quinta-feira, 25 de julho de 2013

Alemanha: de Guerra Mundial em Guerra Mundial


(informação recolhida do livro: História da Alemanha do Cículo de Leitura)

A Primeira Guerra Mundial (que durou 4 anos tendo começado em 1914) ultrapassa em recursos técnicos, massas móveis, número de vítimas, extensão de prejuízos e importância dos teatros da acção todos os acontecimentos históricos comparáveis. O Reich preludia, executando o plano Sclieffen: um poderoso avanço  da ala direita do exército pela Bélgica neutra. Este processo brutal dá aos Ingleses motivo para entrar em guerra. Paris, objectivo da vitória alemã final, respira quando as tropas inimigas  são detidas na batalha do Marne.
Pela primeira vez assiste-se à intervenção de aviões e de carros, canhões de grande alcance, de gases e lança-chamas. Enquanto o grosso do exército alemão procura em vão a decisão no Ocidente, o «rolo compressor» russo avança em direcção à fronteira leste.
Combate-se agora do canal do Suez à Flandres, do Báltico à África Oriental.
Os alemães fazem intervir a guerra submarina total, organizam o bloqueio e sujeitam a Inglaterra à fome. Até nos oceanos distantes os navios de guerra se defrontam. Barcos mercantes são afundados. Os zepelins bombardeiam Londres.
As potencias coloniais recrutam contra a Alemanha os povos de cor: Gurkhas, Sikhs, Chineses, Senegaleses e Congos.
Para além das fronteiras e em todo o redor ferve a guerra dos comunicados oficiais: a imprensa sensibiliza as pessoas contra os Alemães, logo qualificados de «Hunos» e carregados com todos os pecados do Mundo. Dezenas de estados alinham ao lado dos Aliados contra a Alemanha e seus raros partidários. E enquanto o império dos czares vacila e se desmorona, enquanto a revolução derruba o trono da Rússia, as tropas alemãs marcham sobre S. Petersburgo e atravessam o Cáucaso (1917). É este o momento que os EUA escolhem para declarar guerra à Alemanha.
Toda a coragem, todo o espírito de sacrifício da nação são vãos: a superioridade em material, homens e auxiliares, o bloqueio, a fome, o esgotamento do povo fazem-se sentir.
A Primeira Guerra terminou, fez uma dezena de milhões de mortos e 20 milhões de estropiados.
Custou ao mundo ocidental 1350 biliões de marcos-ouro. A Europa é um montão de ruínas e a Alemanha é um país vencido, abalado pelas revoluções, guerra civil e fome.

A Leste ergue-se a nova potência mundial dos Sovietes enquanto o gigante EUA se levanta além-Atlântico.
À primeira vista, no entanto, a sorte do mundo parece ser decidida pelas antigas potências, Inglaterra e França. Em Versalhes e noutros arredores de Paris reúne-se uma conferência de Paz em que a Alemanha desempenha ao mesmo tempo o papel de culpada, de acusada e de vencida.
Os Alemães humilhados são obrigados a assinar a comissão da sua «dívida de guerra». Tiram-lhes imprtantes territórios fronteiriços: Eupen-Malmedy, Alsácia-Lorena, Alta Silésia, Posnânia e Prússia Ocidenal, além de partes do Schlesvig.
Mas quando as votações populares consentem a restituição das regiões-fronteira à Alemanha, por forte maioria, os polacos zangam-se e lançam-se em terríveis combates de corpos francos.
Também no Báltico as tropas alemãs lutam, mas contra o avanço blochevique.
Todos têm de depor as armas. É uma ordem dos Aliados. O conjunto das colónias alemãs vai para o vencedor . O povo à beira da fome, é condenado a entregar 140 000 vacas leiteiras, 30 000 cavalos e tudo o que resta da frota mercante. O equipamento do exército alemão e da marinha é destruído. Privada de defesa militar, a Alemanha apenas tem direito de equipar 100 00 homens, enquanto os seus adversários de antes multiplicam os armamentos.
Como garantia das enormes indemnizações (uma barra de ouro que representaria metade da distância da Terra à Lua), a margem esquerda do Reno é ocupada durante 15 anos.
Como as entregas de madeira e de carvão alemãs foram uma vez inferiores à quantidade fixada, as tropas francesas penetram em Francoforte e no Ruhr. o Reich é destrído - e agora a república é durante anos um brinquedo nas mãos dos vencedores.
A 19 de Janeiro de 1919, a Assembleia Nacional reúne-se em Weimar e elabora o projecto de uma Constituição Republicana. Esta República de Weimar viverá 14 anos.
Assume uma herança terrível, a guerra perdida, o dever de pagar indemnizações tão monstruosas que teriam de pesar sobre o povo durante 3 gerações.
Apoiado simplesmente pela paciência indescritível e pelo zelo incomparável da população trabalhadora, o governo empreende a reconstrução de fábricas desmontadas, destruídas e caducas, ao mesmo tempo que se esforça por apaziguar o pior da fome.
O escoamento de todas as reservas de ouro, a obrigação da dívida de Estado e também, senão sobretudo, a ocupação do Ruhr, último grande território industrial  e reserva de carvão da Alemanha, provocam a inflação. É o tempo em que um pãozinho custa alguns biliões de marcos e um bilhete de eléctrico mio bilião! A classe média vê as suas poupanças engolidas e na sua aflição, liquida os últimos bens. Uma nova camada de especuladores de guerra e de traficantes surge.
Oficias e soldados pertencentes ao exército derrotado não podem compreender que, após tantos sacrifícios, tantos actos heróicos e tantas vitórias a guerra está perdida. A lenda da «punhalada nas costas», circula, a fábula da traição dos sociais-democratas ou dos Judeus. Formado tarde e demasiado fanático, o espírito nacional  transforma-se em muitos corações amargos em nacionalismo exaltado.
A injustiça de Versalhes, as contínuas humilhações  impostas pelas potências vitoriosas, a ocupação da Renânia e os ataques dos corpos francos polacos a Leste, o país tratado como colónia segundo um direito especial, a miséria persistente, o desemprego e a ameaça comunista latente criam um ambiente favorável ao nascimento de diversas associações militares e de partidos radicais de direita.



Um demagogo chamado Adolf Hitler fundará em Munique o seu NSDAP (Partido Nacional Socialista Alemão) que as associações combatentes (SA) reforçam. Reprimido este movimento diletante, não o foi o «movimento». Uma vez posto em liberdade, depois de ter cumprido uma pequena pena de prisão, Hitler, começa a sua actividade de pregoeiro público e cria um partido fascista que, com a miséria crescente do povo, a ameaça evidente da «Frente Vermelha», de Spartacus e doutras associações radicais de esquerda, se torna numa ameaça para a república.
A breve história da república de Weimar - com toda a sua integridade na procura de ordem, da reconstrução, da liberdade e da garantia da vida da nação - vai resultar na catástrofe do nacionalismo exarcerbado. As potências vitoriosas em desacordo dão razões para isso: os resultados custosamente adquiridos da produção social saem sob a forma de reparações para o estrangeiro onde paralisam as indústrias locais, as perturbam e preparam a próxima «crise económica mundial».
Os governos vão e vêm nas querelas dos 36 partidos alemães; os jornais denunciam escândalos sobre escândalo de corrupção.
Adolf Hitler denuncia miséria das massas operárias exploradas. A responsabilidade seria dos «vermelhos». Exige uma Alemanha justa para todos, capaz de defender, livre e verdadeiramente alemã. Numa situação aparentemente sem saída, cada vez são mais os homens que acreditam no novo messias.
Neste momento o NSDAP de Hitler já obtém quase 12 milhões de votos contra 5 milhões dos comunistas. Os partidos democráticos unidos estacionam nos 18,7 milhões. Neste momento rebenta a crise bancária. O número de desempregados sobe a 7 milhões.
É certo que foram concedidos prazos para o pagamento dos prejuízos de guerra e algumas facilidades foram até concedidas à Alemanha, mas é tarde de mais.
Como a crueldade dos levantamentos comunistas e os terríveis relatos da revolução russa estão ainda em todas as memórias, e como Hitler promete, por outro lado, «trabalho e pão», liberdade, um futuro próspero, grande parte da classe média inclina-se para o Terceiro Reich.
O breve lapso de tempo dado à república para se formar entre ocupações arbitrárias, combates separatistas, motins comunistas e nacionalistas, inflação, a crise económica, o crash bancário, a corrupção, conferências internacionais numerosas e inúteis, a impotência dos povos, 14 anos de turbulência e de tímido crescimento explicam o futuro.
A 17 de Abril de 1922 o ministro dos Negócios Estrangeiros Rathenau conseguirá concluir em Rapallo um pacto extraordinário com a União Soviética. Este acordo passa verdadeiramente um traço sobre o capítulo da guerra contra a Rússia. Assegura uma ajuda recíproca dos dois povos. A Rússia autoriza secretamente aos Alemães a construírem em solo soviético as armas proibidas como tanques e aviação militar. Não se chega no entanto a uma verdadeira colaboração dos grandes povos. Um outro episódio pleno de promessas é o «Protocolo de Genebra» para regularização pacífica dos diferendos internacionais. Data de 1924, mas aborta porque a Inglaterra se recusa a assiná-lo.
Em seguida durante a conferência de Locarno em 1925 chega-seà conclusão de um acordo entre o ministro alemão Stresemann e o seu colega francês Briand. Garante-se o respeito das fronteiras existentes, da paz e da evacuação próxima das zonas ocupadas do território renano. Na sequência desta compensação que lhe abria o caminho, a Alemanha é admitida, por unanimidade a 8 de Setembro de 1926 na Sociedade das Nações.
Infelizmente, Stresemann morre e Braind perde rapidamente autoridade no seu país. O espírito de Locarno não tem tempo para tornar-se realidade. Hitler, ao surgir, risca todas as clásulas.
Para o fim da república de Weimar a conferência de Haia em 1929 concede à Alemanha facilidades de pagamento e fixa paar 1930 os prazos de evacuação dos territórios renanos ocupados. O pacto Kellog (1928) -tratado contra a guerra e a série de conferências do desarmamento parecem anunciar a Paz Universal.
Por outro lado, começa, partindo da Rússia a Leste e da França a Ocidente, a tecer-se uma rede de acordos bilaterais e multinacionais - todos considerados por Hitler como meios de jugular a Alemanha.
Durante a crise económica mundial chega-se enfim à moratória Hoover, que oferece à Alemanha um prazo de pagamento de duração limitada. A conferência de Lausana (1932) fixou a soma final das reparações alemãs em 3 biliões de marcos-ouro (285 biliões originalmente) depois da Alemanha já ter pago 53,1 biliões.
Os fanáticos partidários de Hitler tanto quanto os seus adversários tinham lido o livro-programa Mein Kampf. Muitos não haviam tomado a sério as tiradas ocidentais contra os Judeus e contra os socialistas: num tempo saturado de discursos políticos, assimilavam-se facilmente as declarações excessivas do orador às redundâncias das alocuções de cantina.
Todos ou quase todos acreditavam firmemente que um chanceler do Reich, chamado a este posto pelo presidente, governaria segundo a lei e a constituição, faria questão de cumprir as suas promessas. Trabalho e pão, liberdade, igualdade dos direitos e avanço económico, o povo já respirava, vendo terminada a sangrenta querela dos partidos.
A nação conheceu então o verdadeiro rosto do nacional-socialismo.
A 27 de Fevereiro de 1933, o Reichstag ardia: luz verde imediata para a perseguição comunista. Mas toda a imprensa social-democrata é igualmente proibida.
 As eleições para o Reichstag a 5 de Março de 1933 dão ao partido de Hitler, associado aopartido conservador a escassa maioria de 52%.
O Dr Goebbels é nomeado ministro da Propaganda.
A 24 de Março, reunido já sob o terror, o Reichstag adopta a lei de plenos poderes. Ele dá a Hitler uma autoridade ditatorial.
Imediatamente instala em todas as províncias governadores do Reich: proíbe os sindicatos e ordena a dissolução dos partidos.
A ditadura é imposta, a liberdade é enterrada, as coisas vão seguir inevitavelmente o seu curso.
A vida está agora compartimentada para todos: os operários têm de ser inscritos na frente alemã do trabalho, os escritores  na câmara dos escritores do Reich, os camponeses no «Nahrstand» do Reich, as crianças na juventude hitleriana ou na Associação dos Jovens Alemães, as mulheres para as associações femininas, os homens nas SA, nas SS, nos corpos motorizados ou na aviação. Não há associação, profissão, emprego oficial, jornal, empresa que não estejam integrados na linha omnipotente do Partido.
Cria-se a Gestapo (Polícia Secreta do Estado) e o serviço de segurança (SD). Para os adversários-políticos,religiosos ou «racistas»-criam-se campos de concentração (KZ) por trás de pântanos ou florestas, rodeados de arame farpado e de enfiadas de postas de vigilância. Ninguém do povo sabe exactamente o que se passa.


Só a Reichswehr não se deixa manobrar facilmente pelo sistema. O presidente do Reich continua a ser o seu presidente supremo e o corpo de oficiais está em grande parte cheio de desconfiança e aversão a Hitler. Quando Ernst Rohm apoiado pelo sue gigantesco exército de SA, procura fundar uma tropa paramilitar Hitler não se contenta em mandar fuzilar o rebelde Rohm e os seus amigos mais próximos mas também elimina igualmente todos os seus antigos adversários, pessoas informadas ou que, conhecendo-o de «antes», poderiam falar mais a seu respeito.
Depois dos pogroms judeus, pela primeira vez o povo alemão tem de confessar a si mesmo que pôs à sua frente um monstro. Mas já não é possível derrubar Hitler.
Depressa virá o serviço militar para todos, a ocupação da Renânia (1935).
A 25 de Junho de 1934 o velho marechal Hindenburgh morre: Hitler declara-se Fuhrer e Chanceler do Reich.
As loucas ideias do ditador, o seu ódio racial, a sua inimizade de morte contra os socialistas, a sua marcha em linha recta para uma nova aventura militar não são para brincadeiras. Mas já não há ninguém capaz de o deter na Alemanha. EM 1935-grande jornada do Partido em Nuremberga-proclama as leis raciais. O certificado de ariano passa a ser a primeira condição para ocupar qualquer lugar oficial. O Partido governa todos os compartimentos da vida.
Uma vaga de doutrinamento e de propaganda submerge o país.
Dezenas de milhares de doutrinadores, conselheiros de estudos e professores enraízam no coração dos jovens, com toda a consciência e entusiasmo, o novo ideal.
A grande parte do povo vê com admiração o êxito obtido pelo Fuhrer na sua esplêndida accção de rejuvenescimento da nação. A resistência limita-se a pequenos grupos, comunistas, sociais democartas, cristãos, homens e mulheres bastante clarividentes para discernir por trás dos faustos do nazismo, a miséria, a mentira, a barbárie do sistema.
De um só salto o problema do desemprego é resolvido. Constroem-se  estaleiros, auto-estradas, casernas, novas fábricas de equipamento, barcos, aviões e espingardas. Cidades novas e lugares de festa, teatros e museus saem da terra. Tudo o que a república livre e democrática de Weimar recusava ou consentiu hesitante, concede-o a exigência de Hitler. Deixa-se de pagar indemnizações. A igualdade do armamento é aceite. Nenhuma força contratual se opões À ocupação militar da Renânia, assim como à ruptura do pacto de Locarno. O serviço militar é reintroduzido.
Em 1934, Adolf Hitler, filho dum pequeno emprego alfandegário, prisioneiro liberto da Primeira Guerra Mundial, depois de operário «intermitente» e pintor de fachada, faz a sua primeira viagem ao estrangeiro: destino - Veneza e Mussolini, o antigo pedreiro. O fascista encontra-se com o inventor do fascismo.
Depois duma oposição inicial sobre a questão austríaca, os dois ditadores encontram conciliações. Quando Mussolini ataca a tranquila Abissínia (Etiópia), a Sociedade das Nações exclui-o e aplica sanções. É agora a vez de Hitler: fornece a Mussolini carvão, gasolina e armas, em suma, salva o império do Duce. Em troca, obtém luz verde para a questão austríaca.
EM 1936 Hitler restabeleceu a soberania sobre os rios alemães. EM 1937 o Duce visita triunfalmente o Fuhrer na Alemanha. Os dois ditadores lançam as bases do futuro «Eixo», um eixo que antigamente se chamava Império.
Na Primavera  de 1938, quando de novas confrontações com a Áustria onde entretanto se construíra um forte, Hitler entra no país irmão (nota: Hitler nasceu na Áustria, era austríaco). É o 13 de Março de 1938. No meio de lágrimas de alegria, de flores e aclamações sem fim os dois Estados unem-se. A história comum milenária recua; Bismarck e a sua solução «pequena Alemanha», a anexação proibida pelo tratado de Versalhes deixam de ter valor.
Hitler oferece à nação os êxitos mais inesperados e estrondosos: depois da anexação da Áustria, soltou a querela dos Alemães dos Sudetas. Em Versalhes, entre outros, os territórios ocupados e colonizados por 3,5 milhões de alemães tinham sido entregues à Checoslováquia: um erro a corrigir- segundo o Fuhrer.

Daladier, Chamberlain e Mussolini encontram-se em Berlim e conclui-se o acordo que entrega aos alemães as regiões fronteiriças da Checoslováquia de população alemã. No seu regresso a Londres, o primeiro-ministro agita vitoriosamente um papel em que Hitler confirma: «Não haverá guerra, nem nesta geração nem na seguinte».
Guerra? Ninguém na Europa a deseja - mas nem todos acreditam que possa ser evitada. Já políticos mais duros como Churchill na Inglaterra aparecem em primeiro plano. Hitler dá-lhes rapidamente a prova de que com ele é impossível viver em paz. A 9 de Novembro de 1938, o Dr Goebbels organiza, por ordem de Hitler, as perseguições contra os Judeus,  suscitando a reprovação de todo o mundo civilizado. Em Março de 1939, a Wermacht de Hitler marcha contra o que resta da Checoslováquia impotente e ocupa Praga.
Hitler perdeu definitivamente a confiança internacional a 25 de Março de 1939, quando as tropas alemãs invadem o território de  Memel, Chamberlain declara em Birmingham: «chegámos ao fim da política de conciliação. De hoje em dia falaremos mais duro a Hitler». Apesar destes sinais ameaçadores, Hitler lança-se na questão polaca: exige Dantzig. Chamberlain, numa garantia anglo-francesa, reconhece expressamente os direitos da Polónia.
Os acontecimentos definem-se, concluem-se pactos militares: o Pacto de Aço entre a Alemanha e a Itália, as garantias britânicas à Grécia, à Turquia, à Roménia, a renovação da Aliança franco-inglesa.
Rebenta então a bomba: a 23 de Agosto de 1939. Hitler assina um pacto de não agressão com o seu colega vermelho, o ditador Estaline. Este pacto é acompanhado por um protocolo secreto. A partilha dos territórios de Leste entre as duas potências é decidia.
Fortalecido por esta decisão, Hitler crê ter desferido um grande golpe e abalado o mundo ocidental, tanto mais que os EUA se encontram nesse momento fracos económica e militarmente. Uma vez mais confia no elemento surpresa, na agressividade brutal e nas armas.
Por meios grosseiros inventa um pretenso ataque da Polónia - franco-atiradores polacos teriam atacado um emissor alemão perto da fronteira - declara então a guerra e os seus blindados entram na Polónia.
Quando com grande espanto seu, a França e a Inglaterra respondem com uma declaração de guerra, nada mais diz em troca (segundo o Dr Paul Schmidt, chefe dos intérpretes) que: «Quê?».
A Segunda Guerra começava.


A Wehrmacht está reestruturada, admiravelmente equipada, muito moderna, mecanizada, motorizada e é superior em número.
A Polónia é vencida e ocupada em 18 dias, a Bélgica e a Holanda em 6 semanas, a Dinamarca e a Noruega em 3 semanas. Ao cabo de 3 semanas a Inglaterra está cortada do continente. Depois a Alemanha (a «Grande Alemanha») bate a Jugoslávia em 3 semanas, toma  a Grécia e Creta em 7 semanas, tornando-se assim a senhora da Europa.
A Itália e alguns pequenos estados dos Balcãs alinharam ao lado da Alemanha e já o fogo se ateava na África do Norte, assim como no Próximo Oriente.
No Outono de 1940, no entanto, a batalha aérea sobre a Grã-Bretanha era perdida.
A série de ocupações relâmpagos parecia interrompida. Ao acordar da embriaguez do combate vitorioso conduzindo ao som do tambor, Hitler encontrava-se  na situação de Napoleão. Como este, tinha conseguido ocupar a Europa com uma máquina militar superior - apenas as Ilhas Britânicas resistiam. Mas isso tornava impossível a vitória final.
Hitler e a grande Alemanha tiveram portanto de seguir os mesmos caminhos do destino que Napoleão e a França para forçar a decisão. A geografia, a economia e a política haviam decido a estratégia. Havia quatro possibilidade de vencer a Inglaterra.
Podia-se tentar a invasão- que pressupunha a supremacia aérea e marítima.
A Inglaterra possuía uma frota superior e uma força aérea rapidamente igual à do adversário. Seria possível forçar a Inglaterra à capitulação pela fome e pelo bloqueio económico? Napoleão tentara com o bloqueio continental.
Hitler, por seu lado, declarou guerra submarina total e enviou os sues bombardeiros sobre o oceano. Mas o radar e a ajuda maciça dos EUA impediram a chacina. Não tardou que os submarinos alemães fossem perseguidos como caças.
Uma terceira possibilidade conduziu Napoleão, como Hitler, ao Egipto e a Próximo Oriente, operação que visava obter o aniquilamento do Império britânico levando o ataque até à Índia.
Quando os Alemães capitularam em 1942, em Tunis, foi um primeiro passo para a conclusão. Porque a loucura insensata e o delírio de Hitler o tinham entretanto empurrado para uma resolução trágica.
Seguiu o quarto caminho de Napoleão: atacou a União Soviética - a sua única grande aliada - e lançou todas as forças da Wehrmacht nas extensões infinitas de Leste.
Os Alemães caíram de imprevisto sobre os exércitos de Estaline. O país não queria a guerra, estava mal preparada para ela.
Em pleno assalto contra Moscovo, despachou as tropas numa expedição de 6 semanas à Ucrânia. Não deu à Wehrmacht o papel de libertador do jugo comunista, mas de anjo exterminador. Fez ocupar as províncias tomadas pelos bonzos do partido que se comportaram como sátrapas, chacinando, pilhando, cometendo as piores atrocidades e contribuindo assim para desenvolver na Rússia a «guerra pelo país».
No Inverno de 1941, quando chegou o exército da Síbéria, e os alemães, equipados de maneira ridiculamente ligeira para uma campanha de Inverno, foram apanhados na neve e no gelo.
Após o último avanço desesperado de 1942 diante do Volga e do Cáucaso, segue-se a catástrofe de Estalinegrado.
Entretanto, a loucura de Hiler levara-o a declarar guerra aos EUA. Metade do Mundo -62 Estados-lança-se sobre a Alemanha nazi. Vagas de homens e de material avançam sobre os montes enquanto a terra alemã, sob a saraivada ininterrupta das bombas, vê desmoronar-se as suas cidades ancestrais, as suas instalações industriais, os sues armazéns, os seus estaleiros navais e as suas fábricas sepultados sob os escombros.
A guerra apoderara-se do mundo inteiro: mar, terra, ar, deserto, selva, estepe. No meio das civilizações antigas, exércitos gigantes entregavam-se a batalhas técnicas em que os EUA despejavam uma vaga enorme de armas, de máquinas, de barcos, de motores e de petróleo. Sob os assaltos ininterruto dos bombardeiros desabava um país industrial de civilização tão antiga como rica: a grande Alemanha. O povo que suportara com a paciência e sem esperança todos os flagelos, todos os sofrimentos dos campos, morria sem uma palavra, trabalhador e obstinado como sempre nas ruínas do «Heimatland».


Ásperos e duros desde a Grande Guerra, Hitler e os seus bonzos tinham deixado enfim cair a máscara. Desembaraçados das regras da moral, do humanismo e do cristianismo, desenvolvidas durante cerca de 2000 anos de história, soltam as rédeas ao seu ódio infernal: agem sem consciência nem justiça. Querem dar uma «solução definitiva» à questão judaica. Procuram os judeus pela Europa ocupada, reúnem-nos em rebanhos e despacham-nos para Leste onde os comandos SS (alemães e aliados) desde há muito tempo começaram a encher de vítimas os ossários. Os fornos crematórios dos campos de concentração fumegam, as câmaras de gás trabalham sem descanso, o assassínio ordenado ao povo pelo Estado rebenta em orgias.


O sistema de Hitler levantou na história milenária da nação alemã esse monumento de vergonha que foi descoberto depois nas montanhas de ossadas e nos ossários de centenas de KZ. Só uma ínfima parcela do povo alemão tinha conhecimento destas monstruosidades que vieram a pesar sobre todo o povo alemão.



Veio a vingança do mundo por mar. Os americanos e ingleses desembarcaram no verão de 1944 na costa normanda: quebraram o muro do Atlântico e penetraram em território alemão. A resistência interna alemã  foi vã, do Leste ao Ocidente os exércitos avançam para além das fronteiras do Reich.
Finalmente Hiler suicidou-se em Berlim no bunker da sua chancelaria destruída.
O fim do terror coincidia com o desabar do III Reich. A Wehrmacht capitulava a 8 de Maio de 1945.

Após a rendição:

Na conferência de Yalta os chefes das forças vitoriosas haviam decidido dividir a Alemanha em zonas. A América, a Rússia, a Inglaterra e a França partilham em 4 o território do Estado alemão.
No acordo de Potsdam, os Aliados decretaram: «Todas as autoridades alemãs e o povo alemão têm de corresponder sem condições Às exigências dos Aliados».
O fim da guerra significa para o país vencido a perda de todos os terrenos alemães, das ilhas onde a civilização é alemã, das colónias e dos postos exteriores perdidos, criados pela nação em mais de 800 anos.
Províncias como a Prússia, oriental ou ocidental, a Silésia, territórios encravados como o país dos Sudetas, na Morávia, na Boémia, no Banato e na Batschka, não são apenas anexados, mas esvaziados da sua população alemã. Cerca de 14 milhões de refugiados, saqueados e espoliados, refluem para uma terra agora pequena demais para os acolher, reduzida ao estado de ruínas, mas que se chama Alemanha- a grande Alemanha de antigamente que fazia tremer a Europa.
Este resto de Alemanha que sobreviveu a 12 anos de aventura hitleriana tem, segundo os cálculos de Eisenhower, uma dívida de Estado de 400 biliões de marcos.
A maioria das fábricas foram bombardeadas, o resto do equipamento mecânico é desmontado, as invenções, as patentes, alemãs pertencem aos vencedores. Todas as reservas de ouro, os haveres no estrangeiro, os barcos, as instalações industriais transportáveis, constituem presa dos vencedores.
A fome, a miséria, a pobreza dos alojamentos grassam nas terras alemãs.
O povo alemão é entretanto submetido à desnazificação o que quer dizer que cada um, homem ou mulher, vê ser passado ao crivo a sua atitude perante Hitler e o regime é passível de sofrer penas segundo leis novas com efeito retroactivo - se vem a revelar-se ter pertencido a uma organização nazi.
Contra os grandes braços do partido, contra os responsáveis da catástrofe mundial, realiza-se em Nuremberga o processo dos criminosos de guerra. Encerram-se em campos os funcionários superiores, o estado-maior general alemão, a hierarquia do partido.
O choque sentido pelos Aliados ao avançar pelo país e ao libertar os primeiros prisioneiros foi muito forte: uma visão de inexprimível horror. Por isso, no princípio do período de ocupação, a tropa foi proibida de confraternizar.


A opinião mundial continua tumultuosa e reprovativa, a grande imprensa , as emissões de rádio espalham em jacto contínuo um «canto de ódio» contra a «dívida colectiva de todos os Alemães».
Durante anos julgar-se-á que nenhum alemão será jamais autorizado a passar as fronteiras do seu país, «destinado a servir de pastagem aos carneiros», que os alemães estão definitivamente excluídos da comunidade dos povos.

Não tarda que se produzam tensões entre vencedores de Leste e Oeste. Os americanos desapertam o trono. A Alemanha já não está filiada pela garganta: os ocupantes de além-Atlântico desejam um novo arranque «fair play». Em 1946 chegam ao acordo das duas zonas com os britânicos.A dupla zona participa no plano Marshall e recebe auxílio económico americano.O Banco das Províncias Alemãs é fundado em 1948 e em Junho desse ano dá-se a reforma monetária. Uma nova moeda de forte poder de compra, o DM (Deutschmark) é introduzida.
Os Soviéticos não participam nestas medidas e tentam recuperar Berlim.
Sob os escombros do Reich aniquilado, o espírito do povo alemão ficara intacto, de párias em que se tinham tornado, de míseros bombardeados e meio mortos de fome sem meios suficientes, passa-culpas da terra inteira, oas alemães imediatamente após a derrota, levantaram a cabeça e puseram-se ao trabalho.
O Congresso Popular Alemão confirma então na zona ocupada pelos soviéticos a formação da República Democrática alemã.
Assim a partilha da Alemanha em RFA (dos americanos capitalistas) e RDA (dos russos comunistas) é efectuada.
Segundo os sistemas políticos e ideológicos dos seus ocupantes, os alemães optam por duas formas de sociedade e de estado fundamentalmente diferentes.
Enquanto na RFA se dão cada vez mais às formas de vida americana, ao comportamento capitalista e super-democrático a libertação dos velhos valores, a negação de toda a autoridade e a fraqueza na condução do estado são o pão quotidiano, o desenvolvimento na RDA toma um aspecto diferente, com a presença dos russos, a RDA tem de trabalhar muito mais duramente que a RFA. 
A sociedade desenvolve-se num sentido dum socialismo com laivos de comunismo; a autoridade do estado domina firmemente e a tendência cultural vai para a Rússia.
O abismo entre as duas partes da nação alarga-se.
A doutrina Hallstein publicada no ocidente proíbe aos cidadãos da RFA manter relações RDA.
Em 1957, criação da CEE compreende a França, Itália, os Estados do Benelux e a RFA. A nova Alemanha aspira com vigor -e entusiasmo, ao princípio- a uma Europa unida. Federação fraternalmente unida, a Europa agrega as suas forças e  realiza - assim pelo menos o vê o que resta do reich antigo- a tarefa que os romanos tinham cumprido com o seu Império e que os imperadores medievais em vão se esforçaram para realizar: o Reich é a Europa.
Mas entre a Europa e a Alemanha de 1961 ergue-se cruel consequência da 2ªGuerra Mundial- a cortina de ferro.
A separação da nação pelo cessar-fogo ocasional de 1945 torna-se lentamente numa fronteira real e mesmo particularmente dura.
Milhares de alemães passam a linha de demarcação que na carta que separa o Estado do partido Único da Alemanha do mercado livre onde as panelas em todo o caso estão cheias.
A RDA vive um problema de hemorragia de operários especializados, de mão de obra. Tem de aplicar o remédio se quiser responder Às duras exigências do plano de trabalho. Constrói por isso, um muro que atravessa Berlim, com cordão de minas, aramas farpados, sistema de alarme eléctrico que corre ao longo das antigas fronteiras das zonas.



Os postos fronteiriços alemães atiram sobre os cidadãos que querem passar de uma Alemanha para a outra.
A doutrina Hallstein não pode modificar a atitude rígida de Leste.
Chega-se assim à política do chanceler federal Brand (SPD) que deita fora a doutrina Halstein e procura um equilíbrio por contrato com os estados do bloco de leste. Consequência desta política: RDA e RFA são finalmente admitas nas Nações Unidas como membros de pleno direito.
A nação não fica com isso menos dividida sem melhoria significativa da situação:a RFA continua a ser membro da NATO enquanto a RDA continua ligada ao pacto militar de Varsóvia e ao COMECON do Leste.
1989-queda do muro e Berlim, reunificação da Alemanha



NEVER AGAIN (NUNCA MAIS)!!!
Lembrar sempre, nunca esquecer, para que NUNCA MAIS se volte a repetir!!!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Mas o que é o FMI?

Informação retirada do livro: "A Troika e os 40 Ladrões" de Santiago Camacho

A situação económica que estamos a viver, e a sofrer actualmente, tem origens que remontam no tempo muito para além da crise actual. Tudo começou há muito tempo, com os acordos de Bretton Woods, que são as resoluções da Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas.
A reunião decorreu num ambiente paradisíaco, no exclusivo complexo hoteleiro Bretton Woods, em New Hampshire, entre 1 e 22 de julho de 1944.
O propósito da reunião de Bretton Woods era pôr fim às políticas de proteccionismo que caracterizaram o período que se iniciara em 1914 com a 1ª Guerra Mundial.
Considerava-se que para se chegar a paz e à prosperidade das nações era necessário implementar uma política livre-cambista.Foi ali que se estabeleceram as novas regras para as relações comerciais e financeiras mundiais, regras que, actualmente, ainda estão em vigor e são em grande medida a origem dos problemas actuais.
Entre outras medidas, em Bretton Woods foi decidida a criação das suas instituições: Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Também se estabeleceu o uso do dólar como moeda de troca nas transacções financeiras internacionais. Ambas as organizações começaram a funcionar em pleno em 1946.
A 2ª Guerra Mundial estava prestes a terminar e a clara hegemonia norte-americana depois da grande guerra traduziu-se num reordenamento financeiro internacional sob a batuta da emergente nova potência internacional, os Estados Unidos da América.
Foram eles que convocaram a reunião, para que no novo mapa que nascia do conflito não apenas se reflectisse no aspecto político e militar, mas também económico. Além disso, foi criado um código de conduta para as políticas económicas dos países com problemas de balança de pagamentos e foram institucionalizadas várias modalidades de empréstimo e mediação financeira entre os organismos criados.
Na reunião participaram apenas 44 países, realmente poucos, mas naquela época a maior parte dos países do Terceiro Mundo ainda eram colónias, muitos outros nem sequer tinham sido aceites nas Nações Unidas, e as potências derrotadas na Segunda Guerra Mundial não tinam, logicamente, voz nem voto de nenhum tipo e tinham de se conformar com o destino que os vencedores estavam a preparar para elas.
Tal como foi originalmente concebido em Bretton Woods, o FMI pretendia ser um organismo supracional, essencialmente dedicado a duas coisas: regular as taxas de câmbio das moedas entre os países-membros, e assegurar a estabilidade internacional através de empréstimos em tempos de crise.
Actualmente, as políticas do FMI afectam directamente as economias de 185 países. A sua influência é enorme e, muitas vezes, desastrosa. De facto, o Fundo é, provavelmente, a instituição não- governamental mais poderosa do Mundo, e não isenta de polémica.
Milhares de trabalhadores e estudantes manifestam-se quase diariamente contra o FMI, em muitos casos arriscando ou sacrificando as suas próprias vidas.
à primeira vista, parece uma reacção desproporcionada contra uma instituição que apenas oferece empréstimos a curto prazo aos países-membros que se encontram em situações de crise na sua balança de pagamentos. Contudo, o FMI é muito mais que isso. No início, segundo o acordo de Bretton Woods, as condições para os empréstimos do FMI aos países-membros consistiam simplesmente em oferecer «um programa eficaz para o estabelecimento ou manutenção da estabilidade da moeda». Com o passar do tempo, estas condições limitadas converteram-se em algo com muito mais alcance, chegando a regular de facto as políticas económicas do país solicitante.
Os governos que querem realmente ajuda (e quando recorrem ao FMI já estão desesperados), ficam obrigados adoptar um conjunto de políticas económicas e medidas fiscais baseadas no que o FMI pensa que irá promover a estabilidade económica, mas que, por acaso, acontece muito raramente.
Um exame crítico do que aconteceu até hoje sugere que o pagamento destes empréstimos produz-se à custa da economia do país devedor, recaindo, em especial , sobre os mais desfavorecidos.
As políticas sugeridas pelo FMI requerem quase sempre a redução ou eliminação de tarifas alfandegárias e barreiras às importações, o que tem como consequência directa o desaparecimento de milhares de postos de trabalho. Ao mesmo tempo, nesses mesmos países em que o desemprego começa a aumentar, impõem-se severos programas de austeridade que fazem cortes nos serviços sociais e públicos e eliminam as subvenções estatais que, entre outras coisas, mantêm os preços de alimentos baixos. Dito de forma resumida e fácil de compreender por todos, primeiro aumenta-se o número de pobres para logo a seguir se piorarem as condições em que estas pessoas têm de sobreviver. Desta forma, as pessoas com menos recursos económicos vêem-se obrigadas a pagar os empréstimos aos governos cujas políticas anteriores haviam sido consideradas erróneas pelos economistas do FMI e, em consequência, corrigidas com mão de ferro.
Com este panorama, não é de estranhar que os empréstimos do FMI se convertam então num foco de tensão que polariza as lutas sociais em muitas partes do Mundo. O caminho que levou aqui foi longo e complicado.. Ainda que pareça mentira, antes de se converter na entidade toda-poderosa que é actualmente, o Fundo teve uma época em que foi considerado como uma revolução para o Mundo, o que abriria a porta a uma nova era de prosperidade sem limites. Inclusivamente, até há pouco tempo, teve uma época em que foi considerada uma instituição supérflua em vias de extinção. Contudo, tudo isso mudou.
Fundado em 1955, o FMI começou a operar em 1947. Supõe-se que seja a principal instituição supracional que regula as finanças dos Estados. O seu ideário enquadra-se numa visão capitalista liberal clássica de como devem funcionar as economias.
Em teoria, o FMI enquadra-se na estrutura das Nações Unidas. É a instituição central do sistema monetário internacional, controlando as políticas económicas dos países-membros e actuando como um fundo de reserva que pode ser utilizado pelos países que necessitam de financiamento temporário para fazer frente aos seus problemas de balança de pagamentos.
O Fundo centra-se principalmente nas políticas macroeconómicas dos governos: os orçamentos do estado, a gestão do dinheiro, o crédito, o tipo de cambio e as políticas financeiras, incluindo a regulação e supervisão dos bancos e outras instituições financeiras.
O Conselho Executivo reúne-se três vezes por semana na sede do fundo em Washington.
 Os cinco principais  accionistas do FMI (EUA, Japão, Alemanha, França e Reino unido), juntamente com a China, a Rússia e a Arábia Saudita, têm o seu assento permanente no Conselho. Ou seja, a representação deste órgão inclina-se a favor dos países credores.
Dos 24 assentos disponíveis estão actualmente ocupados por países em desenvolvimento, ainda que colectivamente, pela ponderação de votos, apenas contem com 2,6% do poder decisório do órgão. Aqui não funciona «um homem, um voto», ou neste caso, «um país, um voto». Cada  país tem um poder de voto estabelecido dentro do organismo, que é calculado dependendo do tamanho da sua economia (PIB), as suas reservas internacionais e outras variáveis económicas. As decisões devem ser tomadas com uma maioria de 70%, ainda que algumas decisões particularmente delicadas sejam tomadas com uma maioria de 85%.
Uma vez que os EUA possuem 16,47% dos votos, o sistema outorga-lhe praticamente o poder de veto sobre estas decisões, uma vez que os restantes países não chegam a 85%.
No total existem 24 directores-executivos eleitos entre os países membros do Fundo. Apenas os EUA, o Japão, a Alemanha, a França e o Reino Unido podem eleger um director sem a  ajuda de nenhum país.
Graças à sua influência, a China, a Arábia saudita e a Rússia elegem um director cada uma. Os restantes 16 directores são eleitos por blocos de países. cada director tem um direito de voto que pode ir desde os 16,47% dos EUA aos 1,34% que os 24 países africanos juntos conseguiram a grande custo. Sem comentários!

A maior parte das decisões são tomadas por consenso. Quando não se consegue o consenso, uma simples maioria de votos resolve rapidamente a questão graças ao esmagador domínio dos países credores. Documentos e informações sobre as deliberações, sobre as deliberações do Conselho são preparados por pessoal do FMI, às vezes em colaboração com o pessoal do Banco Mundial. Até há pouco tempo, a organização tinha cerca de 2800 empregados contratados procedentes de 133 países, 2/3 do pessoal são economistas. A maioria trabalha em Washington, com a notável excepção de cerca de 80 representantes residentes, que vivem nos países-membros, de onde assessoram os governos sobre a política económica.
Os recursos financeiros do FMI procedem sobretudo das contribuições que os países pagam quando se juntam à organização ou depois das revisões periódicas, quando as quotas são aumentadas. O dinheiro total procedente das quotas determina o montante da contribuição de um país, o seu poder de voto, e o montante de financiamento que pode receber do Fundo. Desde janeiro de 2009 de 1999, as quotas do FMI totalizaram 290 mil milhões de dólares, ainda que o FMI tenha uma reserva adicional de 46 mil milhões para situações de emergência.
Os países, de uma maneira geral, pedem ajuda ao FMI quando têm problemas na balança de pagamentos, ou seja, não têm moeda estrangeira suficiente para pagar as importações, algo bastante importante, uma vez que algumas importações são vitais para as economias, e é uma circunstância que geralmente costuma ir acompanhada de outros sinais económicos de crise, como a moeda nacional estar sob ataque dos mercados de divisas, as reservas se estejam a esgotar ou que a economia esteja debilitada.
A ajuda é prestada sob diversas condições, que consistem na implantação de políticas que o governo tem de pôr em práctica para convencer o FMI de que será capaz de devolver o empréstimo num período de tempo entre 1 a 5 anos.
Estas medidas de controlo constituem o contexto em que o Fundo assegura garantias de solvência em relação ao dinheiro que empresta. Com o passar do tempo, produziu-se um número de condições estabelecidas, abarcando temas como o emprego público, a privatização e reforma das empresas públicas, a política comercial, preços, segurança social e outras como a liberalização do comércio e os preços ou a reorganização do mercado de trabalho.
A controrvérsia nos países que são afectados por estas medidas costuma ser enorme.
Actualmente, todos os devedores do FMI são países em desenvolvimento, pós-comunistas, mercados emergentes ou países que recuperam de crises financeiras. Contudo, o Fundo, ao longo do tempo, foi adquirindo má fama justificada que levou a que muitos países prefiram procurar financiamento por outras vias em vez de pedir emprestado ao FMI, que se converte, quase sempre, em último recurso.
Apesar do que diz a propaganda, o FMI não é uma agência de ajuda ou um banco para o desenvolvimento. O FMI espera que os devedores dêem prioridade ao pagamento pontual das suas dívidas para a instituição utilizando diversos procedimentos para impedir a acumulação de atrasos. Na maioria dos casos, o FMI proporciona apenas uma pequena parte das necessidades de financiamento.
Ao ingressar no FMI, os diversos países declinaram alguns dos seus direitos de soberania económica, sobretudo na forma como fixavam os seus tipos de câmbio, em contrapartida de condições colectivas de estabilidade cambiária, evitando desvalorizações de moeda competitivas.
A partir de 1977, o papel do FMI deixou efectivamente de ser um meio de controlo de tipos de câmbio , principalmente entre os países industrializados, para se tornar um meio de controlo do 1º Mundo sobre a política económica do 3º Mundo.

Exemplos de intervenção externa desastrosa:
Depois de subir a um ritmo de 12% ao ano na década de 1970, os preços baixaram drasticamente na década de 1980, dando lugar a uma situação catastrófica para os países que dependiam da exportação de matérias-primas. Em 1982, a dívida total dos países do 3º Mundo encontrava-se nos 600 mil milhões de dólares. 
Entre 1977 e 1981, o México teve taxas de crescimento económico de mais de 8% ao ano. Contudo, as taxas de juro internacionais estavam a subir, e o México começou a ter cada vez mais dificuldades em obter novos empréstimos. Em meados de 1982, as entradas de capital no país tinham praticamente cessado. O FMI aprovou um empréstimo, com a condição de terem de aceitar os programas de ajuste estrutural que a instituição havia elaborado para o México.
A partir de 1982, o FMI emprestou maciçamente ao México, com duas condições:
1)Utilizar o dinheiro para reembolsar os bancos privados.
2)Aplicar uma política de ajuste estrutural (redução de despesas sociais e de infraestruturas, um programa de privatizações, aumento dos tipos de juros, aumento de impostos directos...).
A partir de 1982, o povo mexicano arruinava-se em benefício dos diferentes credores. De facto, o FMI e o Banco Mundial souberam ser reembolsados até ao último cêntimo do que haviam emprestado ao México para pagar aos bancos privados. O país encontrava-se submetido inexoravelmente à lógica do ajuste estrutural. Num primeiro momento, o tratamento de choque imposto em 1982 produziu uma forte recessão,  perdas maciças de empregos e uma enorme perda do poder de compra. depois, as medias estruturais traduziram-se na privatização de centenas de empresas públicas. A concentração da riqueza e de grande parte do património nas mãos de alguns grandes grupos industriais e financeiros mexicanos e estrangeiros foi colossal.
O Brasil foi protagonista seguinte da grande crise da dívida.

Como muitos países do 3º mundo, o Brasil endividou-se fortemente, especialmente com a construção de grandes projectos de infraestruturas energéticas e de transporte.
O FMI impôs ao Brasil um regime similar ao aplicado ao México: desvalorização da moeda, salários reais mais baixos, cortes nos subsídios do governo, e tudo isso teve como resultado uma enorme instabilidade económica e social. Em meados da década de 1980, 3/4 partes dos países da América latina e 2/3 dos países africanos estavam sob algum tipo de supervisão por parte do FMI e do Banco Mundial.
Para assegurar que os empréstimos seriam reembolsados, o FMI e a banca comercial desenvolveram uma difícil relação de apoio mútuo.
O FMI protegia os interesses dos bancos devedores em troca da sua contribuição com mais dinheiro para os empréstimos internacionais. No final, os cidadãos dos países devedores pagariam o preço em termos de desemprego, cortes nos serviços e preços mais altos para os bens de primeira necessidade.
Numa tentativa de assegurar o pagamento parcial, os bancos comerciais começaram a vender os empréstimos. os investidores privados começaram a especular sobre o valor das moedas e dos investimentos, desestabilizando ainda mais as economias que era suposto o FMI ter de estabilizar.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Carrascos

Ai o povo é que é o vosso carrasco?
Estes governantes é que são o carrasco do povo!
Não foram eleitos para terem medo e serem desrespeitados? Temos pena os eleitores não votaram em mentiras, não votaram em swaps, BPN's, Banifs, PPP's, não votaram para perderem direitos que vocês dizem ser adquiridos e nocivos ao desenvolvimento económico.
Se querem ser respeitados dêem-se ao respeito!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Rigor Mortis



"O rigor apresentado pelo governo, pela Alemanha, pela troika, pela Comissão Europeia e pelo Conselho Europeu por unanimidade é hoje provadamente o rigor mortis, os cadáveres somos nós, os europeus do Sul esmagados por várias armas de destruição em massa: uma política de austeridade assassina, uma moeda disfuncional, que, não sendo apátrida, é fundamentalmente alemã, e a Alemanha é um país onde não existe qualquer apoio político para desencadear os mecanismos de resolução de crise, como a mutualização da dívida, vulgo eurobonds.
Depois de três longos anos de crise, os europeus do Sul já deviam ter percebido que o que os espera é a dizimação - e agir em conformidade. Não será nunca possível esperar que o governo de Lisboa (que entregou a Frankfurt a pasta das Finanças) dirija qualquer levantamento contra as políticas de austeridade dentro do euro.
Afinal Passos queria "ir além da troika", desmantelar o Estado e deixar Portugal com o nível salarial do Bangladesh para obter "competitividade". Mas é duvidoso que outros sinais de desagrado mais evidentes - que chegam a Itália, do novo primeiro-ministro Letta, ou até da Grécia - consigam obter qualquer tipo de resultado.
Gaspar condena-nos ao rigor mortis (a queda de 1700 milhões nas prestações sociais é um indicador claro) e depois descobre "a retoma", baseado provavelmente na mesma calculadora que usou e falhou todas as previsões em que se meteu. Segundo o Documento de Estratégia Orçamental, o consumo interno vai aumentar em 2014 - apesar de ser o ano, segundo o mesmo documento, que vai registar a maior taxa de desemprego de sempre. A menos que Gaspar tenha incluído nas previsões os eventuais prémios de Euromilhões que venham a cair em Portugal, é totalmente incompreensível até para um leigo porque diabo a procura interna há-de subir se não há dinheiro - o que acontece sempre que não há emprego. Se um dia se descobrir que Gaspar tinha um problema psiquiátrico que lhe toldou o pensamento e as contas, talvez os portugueses manifestem alguma compreensão.
Passos Coelho avisa que a alternativa ao rigor mortis é sair do euro, fazer uma desvalorização da moeda e de salários reais e ficar sem dinheiro para comprar coisas importadas. 
Cada vez mais são os que estão disponíveis para aceitar esse tipo der condições a troco de mais emprego (a taxa de desemprego era de 8% nos anos negros de 1983-85), que virá do aumento das exportações com uma moeda mais fraca. Catástrofe é o que existe e que, por variadíssimas razoes, é irreversível: o statu quo europeu, a guerra Norte-Sul, a impossibilidade de transformar a Europa numa espécie de Estados Unidos. Alguém já escreveu que para salvar o que resta das aquisições da união Europeia é preciso acabar com o euro. Esse deveria ser o objectivo dos próximos Conselhos Europeus: uma estratégia para acabar com o euro com o mínimo de danos possível."

Ana Sá Lopes Editorial do jornal i 2 de Maio de 2013


ionline.

sábado, 20 de abril de 2013

Portugal: 2ª pior economia da Europa e 4ª pior economia do Mundo


PORTUGAL É A 4ª PIOR ECONOMIA DO MUNDO

"Portugal é a segunda pior economia da Europa (se excluirmos a república de São Marino, um pequeno enclave com 61 quilómetros quadrados localizado em Itália) e a quarta pior do Mundo, segundo o relatório ‘World Economic Outlook', divulgado ontem pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em 2012, a riqueza nacional caiu 3,2%, valor só superado pela diminuição da riqueza na Grécia (6,4%), no Sudão (4,4%) e em São Marino (4%).

O organismo liderado por Christine Lagarde considera que o nosso país tem das finanças públicas mais insustentáveis do Mundo. O envelhecimento da população, conjugado com uma elevada dívida pública (mais de 122% do PIB) e um débil crescimento económico (0,6% em 2014), coloca Portugal no grupo dos países de risco.

Segundo as contas do FMI, para que a dívida pública atinja os 60% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2030, o governo tem de fazer cortes permanentes da ordem dos 8,9% do PIB. São cerca de 15 mil milhões de euros (a preços de 2013), quase quatro vezes mais do que aquilo que Passos pretende cortar até 2015.

A Zona Euro é o espaço económico que apresenta maiores riscos (com uma desaceleração de 0,3% este ano), com todos os países a sofrerem revisões em baixa.

Para a economia mundial, as revisões face à projeção de janeiro reduzem o crescimento esperado de 3,5% do PIB mundial para 3,3%, mantendo no entanto a estimativa para 2014 nos 4%.

A recuperação económica na Zona Euro deverá regressar de forma gradual durante este ano, à medida que o ritmo de consolidação orçamental for diminuindo, diz o FMI, que defende que a dimensão dos desafios orçamentais que se colocam pode levar a que sejam consideradas políticas alternativas, alertando ainda para os riscos de permitir o aumento da inflação e recomendando a venda de ativos públicos.

cm"



visao/portugal-2-e-4-pior-economia-da-europa-e-do-mundo

www.cmjornal

Isto é mau demais para ser verdade! Já nem sei o que dizer ou acreditar...
Agradeçam ao trio viriato PS's-PSD's-CD's do costume.

A solução para a crise do Euro

Afinal a solução para esta confusão toda do Euro pode ser bem mais simples do que se pensa, em vez de se especular em eliminar países do clube do Euro, como a Grécia ou Portugal, porque não ser a Alemanha, a poderosa, perfeita, a sair pelo seu próprio pé e assim escusar-se com as maçadas de ter de ajudar com o seu dinheiro, dos seus contribuintes, os países do sul, como diz a sua propaganda pública bem recebida na Alemanha?
Se os alemães são tão bons tão bons de certo estão até melhor fora do Euro, força nisso, saiam eles.
Esta ideia foi defendida por George Soros, 30º homem mais rico do Mundo!
Soros disse mesmo que a saída da Alemanha do Euro teria um efeito medicinal nas economias periféricas.
Ler mais:
jornal de negocios.
Com a recente emigração forçada de milhares de cidadãos europeus da chamada periferia da Europa (Portugal, Espanha, Itália e Grécia) para a Alemanha se isto continua assim qualquer dia têm de fechar as fronteiras e violar o espaço Shengen, possa ser também que um dia destes, Bruxelas acorde invadida por milhões de europeus com as vidas desfeitas pela austeridade a reividicar o fim da moeda única.
Se isto continua assim que será deste continente onde milhões de licenciados à custa de dinheiros públicos não conseguem arranjar tão pouco o primeiro emprego?
De referir que o desemprego na União Europeia atinge mais de 26 milhões de pessoas, 19 milhões na zona Euro.

"A austeridade já deu provas mais do que suficientes de que não funciona, de que se derrota a si própria e vai contra os mais elementares princípios de justiça consagrados nas constituições democráticas. Não pode ser Portugal, bem como os restantes países da periferia europeia, a pagar pelos resultados de uma união monetária que, na sua actual forma, é disfuncional. Todos são responsáveis por uma construção deficiente do euro, mas há países que beneficiam com ela e outros que têm sido objectivamente prejudicados."  Pedro Nuno Santos jornal i10 de Abril



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1 em cada 5 sem-abrigos na Grécia tem curso superior

A televisão e media em geral tem andado muito caladinha com o que se anda a passar na Grécia...pudera! A receita de austeridade que nos aplicam a nós é a receita grega e os seus efeitos serão devastadores...a Grécia está a transformar-se num país de 3º Mundo, humilhada, vergada, despojada...e tudo com o complacente silêncio europeu e uns comentários tontos de muitos portugueses "é bem feita para os gregos", "nós não somos a Grécia", "eles partem tudo e têm logo a seguir dinheiro a gente é que está mal".
Enfim, o que se está a passar é uma crise humanitária gravíssima!
O desemprego oficial já vai em 27% e a pobreza alastra, uma nova vaga de sem-abrigos invade as ruas de Atenas...pelo menos 1 em cada 5 deles são jovens e têm curso superior! (ler: um-em-cada-cinco-sem-abrigo-tem-um-curso-superior), a isto desgraça-se a dor e miséria de milhares de animais de estimação abandonados pelos seus donos que se calhar muito provavelmente também ficaram sem casa (crise-na-grecia-milhares-de-caes-gatos-abandonados), e no chipre já animais a morrer à fome nos canis devido ao congelamento de capitais imposto pela UE (apelo-desesperado-do-chipre).

E como senão bastasse agora o neo-fascismo europeu sob forma de uma chancelaria germânica quer impôr uma lei que dê pisão a quem se imponha contra a UE...(ler:http://www.beinternacional.eu/pt-pt/the-week/week/prisao-para-os-gregos-que-discordem-da-uniao-europeia).
Querem ver que é mesmo a 3ª vez que a Europa se suicida com a Alemanha no posto de comando? Espero bem que não mas estas atitudes cheiram a fascismo...

Ver: nova Geração de sem abrigos na Grécia

...mas insistem em dizer que a Grécia "está num bom caminho"

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Viver mal sai caríssimo

Carta aos 19%

Ricardo Araújo Pereira | Quarta feira, 27 de Março in Visão

"A tua necessidade de arranjar um emprego está muito acima das tuas possibilidades. É possível que a tua necessidade de comer também esteja
Caro desempregado,
Em nome de Portugal, gostaria de agradecer o teu contributo para o sucesso económico do nosso país. Portugal tem tido um desempenho exemplar, e o ajustamento está a ser muito bem-sucedido, o que não seria possível sem a tua presença permanente na fila para o centro de emprego. Está a ser feito um enorme esforço para que Portugal recupere a confiança dos mercados e, pelos vistos, os mercados só confiam em Portugal se tu não puderes trabalhar. O teu desemprego, embora possa ser ligeiramente desagradável para ti, é medicinal para a nossa economia. Os investidores não apostam no nosso país se souberem que tu arranjaste emprego. Preferem emprestar dinheiro a pessoas desempregadas.
Antigamente, estávamos todos a viver acima das nossas possibilidades. Agora estamos só a viver, o que aparentemente continua a estar acima das nossas possibilidades. Começamos a perceber que as nossas necessidades estão acima das nossas possibilidades. A tua necessidade de arranjar um emprego está muito acima das tuas possibilidades. É possível que a tua necessidade de comer também esteja. Tens de pagar impostos acima das tuas possibilidades para poderes viver abaixo das tuas necessidades. Viver mal é caríssimo.
Não estás sozinho. O governo prepara-se para propor rescisões amigáveis a milhares de funcionários públicos. Vais ter companhia. Segundo o primeiro-ministro, as rescisões não são despedimentos, são janelas de oportunidade. O melhor é agasalhares-te bem, porque o governo tem aberto tantas janelas de oportunidade que se torna difícil evitar as correntes de ar de oportunidade. Há quem sinta a tentação de se abeirar de uma destas janelas de oportunidade e de se atirar cá para baixo. É mal pensado. Temos uma dívida enorme para pagar, e a melhor maneira de conseguir pagá-la é impedir que um quinto dos trabalhadores possa produzir. Aceita a tua função neste processo e não esperneies.
Tem calma. E não te preocupes. O teu desemprego está dentro das previsões do governo. Que diabo, isso tem de te tranquilizar de algum modo. Felizmente, a tua miséria não apanhou ninguém de surpresa, o que é excelente. A miséria previsível é a preferida de toda a gente. Repara como o governo te preparou para a crise. Se acontecer a Portugal o mesmo que ao Chipre, é deixá-los ir à tua conta bancária confiscar uma parcela dos teus depósitos. Já não tens lá nada para ser confiscado. Podes ficar tranquilo. E não tens nada que agradecer."

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Eles também morrem

Foi o dinheiro dos outros, da sociedade que disse não existir, que pagou o seu funeral faraónico de 12 milhões de euros....


"O imperador romano Adriano, construtor de um império vastíssimo e autor da famosa muralha de Adriano na Britânia, foi um dos homens mais poderosos que alguma vez existira. Toda a vida conjugou a acção com uma reflexão sobre o poder, a natureza dos homens e a morte - fosse a morte dos soldados inimigos e das populações vencidas, fosse a dos soldados inimigos e das populações vencidas, fosse a morte dos soldados inimigos e das populações vencidas, fosse a dos seus próximos e mais amados, fosse a sua própria morte. Quis ele próprio, aliás, decidir da sua própria morte- porém, nenhum dos seus próximos quis cumprir a ordem de o matar e, assim, permitir-lhe chegar dignamente ao seu fim, como era admissível naqueles tempos.
O livro de Marguerite Yourcenar sobre Adriano é pródigo em testemunhos desta relação do imperador com a morte - encarada como um limite que, impondo uma finitude à vida, permitia a imortalidade, caso as acções tivessem sido justas e disso merecedoras. A justiça de uma vida continha a ideia de construção: "Construir é colaborar com a terra: é colocar uma marca humana sobre uma paisagem que assim será para sempre modificada; é contribuir também para esta modificação lenta que é a vida das cidades. Quantos cuidados para encontrar o lugar exacto de um ponto ou de uma fonte, para dar forma a um caminho de montanha, aquela curva mais económica que no mesmo tempo se revela a mais pura...", escreveu Yourcenar nas suas Memórias de Adriano (1951).
Marco Aurélio, outro imperador atraído pela doutrina estóica, escreveu nos seus Pensamentos: "Ainda que devesses viver três vezes mil anos e mesmo outro tanto dez mil vezes, lembra-te sempre que ninguém perde outra existências e não a que vive e que não vive a que perde."
A nenhum destes homens, ambos detentores de um extraordinário poder, interessou alcançar a imortalidade pela manutenção e o uso do poder. O poder que têm é um instrumento de acção para e pelo bem comum, e neste ciclo inclui o bem da natureza a que se pertence.
Claro que são hoje exemplos clássicos; claro que eram outros os tempos e as condições da História; claro que cometeram muitas injustiças; claro que o exercício do poder suponha outras condições, mas também eram os outros os limites e o outros os riscos, entre os quais o de ser assassinado.
Não é o caso dos governantes de hoje, entre os quais os nosso governantes europeus, para aquém o poder e manutenção do poder são fins em si. Impreparados para agir com a humanidade e com a natureza, ignorantes, irreflectidos, muito cedo se alheiam dos seus compatriotas -dos governados e, até, dos que os elegeram - e cedo passam a enfermar do narcisismo patológico do poder. 
Não é necessário explicar muito: motoristas à disposição, percursos de casa ao avião  sem passar pelos controlos e e sem se misturarem com as multidões, a possibilidade de dar ordens sem contestação dos  súbditos mais directos, a dispensa de pagar as contas, de contar o dinheiro, os trocos, de fazer uma reserva de bilhetes, de hotel, de restaurante, enfim, o luxo dos séquitos, todas as facilidades que o poder traz consigo provocam nestes governantes sem lastro nem história a sensação que são imortais. 
Infelizmente, parece que viver neste limbo de conforto, com amnésia do que é ser-se um ser comum, leva à perda da compaixão. Leva também, por outro lado, a evitar ou a fintar o medo, o que, curiosamente, revela alguma cautela perante a morte. 
[..]Estes nossos governantes parecem ter abandonado a humanidade que inegavelmente fazem parte, pois não só deixaram de ouvir os que representam como se negam a agir por esses representados e para eles, como se estivessem já colocados no padrão inalterável da imortalidade.
Não podemos limitar a grandeza de ser e de agir apenas aos antigos e aos clássicos. Também entre estes houve facínoras e ditadores. E nem todo o mal da humanidade ou de um povo decorre apenas da acção voluntária de um governante. 
Contudo, todas as circunstâncias do poder são circuntâncias de adversidade, e o que distingue os bons dos maus governantes é uma diferença radical no uso e nos instrumentos do poder. Onde uns - os bons governantes - cuidam dos governados, aos outros - os maus governantes - apenas interessa a manutenção do seu próprio poder, encenada ora com mais pompa, ora com mais mau gosto, mais anafada.
O invés de exaltarem a alegria, os nossos maus governantes exaltam o sofrimento, apelam ao sacrifício e regozijam com ele- e, na sua perversidade máxima, declaram entender a tristeza e condenam a alegria.
Nessa encenação grosseira do poder já sentem e se convencem de que não estão sujeitos a um fim. Parece que já ultrapassaram a morte, não pelo construíram, não pelas acções para o bem comum, não porque a justiça dos seus actos seja tão exemplar que os torne imortais, mas porque, uma vez imortais, são impunes. E se, por vezes, ainda podem ser acometidos pelo medo, negam-no - e assim negam essa pequena parcela que era o seu último reduto de humanidade. 
Há aquela canção do Arnaldo Antunes: "Saiba/Todo o mundo vai morrer/ Presidente, general ou rei/ Anglo-saxão ou muçulmano/Todo e qualquer ser humano(..)".

António Pinto Ribeiro in jornal ípsilon (data certa não sei, mas foi em Abril de 2013)
(escrito antes da morte de Thatcher, e estava ilustrado com uma foto de Merkel e Passos Coelho, no entanto achei adequado dedicar este texto a Thatcher...um dia também será a vez de Merkel como foi a vez de Lenine, Estaline, Hitler, Pinochet, Salazar...e de todos nós...porque eles, os poderosos são no fundo humanos como todos...e muitos deles apenas um desperdício de vida que leva os outros e perder a sua qualidade de vida...  ).


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Em contrapartida, tem gente tão pobre tão pobre que a única coisa que tem na vida é dinheiro!