da dura realidade do maior aumento de impostos, são ainda piores.
O Ministro das Finanças prevê que o PIB vai voltar a cair 2,3% e que o desemprego vai aumentar para 19%. Foi negociado que as indemnizações por despedimento passam para 12 dias para os novos contratos. E os cortes de 4 mil milhões de euros nas despesas sociais do Estado ainda não foram concretizados...
E a grande novidade - vamos poder fazer tudo isto com um pouco de mais tempo - mais um ano!
Entretanto surge uma nova modalidade de assalto com a tentativa de criação duma taxa sobre depósitos no Chipre, inicialmente prevista para todos, mas agora parece que apenas para os depósitos de mais de 100 mil euros, mandando ao ar a confiança no sistema bancário europeu.
Com os planos de austeridade mais ou menos prolongados ou com as novas modalidades de assalto, o que é facto é que o remédio prescrito só tem agravado a doença e impedido a cura!
Mas existe cura para os problemas das dívidas com outro tratamento.
Sabia que a Alemanha já teve uma dívida tão grande quanto a da Grécia?
Sabia que essa dívida a cerca de 70 Países, contraída pela Alemanha em parte antes e em parte depois da guerra, atingia mais de 30 mil milhões de marcos?
Sabia que foi encontrada uma solução positiva para a questão dessa dívida no Acordo de Londres de 1953?
Esse Acordo adotou 3 princípios fundamentais:
- Perdão/redução substancial da dívida;
- Reescalonamento do prazo da dívida para um prazo longo;
- Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.
O pagamento devido em cada ano não podia exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afetos ao serviço da dívida não poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas variando entre 0 e 5%.
Este acordo foi o pilar do chamado "milagre económico" alemão. Metade das suas dívidas foram perdoadas e como as prestações estavam condicionadas ao valor das exportações, era de todo o interesse dos credores comprarem mercadoria alemã. E assim se reergueu a Alemanha que ainda por cima teve nova ajuda europeia na fase da reunificação...
Porque não seguir, com as devidas adaptações, este exemplo de sucesso na solução da crise de endividamento dos Países que o fizeram por orientação da Comissão Europeia e de Durão Barroso como resposta à crise do subprime de 2007/2008 oriunda dos EUA e que consistiu em apelar aos Estados para se endividarem ou para "auxiliarem" a Banca ou para investirem em outras atividades?
Este exemplo de sucesso caíu no esquecimento dos líderes alemães. Dizem eles que não se podem comparar as situações. E têm razão! Não se pode comparar o endividamento dum País que pôs a Europa a "ferro e fogo" numa ânsia de domínio imperial causando dezenas de milhões de vítimas, com Países que foram aconselhados a endividarem-se como resposta à crise financeira de 2008.
Caso os Líderes Europeus continuem a insistir numa política de austeridade que não é mais do que o roubo de todos os avanços laborais e sociais para entregá-los aos apetites sem fim da finança a qual, convem nunca esquecer, está por detrás das grandes crises de 2007 e da atualidade, torna-se evidente que pretendem excluir milhões de cidadãos dos benefícios da civilização europeia e reduzi-los ao que de mais atrasado ainda existe no Mundo.

por Paulo Martins

Artigo publicado no jornal “Diário de Notícias”
do Funchal em 20 de março de 2013




"O perigoso senhor Schauble

Daniel Oliveira in Expresso.pt 2 de abril de 2013

"Sempre foi assim. É como numa classe, quando temos os melhores resultados, os que têm um pouco mais de dificuldades são um pouco invejosos". A frase é de Wolfgang Schauble, o todo-poderoso ministro das finanças alemão.Como bem defendeu Miguel Sousa Tavares, não é bem inveja que os povos da Europa sentem em relação à Alemanha. É mais ressentimento. Nascido não apenas de uma Europa destruída e do Holocausto, mas do crónico problema que a Alemanha tem com a sua própria identidade que a levou a ter dificuldades em conviver com os seus vizinhos europeus.
Não, os alemães não têm de passar séculos a pagar por crimes que cada um deles não cometeu e que aconteceram quando a maioria nem era nascida. Mas, quando se relacionam com os outros, têm de ter conta que há uma história. Quando Schauble compara a Europa a uma sala de aulas e trata os demais parceiros europeus como alunos cábulas e a Alemanha como o aluno brilhante não pode deixar de perceber, até pela sua idade avançada, os sinais de alarme que as suas declarações criam na Europa, sobretudo nos povos que estão a sofrer tanto com esta crise. Até porque estas declarações são coerentes com um comportamento arrogante, autoritário e sem respeito pela reserva que estadistas devem ter quando se referem a assuntos internos de outros países.
Depois da II Guerra, a Europa e os EUA, para consolidar a paz e não repetir os erros da guerra anterior, foram generosos com a Alemanha. Não a obrigaram a pagar pelos seus crimes de guerra. Ajudaram à sua reconstrução e democratização. Atiraram para o baú do esquecimento as responsabilidades de muitos muitos alemães por um dos maiores crimes que a humanidade até hoje conheceu. Os parceiros europeus dividiram, na prática, os encargos da reunificação. Criaram uma moeda única cedendo, e mal, como agora se vê, a todas as exigências da Alemanha, que sempre resistiu ao euro. Fecharam os olhos à violação dos limites ao défice, que os alemães, tão intolerantes com as falhas dos outros, foram, com os franceses, os primeiros a não cumprir.
Na realidade, a sala de aula foi feita para a Alemanha se sentir lá bem. E, para isso, os interesses de outros foram esquecidos. Todas as suas falhas foram ignoradas. Mas nem é isso que interessa agora. O que interessa é que o ministro Schauble, e não os povos da Europa, está a fazer tudo para reavivar fantasmas antigos. Alguns, os portugueses, pela sua posição oportunista durante a guerra, nem compreendem bem. Mas eles resultam de feridas tão profundas, que 70 anos não chegam para os fazer esquecer. Foram, a bem da paz e do projeto europeu em que ela se sustentou, ignorados durante décadas. Mas basta que a União Europeia se desmorone, como se está a desmoronar, e que o senhor Schauble ou outro responsável político alemão repita mais umas frases infelizes para que eles regressem. Como se tudo tivesse acontecido ontem.
Willy Brandt, Helmut Schmidt e Helmut Kohl sabiam que a única forma da Alemanha conseguir regressar, como era seu direito, à comunidade internacional e europeia, era conseguindo que o resto da Europa acreditasse que ela seria capaz de conviver com os restantes Estados europeus tratando-os como iguais. A ignorância política, a insensatez, o populismo ou a estupidez de Merkel e Schauble estão a criar, entre os europeus, um desconforto crescente. Há cada vez mais gente que se pergunta se é possível ter, em simultâneo, uma Europa próspera e cooperante e uma Alemanha forte. Se esta desconfiança não for travada a tempo, os alemães serão, mais uma vez, como no passado, as principais vítimas da sua arrogância. Porque eles são, de todos os europeus, os que mais precisam desta União que, com alguma preciosas ajudas, estão a destruir."




Novidades: Merkel: “Sabemos que vai haver vítimas em muitos países” mas este é o caminho para um crescimento sustentável."(ler: jornaldenegocios).
pode ser que no fim das vitimas, pela teoria de selecção natural de Darwin, fique uma raça superior..tipo a ariana estão a ver?



Mais:merkel-diz-que-paises-do-euro-devem-estar-preparados-para-ceder-soberania
É impressão minha ou até há bem pouco tempo estas afirmações equivaleriam a uma declaração de guerra?

Há umas boas décadas um tipo chamado Adolfo disse algo parecido...
Parem os alemães antes que eles vos parem a vocês...é pena, mas esta gente não se consegue enquadrar numa Europa de Estados, a menos que sejam eles a mandar, liderar, comandar, decidir por sua única e exclusiva vontade própria.
Para mim, está TUDO dito! 

o-surgimento-do-iv-reich
O problema alemão

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terça-feira, 5 de março de 2013

Os merceeiros da Forbes


Para este tal Belmiro então o ideal seria os portugueses nem terem ordenado...mas desse modo conseguiriam fazer compras nas suas mercearias?
E se deixássemos de fazer compras nas mercearias deste Sr e dos outros merceiros fachos seus amigos e começássemos a fazer compras no comércio tradicional e dinamizar e ajudar as pequenas e médias empresas?
Assim talvez se resolvesse a miséria de muitos portugueses...não me venham dizer que criam muitos postos de emprego...é que nestes empregos, ao  trabalhar numa mercearia destes fachos, recebe-se o ordenado mínimo ou caso seja produtor é obrigado a produzir produtos abaixo do preço de produção para estes avarentos que possuem o monopólio da distribuição em Portugal e estão na revista Forbes como os mais ricos do Mundo...e pagam impostos na Holanda porque sai-lhes mais barato!
E se fizermos todos compras na mercearia do bairro...será que estes srs aguentam? Ai aguentam, aguentam!

Pingo Amargo
1 de Maio: dia do consumidor

ULTRA RICO ai aguenta aguenta

Bem escrevo aqui no blogue, para não me esquecer da declaração infeliz deste vampiro de seu nome Fernando Ulrich que disse: "Se o país aguenta mais austeridade? Ai aguenta aguenta!", e como senão bastasse para explicar esta declaraçãoi polémica ainda deu como exemplo infeliz a situação dos gregos que aguentam com uma taxa de desemprego de  25% e queda de PIB de 25%  e dos sem-abrigos que aguentam, ainda estão vivos...

Da 1ª declaração polémica disse:
“Não gostamos, mas [Portugal] aguenta, e choca-me como há tanta gente tão empenhada, normalmente com ignorância com o que está a dizer ou das consequências das recomendações que faz, a querer nos empurrar para a situação da Grécia”
O presidente executivo do BPI deu assim exemplos da situação da Grécia, em que o desemprego “já está em 23,8%” e chegará aos 25,4% no próximo ano. Apesar disso, “os gregos estão vivos, protestam com um bocadinho de mais veemência do que nós, partem umas montras, mas eles estão lá, estão vivos”.
Quer-se dizer...não quer que isto vá pelo caminho da Grécia...mas se eles aguentam e ainda estão vivos com uma taxa de desemprego altíssima e uma queda do PIB violentíssima...
e se eles aguentam nós também aguentamos! Nós quem? Ele não de certeza, já que o seu banco recebeu dinheiro do Estado, e este abutre ganha feitas contas cerca de um salário mínimo (485 euros) de 10 em 10 minutos... (ler: Estado injecta dinheiro no BPI).

sicnoticias
se-os-sem-abrigo-aguentam-porque-e-que-nos-nao-aguentamos?
Ai aguenta aguenta

ex-bancário indignado com banqueiros indignados




Sobre esta notícia:


REFORMADO INTERROMPE APRESENTAÇÃO DO MOVIMENTO DOS REFORMADOS INDIGNADOS

«Vocês são uns tristes. Estão aqui a protestar porque 20 ou 25 mil euros não vos chegam por mês para viver?» Foi assim que um reformado abordou os organizadores do Movimento dos Reformados Indignados, liderados por Filipe Pinhal, ex-presidente do BCP.

«Há pessoas que ganham 300 euros por mês, há crianças com fome», atirou ainda Afonso Diz, reformado do Millennium bcp, que se encontrava na audiência, durante a conferencia de imprensa para apresentar o Movimento aos jornalistas.

O Movimento representa 70 reformados com pensões muito altas mas que se dizem prejudicados pela contribuição especial de solidariedade (CES), que chega a cortar até 90% das pensões mais elevadas. Os 70 membros têm pensões que vão dos 1.350 euros aos escalões mais elevados.

Perante as acusações, Filipe Pinhal ficou calado e não revelou o valor da sua pensão, que alguns jornais dizem chegar aos 70 mil euros. Filipe Pinhal saiu do BCP na sequência do escândalo das off shores e tem processos a decorrer em tribunal onde é acusado de prestação de informação falsa ao mercado.»



Na visão de 14 de Março de 2013: "Filipe Pinhal, banqueiro indignado ex-presidente do 

BCP, aufere de uma pensão mensal bruta de 70 mil euros e líquida de 14 mil euros e é 

acusado de ter deixado um prejuízo de 115 milhões de euros nos fundos de pensões do 

banco.


QUE NOJO Indignada estou eu com estes tipos do MRI-Movimento dos Reformados

Indignados preisdido porFilipe pinham um ex Presidente do BCP e actual beneficiário de

uma reforma de 70 mil euros mensais!!!  Para além disso este Sr foi condenado a pagar

multas de 800 mil euros por deslizes financeiros a liderar pensionistas que tiveram cortes

de 1350... é no mínimo insólito!

Já não bastava termos um presidente da República que se queixava que 12 mil euros por

mês nem dava para pagar as despesas...Indignam-me estes gajos nojentos tão velhos que

 estão quase na cova e mesmo assim gananciosos ao extremo...reformas de 70 mil euros

por mês não lhes chegam para encher o bandulho? o que é que estes velhadas fazem com

 essas reformas! Só digo isto, é por isto mesmo, por vadiagem e ladroagem desta que a

segurança social vai à falência e esta geração não vai ter reformas! Pilharam o país e

fizeram uma grande festa e agora ainda têm a indecência obscena de se indignaram por

terem cortes nas pensões ultra-milionárias? É como diz o outro...aguentem aguentem! A

Troika que se vá embora a troika que vá é da maneira que não há tostões para pagar as

reformas desta vadiagem também...CHEGA! Pôr os europeus a pagar pelos gastos

faranóicos deste país de chulos...a TROIKA que se vá embora, ficamos na miséria pois

assim que fiquemos todos!

Parabêns a este senhor que interviu, grande homem! Agora é que ele viu bem a corja para

a qual trabalhou...sem dúvida que os banqueiros para além de terem de ser avarentos,

 egoístas, gananciosos, vampiros têm uma certa inclinação para delírio psicopático...é

gente perigosa e que como disse este Sr "não interessam a ninguém"...são seres vazios

que julgam preencher-se com alguma coisa neste caso luxos, bens materiais e dinheiro...e

 quanto mais melhor, pois se esta gente é infeliz e vazia por dentro com os cofres tão

cheios e tantas riquezas ao menos que os outros não tenham nada, que contem os tostões,

 que passem fome, que morram em agonia e sem dignidade pois na visão deles se eles

com tanto não conseguiram ser felizes ao menos os outros que nem ousem tão pouco ter

 os mínimos direitos de bem estar e dignidade que qualquer ser humano deveria ter!

A morte ao menos é democrática, rico e pobre morre e desfaz-se em pó e deixa cá todas

as riquezas que julgou em vão alguma vez terem estado em sua posse...ainda bem que a

morte existe porque senão o Mundo com ricos seriam ainda mais injusto e infernal, vivam

 pois na ilusão de que algo vos pertence realmente, vivam acima das possibilidades dos

povos...um dia também vão morrer e é assim que a vida faz justiça.

Aproveitem pois velhos reformados indignados as vossas parcas reformas de milhares de euros...e já agora morriam era mais cedo que era menos dinheiro que a Segurança Social gastava convosco..mas pronto todos nós vamos ter a nossa horinha e ela até pode tardar mas não falha...e a morte não aceita subornos.
Um bom resto de vida pois então, rodeado de muito dinheiro,muito caviar, muitos carros topo de gama, muito luxo e de todas as demais futilidades fundamentais à qualidade da vossa muito nobre espécie: banqueiros.

Há pessoas tão pobres...a única coisa que têm é dinheiro!


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Cavaco está falido!
Diferença entre Presidente do Uruguai e Presidente de Portugal
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Reformas de miséria
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"Os banqueiros são a escória do capitalismo porque não produzem nada" Daniel Oliveira no programa "Eixo do Mal"

"Os banqueiros são como os piratas, roubam o ouro à malta, depois escondem-no em ilhas paradisíacas (as offshores), a única diferença é que os piratas têm perna de pau e os banqueiros têm cara de pau." 
Jel, dos Homens da Luta no programa "Sábado há Luta"