segunda-feira, 23 de novembro de 2020

O inimigo do teletrabalho

 Um dos maiores problemas do teletrabalho é que pelo sim pelo não a produtividade tem de estar lá e se isso se traduzir em ter de fazer horas extra ordinárias para lá chegar, é isso que vai ter de acontecer. Não me espanta que numa época pós pandemia os escritórios fisicos desapareçam de vez pois é possível a muitas empresas manter o nível de produtividade sem gastar dinheiro na renda do escritório, água, luz, internet e limpezas...até se possível a erradicação do subsídio de alimentação. Isto tráz consequências nefastas do ponto de vista económico já que o pesssoal da limpeza perde o emprego mas também muitos restaurantes e cafés que vão acabar por fechar.

Em cima de tudo isto, do ponto de vista de carreira, uma pessoa que passe a vida a fazer carreira como uma doméstica em frente a um PC é algo absolutamente desinteressante e acredito que apesar de ser a tendência, vai afastar muitos jovens desse rumo, até porque nem sequer é fácil fazer um bom trabalho remoto sem experiência sólida, daí também a tendência de muitos teletrabalhos praticamente procurarem perfis séniores ou mid séniores.
É uma questão de tempo até a Inteligência Artificial tomar conta do mercado de trabalho e aí de vez as pessoas pararem de representar qualquer custo para as empresas...mas as máquinas não pagam impostos...

quinta-feira, 26 de março de 2020

A dor de perder um animal...

Mingau, não eras só mais um gato, eras um anjo, eras o meu anjo da guarda. Fizeste parte ds minha vida duarnte quase 17 anos e apanhaste as minhas melhores e piores fases sempre reconfortando-me nas piores...sei que ja estavas muito velhinho e doente mas mesmo assim sempre lutavas por existir mais um dia, aliás hoje antes de desapareceres ainda foste comer.Eu não estava preparada para te deixar, egoísmo talvez eu sei porque já definhavas mas ainda lutavas e a tua mera existência mesmo que frágil alegrava o meu dia.Hoje a casa está mais vazia, e a minha vida também, mas acho que o que mais custou foi estar contigo enquanto respiravas sofregamente os últimos segundos de vida e agoniavas e eu nada podia fazer sem ser chorar e soluçar...depois paraste e deste o último suspiro e a tua vida foi-se mas mantiveste esses olhos azuis abertos, que são os mais bonitos que vi. Pode ser "futilidade" para muita gente alguém chorar assim por um animal de estimação,mas eles são parte da família e mesmo tendo vivido muitos anos custa ficar sem eles. Mas talvez mais que isso o que me impressionou mais foi que o processo de doença e morte do meu gato é igual a tantas coisas vivas, incluindo pessoas. O tempo passa, o corpo adoece, e a morte vai pairando sorrateiramnete até que um dia ataca e é fulminante, deixa o corpo para trás leva a alma, pára a existência. Sei que agora já não sofres mais Mingau, e sei que tu sabes que eu estive contigo até o teu último suspiro e que te adorava. Diz-se que "aquele que não é capaz de amar um animal não é capaz de amar ninguém", e tu ensinaste-me o que é ter essa capacidade. Foste embora do Mundo mas eu vou me lembrar de ti para sempre.
Até sempre meu anjo dos olhos azuis
Mingau 2004-2020
🐾🐾🐾💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔

quarta-feira, 18 de março de 2020

Coronavirus e ameaça silenciosa do FASCISMO



É mesmo difícil falar com alguém ultimamente porque nesta vida podemos não acreditar em Deus, em nós mesmos, no que quer que seja menos nas notícias....se alguém não acredita nas notícias é doente mental, e eu sou tomada por isso, eu e muitos chamados de "teóricos da conspiração" que simplesmente duvidam das narrativas impostas e que por isso mesmo muitos acham que devem ser silenciados, na internet e por aí em diante.
As notícias sempre mentiram, para além de que o tipo de informação que chega às massas é cuidadosamente controlado e com um fim próprio muitas das vezes para implementar agendas políticas. Talvez haja mesmo muita gente a morrer deste vírus, talvez não e os números que se fala na TV seja para impôr medo às pessoas, talvez sejam mortes de gripes normais, pneumonias, cancros mas junta-se tudo na agenda deste novo vírus. Segundo este site o normal era morrerem 1750 pessoas por dia em Itália (ver: https://reason.com/2020/03/17/italian-daily-death-rate-up-20-because-of-coronavirus-lombardy-up-about-80/), antes do coronavirus.
MAS os media mentem nos números de tudo, até chegando a reportar ataques terroristas que nunca aconteceram, não me admirava que desta vez fosse igual.
Este site estima a média de mortalidade por coronavirus é 3% (ver:https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/03/14/taxa-de-letalidade-do-sars-cov-2-e-maior-que-a-da-gripe-mas-e-a-menor-da-familia-coronavirus-veja-comparativos.ghtml), sendo que nos media convencionais ouvia-se falar em 2%, sintomas tão comuns como a gripe ou quase nenhuns verdade, sendo que a maior parte das pessoas apanha e cura-se sozinho...e  faz-se este alarido a ponto fechar países, fronteiras, e matar uma economia à fome com recomendação e agora ordem para fechar tudo por tempo indeterminado?
Agora não dão mais notícias no mundo? Não se morre de mais nada no mundo? Quantas pessoas morrerão por falta de assistência médica devido a estarem apenas a canalizar recursos para esta doença negligenciando as outras doenças?

Espero bem que não, mas dizem que o nosso querido Presidente da República deverá decretar hoje o Estado de Emergência, sendo que até hoje, dia 18 de Março apenas morreram 2 pessoas infectadas por esse tal vírus, supostamente.
Da tal notícia saliento os pontos mais importantes:


"Ao ser declarado o estado de emergência, tem de ficar determinado na resolução da Assembleia da República o âmbito territorial, a duração, a especificação dos direitos, liberdades e garantias que ficam suspensas ou restringidas. 

[...]
Pode ser determinada a fixação de residência ou detenção de pessoas com fundamento em violação das normas de segurança em vigor 
[...]
A suspensão ou a restrição de direitos, liberdades e garantias devem limitar-se, nomeadamente quanto à sua extensão, à sua duração e aos meios utilizados, ao estritamente necessário ao pronto restabelecimento da normalidade. Não podendo prolongar-se por mais de 15 dias, sem prejuízo de eventual renovação por um ou mais períodos, com igual limite, no caso de subsistência das suas causas determinantes.
A violação do disposto na declaração do estado de emergência ou na presente lei, nomeadamente quanto à execução daquela, faz incorrer os respetivos autores em crime de desobediência."
Ora eu nunca li algo tão presumivelmente fascista, muito ao estilo do livro de uma sociedade distópica futura "1984" de George Orwelll...como em democracia pode ser aceitável aceitar perder liberdades? Mas só por 15 dias não é ? Ou mais...não se sabe depende do surto, enquanto por todo o Globo se vêem estas medidas de reclusão voluntária e depois forçad a ser implementadas ? 
Sendo este vírus real ou não, perigoso ou inofensivo não posso deixar de realçar as grandes agendas da Nova Ordem Mundial (para além da redução de população que muita gente acha que pode inclusive ser feita através de vacinas):
1-Lei marcial ou policial, em que os cidadãos serão coagidos por forças militares e policiais a seguir regras com medo de represálias com base no uso de força e encarceramento em massa (daí à tortura e morte de pessoas inconformistas é um passinho).
2-Remoção do dinheiro físico da circulação, passando apenas a ser usado o virtual (o que deixará muitas pessoas de fora, nomeadamente desempregados que não recebem transferências bancárias do Estado e mendigos e pessoas pobres que recebem ajudas em esmolas....tudo isto apenas trará mais poder aos bancos e aos sistemas informáticos, para basicamente retirar todo o dinheiro a todas as pessoas basta um delete num ecrã de um computador e fecham a torneira, para além de dar muito mais poder e informação ao Estado sobre o património monetário dos cidadãos....as pessoas são levadas a achar bem estas medidas por causa da evasão fiscal de pessoas normais que não pedem factura quando vão ao restaurante por exemplo, enquanto os banqueiros fazem os maiores saques possíveis e imaginários chegando ao cúmulo de como está hoje a acontecer de nos cobrarem por  levantarmos o nosso dinheiro da conta ou termos dinheiro na conta, uma tal taxa de manutenção dizem, enquanto usam a seu belo proveito o dinheiro de todos em empréstimos e jogatanas da bolsa e distribuem bónus entre eles, sim porque mesmo que uma pessoa tenha uma poupança de uma vida considerável o dinheiro é volátil e pode desaparecer por artes mágicas já que TODO o dinheiro que existe está sempre em circulação, na sua conta poupança apenas tem os bits de informação, o resultado dos códigos de programas de que tem aquele valor no banco, o dinheiro em si não existe, apenas a informação de que existe).
3-Vacinação em massa e obrigatória para toda a população (e muitos acham que é a cura milagrosa mesmo que se estejam, a injectar com o vírus em si, para ganhar defesas dizem, mais mercúrio e chumbo...quanto a esta questão da vacinação não tenho uma ideia propriamente de favor ou contra mas sim de cepticismo, porque uma pessoa vacinada não é problema para uma vacinada já que a vacinada está protegida dizem, então não entendo o problema de aceitarem que haja pessoas que não querem ser vacinadas, talvez se informarem melhor as populações sobre o que é as vacinas elas entendam que as devem tomar ou não.. Outra razão poderia ser a de ganhar dinheiro com a tal suposta vacina milagre ao vendê-la a peso de ouro a uma sociedade assustada).
4-Restrição e remoção de liberdades de movimentos (agora só se pode sair para ir ao supermercado ou farmácia dizem, não se pode viajar, seremos presos na nossa própria casa e vamos aceitá-lo).
5-Criminalização de assembelias públicas e manifestações (uma forma engenhosa de se livrarem dos rebeldes que se manifestam e lutam pelos seus direitos, já que já decretaram  em alguns países que 5 pessoas em convívio já é um ajuntamento).
6-Desencadear uma recessão económica e desviar a culpa dos banqueiros, que na realidade a causaram enquanto mais uma vez roubam o dinheiro das pessoas e culpam na tal crise desencadeada pelo tal vírus.
7-Aumento do controlo central do Estado (que sabe tudo, manda em tudo e todos, tipo um Big Brother).
8-Aumento da vigilância pública (quer através de câmaras fora ou até dentro de casa, quer através das próprias pessoas que se denunciam umas às outras, na internet quando esbarram em informações que não concordam, porque os media normais são as real news e por outros meios decidem que são fake news, quer pelo constrangimento social que impõem aos dissonantes de opiniões, tipo eu quando falo disto a amigos e família e sou ostracizada).
9-Aceitação completa de todas as medidas acima por uma população assustada e mal informada.
Mas que forma tão oportuna de pôr todas as possíveis leis que vão passar por tempo indeterminado com toda a complacência, submissão e apoio do povo?
Ficaria admirada que não aproveitassem que a democracia vai de férias por tempo indeterminado para continuar com os planos maléficos de controlo da tal sociedade distópica que tanto almejam, com a ajuda obviamente dos media, os agentes de propaganda mais eficazes de sempre.
Talvez isto seja só um teste das elites mundiais para testar a reacção das pessoas ao seu grande plano e não seja desta que desmascaram as suas reais intenções de controlo, talvez (e preferia que apesar de tudo, fosse verdade!) um problema de saúde pública (mas duvido que os Governos estejam mesmo preocupados com os 2% da população que morreria ,em teoria, disto), talvez isto seja uma desculpa para impôr o fascismo...não sei, mas não estou a gostar de ver o que está a acontecer e se eventualmente o fantasma do fascismo regressar que não fiquemos em casa a deixar tudo rolar.
Será isto a imposição encartada mundial do fascismo enquanto as pessoas acham que são grandes heróis por ficar em casa a ver netflix e fazer crochet? Ou a materialização do pesadelo que é a criação de uma sociedade distópica orwelliana ao estilo do livro 1984!?
Aguardando as cenas dos próximos capítulos...até lá mantenha-se vigilantes...
BIG BROTHER IS WATCHING YOU!

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

ser adulto é adultério da alma

Ao pé da empresa do meu estágio há um centro funerário....ao voltar atrasada e desmotivada do almoço havia um morto a ser empurrado num caixão para a camioneta funerária e muitas pessoas à volta...não pude deixar de sentir uma leve inveja do morto por já ter concluído este jogo chamado vida que todos perdemos e desperdiçamos a trabalhar em cenas vazias de significado só para receber meia dúzia de tostões (que um estagiário nem recebe obviamente) para podermos pagar contas e impostos para a chulice de uma sociedade e Estado gatuno e ter um tecto para dormir quando voltamos cansados de um dia de labuta merdoso em que é suposto fazermos dinheiro para os outros e receber migalhas do bolo, ser produtivo na sociedade, dizem, agora sim és adulto e tens a tua independência quando no facto mesmo que não vivamos com os nossos queridos pais que nos infantilizam até sairmos do tecto podre deles, seremos sempre escravos de um sistema. A minha convicção é de que somos roubados todos os dias, roubados no nosso tempo energia e sonhos, partículas imateriais que definem a vida em si mesma e como se não bastasse somos roubados em cerca de 6meses legalmente do que ganhamos para alimentar um Estado opressivo e de clientelas que se diz socialista....dizem que isto é contribuir para a sociedade e ter liberdade...eu discordo. A quase completar 28anos de solidão cósmica rodeada de seres que não me entendem e censuram ao mais leve despertar de consciências que a minha visão cândida das coisas revela, eu sei bem, que tenho que apenas fingir ser só mais um deles mas não sou nem nunca serei. Venderam-nos toda a infância e adolescência a ideia que ser adulto é fantástico e por fim seremos livres, mas eu não acreditei...esta fase é a fase de simplesmente pagar coisas com o tempo da nossa vida que alguem decide taxar e cobrar, pagar reformas de outros que já pagaram dos outros e preparamos a nossa velhice à confiança da segurança social e de poupanças em bancos que são peritos em fazê-las desaparecer, só para em teoria podermos morrer na dignidade de um lar a cagar fraldas outra vez, se chegarmos lá, coisa que não quero, pelo meio vendem-nos a ideia que temos de casar e procriar mesmo que nunca encontremos o verdadeiro amor das nossas vidas, apenas alguém à mão, alguém a jeito porque é mais confortável e a miséria gosta de companhia, e como se não bastasse envelhecemos, ficamos enrugados, cansados, doentes e fisicamente nojentos e horríveis. Tempo é mesmo dinheiro na medida em que é com o nosso tempo que nos dão dinheiro e nos tiram. A vida passa-vos ao lado e um dia já acabou, claro que de vez em quando os escravos vão de férias para fugir à realidade da sua servidão e acreditarem que são livres. Ser adulto é uma merda e é para mim ter consciência disso mas fingir que não. Tenho saudades de ser criança, valer por o que era e não pelo que faço ou tenho ou deixo de ter, de ser amada em vez de criticada especialmente por aquelas pessoas em que era suposto ter apoio, compreensão e confiança e não conhecer o mundo como ele é ou o transformaram impondo-nos a ideia que temos de viver assim e copiar a vida de toda a gente sem o menor pensamento e sentimento original....ser adulto é só a pior coisa que nos pode acontecer, o fim da nossa infância é só a pior tragédia das nossas vidas, depois é só somar....já me devia ter habituado dizem, mas não, porque eu lembro-me com nostalgia daquela alegria de viver e daquela pureza de ser que já tive e nunca mais vai regressar. Ser adulto é o princípio do fim de tudo e a minha única consolação é ser das poucas pessoas reais que existem, que ainda sente e pensa com alma e não se envergonha disso. Serei sempre demasiado para as pessoas deste mundo e essa sim, para mim, é a maior vitória e consolação de todas.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Apagar

Ao longo da minha vida concluí que a maior parte dos meus problemas são causados por outras pessoas, mas o problema real não são elas, mas sim a minha reacção e sentimentos para com elas, e a melhor forma de lidar com esse género de pessoas é evitá-las, ignorá-las, desprezá-las e esquece-las se possível. Eu faço isto a toda a gente, porque assim a vida me obrigou, de vez em quando faço uma limpeza e jogo fora da minha vida tudo o que seja lixo humano, desde familiares, a supostos amigos ou conhecidos, quem quer que seja. As pessoas dizem que isto é ser-se vingativa e ressentida só porque eu não quero mais lidar com gente que não me respeita, que me desvaloriza, que me arrelia e tenta destruir a minha paz interior e saúde mental, eu chamo a isto respeito próprio suficiente para não deixar pessoas venenosas mandarem-me abaixo a toda a hora. As pessoas sobrevalorizam a sua existência na minha vida, o que é errado porque de facto eu não preciso delas e nem gosto delas pelas reacções psicopáticas distorcidas que dissimulam e dizem ser "amor", mas eu não acho que alguém que te ame te queira destruir. Eu lidei com os maiores falhanços da minha vida, as maiores desilusões, e as partes mais tristes de todas sozinha a enxugar as próprias lâminas enquanto a minha consciência me dizia "não ligues, vais ficar bem! deixa-te de importar com essa gente que só te querem destruir, tu tens valor!", vez após vez após vez, até que um dia exorcizei os meus demónios que me perseguiam sob a forma humana e os apaguei da minha vida e tudo ficou melhor.

domingo, 17 de julho de 2016

Finalmente campeões

Primeiro eles ignoram-te, depois riem-se de ti e odeiam-te, depois atacam-te e no fim, tu ganhas.
Que isto seja uma lição para o povo português, uma chapada de luva branca na nossa própria descrença das nossas qualidades enquanto indivíduos e até colectivo como país. Sei que já foi há 1 semana, mas pouco interessa visto sermos campeões europeus pelo menos para os próximos 4 anos, todos os dias sempre que acordarmos.
Foi um jogo que tinha tudo para correr mal, especialmente quando os franceses querendo ganhar de forma suja atacaram o Ronaldo até tentarem lesionar outros jogadores, não quererem receber a medalha de prata ou felicitarem o adversário, fazerem uma petição para repetir o euro, um media continuamente imparcial que chamava a equipa oportuguesa de nojenta e que nem merecia estar no Euro...para além das bocas que ouvimos fora de jogos de futebol que somos um país pequeno, irrelevante, que se calhar nem merece estar na Europa, um país sem direito a sonhos nem ambição. Mas foi mesmo na adversidade de perder Ronaldo que a equipa se uniu na concretização de um sonho e acabou por ser o rapaz em que menos acreditavam e gozavam de inclusivamente ser convocado, o rapaz que ficou mais tempo no banco, o Éder...foi ele que fez de nós campeões, algo inédito e muito difícil de conseguir...muitos países nunca terão a oportunidade de passar sequer por esta experiência. Por isso queria agradecer à equipa portuguesa, a qual fui inclusivamente receber, por me mostrar que eu se acreditar nos meus sonhos, trabalhar para isso e ignorar as pessoas que me querem ver mal e derrotada e focar-me nos meus objectivos também conseguirei. Não há nada como sonhar grande mas sim agir pequeno. E que isto sirva de exemplo para os portugueses, somos capazes tão ou até melhor de fazer tudo como qualquer outro país. E a próxima vez que me perguntarem de onde sou, vou ter um orgulho redobrado em dizer: SOU DE PORTUGAL!
Obrigada!

sábado, 31 de outubro de 2015

Ao meu querido avô Manuel


Dirijo esta carta aberta a uma das pessoas mais doces e queridas que conheci, o meu avô paterno Manuel. Publico uma foto dele comigo, muito embora queira que este blogue seja anónimo e muita gente não saiba que tenho blogue, mas a toda a gente que ler este post, quero que saibam como era o meu avô, não quero que a sua face seja esquecida, quero que vejam o quão doce e bondoso ele era, quero que saibam do imenso orgulho que tenho  nele.
Avô, deixaste este Mundo há cerca de dois dias, nunca regressarás mas ficarás para sempre na minha memória e presente na minha vida e pensamento até eu também deixar este Mundo para sempre.
Como neta pesa-me na consciência não te ter visto mais vezes que podia e devia, especialmente na tua última semana de vida no hospital, perdoa-me. Achamos sempre que vamos ter mais tempo e mais tempo mas depois o tempo pára. Tu estavas a sofrer muito eu sei que sentir nada é melhor que ter dores, foste um guerreiro, viveste quase um século, chegaste a fazer 89 anos, tinhas uma doença que te incapacitava de te lembrares de mim e até de ti, da tua vida, tinhas alzheimer, estavas cá mas não totalmente, a tua memória já estava perdida nas memórias de criança e misturavas quem eras com quem foste. Depois com a pneumonia as tuas defesas estavam em baixo, ambos sabemos que tinhas de ir, mas mesmo assim custa saber que já não vives mais.
 Lutaste até ao ultimo minuto, tiveste sempre muitas visitas diárias tanto no hospital como em casa, mas sim continuo a sentir que te devia ter visitado mais, muito mais, abraçar-te mais, ter falado mais contigo mesmo quando já não estavas bem cá, ter-te conhecido melhor e a esse passado duro e pesado que tiveste em criança: 
Sei que vieste criança para Lisboa para ajudar o teu pai a sustentar os teus irmãos mais novos, chegaste a dormir nos esgotos da capital e a comer restos, depois tiveste a grande sorte de conhecer uma rapariga tão linda chamada Noémia e que se tornou no grande amor e companheira de toda uma vida durante mais de 60 anos, quantas pessoas serão felizardas de ter conhecido e ter tido um amor assim tão verdadeiro? um amor assim tão correspondido? (eu ainda não sei o que isso é e tu soubeste cedo que a Noémia era a tua eleita e a Noémia sabia que tu eras o eleito). 
Ainda me lembro de há oito anos terem sido as bodas de ouro e termos festejado no restaurante "Leão de Ouro", aí ainda estavas são e andavas e falavas e sorrias, tu e a avó estavam muitos felizes, quantas pessoas chegam às bodas de ouro nestes dias?
A avó cumpriu com o seu juramento, entregou-se a ti e foi-te fiel nas alegrias e nas tristezas , na saúde e na doença, todos os dias das vossas vidas até que a morte vos separou.Não morreste sozinho, estiveste sempre rodeado das pessoas que gostavam de ti muito embora já não soubesses quem nós éramos.
Tu e avó só tinham o 4º ano mas com muitas dificuldades criaram dois rapazes fantásticos que tiraram curso superior e foram alguém bem sucedido na vida profissional, nunca foste rico em materiais mas uma pessoa super doce rica nas maiores qualidades que algum dinheiro no mundo poderá comprar, e como se não bastasse foste um avó super carinhoso e bondoso para as tuas netas. 
Gostava de ter anotado as tuas memórias, e dizer-te algo que nunca disse mas acho que tanto tú como eu demonstrámos: eu amo-te avô e tive honestamente a sorte de ter tido como avô, de te ter podido conhecer e de ter tido por tantos anos.
Acabaste por morrer no mesmo hospital onde eu e a minha irmã nascemos e onde o pai superou um cancro e mãe se recuperou tendo ficado entre a vida e a morte. Tiveste um fim de vida digno, a morfina anestesiou-te as dores e foste sempre bem cuidado pelos enfermeiros e médicos que mesmo sabendo o quão velhinho eras nunca desistiram para que vivesses mais anos...aguentaste 26 dias no hospital...eu ingenuamente achei que ainda pudesses voltar para casa mesmo ficando acamado. Talvez partir seja mais fácil para quem vai do que para os que ficam.
Hoje foi o teu funeral e fiquei muito surpreendida e feliz por ter visto tanta gente lá, tocaste os corações de muita gente, uniste muito a família pela qual tudo fizeste, vieram amigos e conhecidos, familares, cônjugues de familiares, pessoas que nem conhecias, isso quer dizer que foste deveras importante e foste avô, muita gente chorou mesmo sabendo que com estas idades é normal isto acontecer.
Viveste uma vida longa com o amor da tua vida por mais de 60 anos, a avó Noémia, educaste e viajaste com os teus filhos, foste um avô exemplar e morreste durante o sono sem sentires dor e sem consciência que morreste, morreste amado por todos e serás recordado por todos, para sempre.
Quero agradecer-te por me teres levado e buscado à escola, por me teres levado à piscina e ao parque,  por me teres ensinado a andar de bicicleta, por me teres levado para a casa de campo, pelas histórias que me contaste (como aquela de uma pessoa da tua terra ter vindo para Lisboa e ter ido à mercearia para comprar electricidade em pó e as luzes das estrelas no rio Zêzere que as pessoas do Urgeiro diziam ser bruxas),por seres tão bondoso, amigo e tudo de bom.
Os teus filhos gostavam mesmo de ti, o meu pai nunca te deixou sozinho e despediu-se de ti todos os dias, tratava-lhes por pai já no fim, como é irónico os papeis mudarem não é? no início eras tu a cuidar daqueles seres indefesos que eram os teus filhos e no fim são eles que cuidam de ti. Sabes a minha relação com o teu filho, o meu pai, nunca foi muito fácil desde que cresci, e embora às vezes não pareça eu admiro-o pelo que ele fez por ti e por mim, foi um filho exemplar que cumpriu sempre com as suas funções e como pai sempre foi atencioso e apesar de tudo bondoso, é um homem de família de verdade, como há poucos e foste tu que o ensinaste isso. 
Enquanto estava no funeral a ver o quão triste é desaparecer, pensava tristemente que este será o fim de toda a gente que lá estava também e comecei aos prantos a pensar que um dia talvez sejam os meus pais, ou quando for a avó....pensar que todos somos meros seres biodegradáveis que um dia vamos parar de existir, pensar que apesar de isto ser nada, é um nada que quando acaba me faz sentir uma dor infinita. Talvez este seja o preço de amar e ter tantas boas memórias, sofrer com a perda e morrer de saudades de um passado que nunca mais virá. Dói pensar que o nosso futuro é ir perdendo as pessoas que amamos, dói mesmo e não não posso dizer que isso prova que nada existe, este nada é bem duro de sentir. Dói pensar que um dia todos seremos apenas memórias e dói este sentimento de perda embora já achasse que estava preparada para te perder de vez.
Mas talvez até estejas num sítio melhor quem sabe, talvez haja reencarnação quem sabe? talvez tudo isto seja um sonho e nada exista verdadeiramente, talvez um dia o Universo faça sentido, talvez estejas em paz no Céu junto daqueles que antes choraste por terem partido,  talvez um dia nos reencontremos.
De 9-10-1926 a 30-10-2015 tiveste uma vida longa, alegre, amando sempre toda a gente e sendo amado por todos, foi justo considero. Gostava de me ter despedido de ti uma última vez e isso vai atormentar-me para o resto da vida, mas quero que saibas que foste uma das pessoas mais queridas e que mais gostei de conhecer na vida. Nunca te disse pessoalmente mas eu amo-te avô, obrigada por tudo, obrigada por teres existido e teres estado presente na minha vida e quero que saibas que nunca mas NUNCA irás morrer no meu coração.

Até sempre avô, obrigada por tudo

Com eterna saudade, da tua neta




sexta-feira, 26 de junho de 2015

As tradições das bestas tugas

Após uma longa pausa no blog, eu decidi escrever de tão indignada e zangada que estou por uma situação que aconteceu em Portugal, mais precisamente em Bragança. Para celebrar a festa de São João lá na terriola, na freguesia de Vila Flor, aquela gentalha tem um ritual chamado "a queima do gato" no qual colocam um gato num pote de cerâmica em cima de um poste e ateam fogo ao pobre gato que morre queimado vivo enquanto aquelas bestas disfarçadas de gente riem e aplaudem.
(Leia mais: http://www.publico.pt/multimedia/video/queima-do-gato-vila-flor-20150626-105947 )
Em que isto é diferente da pornografia do horror terrorista do ISIS que filma pessoas enjauladas a serem queimadas vivas por puro gozo sádico? Uma pessoa que faz isto a um animal indefeso é capaz de fazer a uma pessoa, só não o faz porque às pessoas têm limitações jurídicas não duvidem, e por isso mesmo, estas pessoas deveriam ser criminalizadas e a lei pelos direitos dos animais posta em prática com mão de ferro!

Estas são tradições estúpidas juntamente com muitos outros episódios sangrentos como touradas e a matança anual do porco  que me fazem pensar em como há dias estava eu tão zangada com o festival de carne de cão na China, onde os cães são colocados em pequenas gaiolas muito desconfortável, são maltratados, são espancados e são então torturado antes de morrer, incluindo fervidos vivos naquele festival de horrorosidades  chamado festival Yulin.

Há alguns anos, eu fiquei chocada ao saber que no Vietname uma tradição de uma aldeia consistia em colocar um porco barriga para cima e, em seguida um aldeão com um machado cortava-o pela metade, só vi a imagem não viu o vídeo, mas a cara de pânico e dor e sofrimento do animal a esvair-se em sangue nunca saíu da minha mente, e depois de pensar "que essas bestas esses asiáticos", lembro-me do que há aqui, a matança do porco  é um evento social por exemplo. Apenas vi em fotos que expunham numa tenda de uma terriola muito orgulhosa de tal horrorosidade, eu tinha 12 anos  já não comia carne, mas de qualquer maneira eu estava surpreendida e revoltada com os chineses e vietnamitas e, em seguida, olho para o meu quintal e lembrei-me que há pessoas que fazem isto a gatos, que fazem a matança do porco, um evento social sangrento, ou que vão para touradas regozijar-se na tortura do touro , pessoas que vêm touradas na TV e as touradas que passam na TV tuga...no fundo somos tão ou mais civilizacioanlmente atrasados  que aqueles asiáticos!
Já agora assinar a petição contra as bestas que queimaram o gato vivo em Bragança, pode ser que sejam identificados e a lei contra a tortura de animais entrem em vigor!

http://peticaopublica.com/psign.aspx?pi=PT77608

terça-feira, 25 de novembro de 2014

se isto é vida...



Não sei que nome dar a este post, sinceramente.
Acho que até evito falar de coisas pessoais, mas como sou uma pessoa mais recatada e não consigo falar tão bem directamente com pessoas, vou escrever para aliviar a minha dor e prestar uma homenagem a alguém.
Acho que posso dizer que ontem passei por uma das piores experiências da minha vida.
Um primo meu morreu domingo passado e ontem fui ao seu funeral...ele tinha 19 anos.
Nunca fomos chegados, entre outras razões, para além de vivermos longe, quando ele esteve no hospital não queriam que contactássemos com ele devido ao seu débil estado do sistema imunitário após o transplante, que em vez de ser a sua sorte, foi a sua sentença morte, pois acho que o corpo rejeitou o orgão e ele contraiu um cancro que se espalhou por todo o corpo.
O seu nome era Rafael, tinha apenas 19 anos e morreu de cancro após uma longa luta contra esta doença atroz.
Sou céptica em relação a uma infinidade de coisas, nomeadamente esotéricas: almas, reencarnações, vida após a morte, anjos, diabos, deuses, Deus.
No que diz respeito a Deus e deuses auto-nomeio-me ateia (ou pelo menos agnóstica, às vezes acho isto tão absurdo que a minha única explicação é Deus...), no entanto quando era criança acreditava Nele piamente, devido a indocrinação cristã por parte de família e aulas de catequese, nessa altura acreditava que Deus era tipo um amigo bom que me protegia de tudo e que protegia toda a gente, mas mal cresci senti que não havia nada disso, até hoje e temo para sempre.
Mas do que já notei, se Deus existe mesmo, parece ter uma predilecção interessante para destruir (ou pelo menos não ajudar) ou pôr à prova a vida de quem crê Nele...especialmente os bons, as boas pessoas. Porque será? quer os melhores para junto Dele mais cedo para os livrar do pecado deste mundo como disse o padre no funeral?
Só havia uma coisa em que eu até acreditava...eu acreditava no karma, acreditava que na vida tínhamos o que merecíamos e recebíamos de volta o que demos. Mas já não posso acreditar nisso...o Rafael era das pessoas mais inocentes e mais puras que já existiu, nunca fez mal a ninguém, nunca fez nada de mal na vida para merecer uma vida tão sofrível e injusta e uma morte tão prematura, cruel e ilógica.
Se o céu existir mesmo e se é esse o lugar para onde vão os bons, o Céu é de facto o lugar mais merecido para a sua alma porque ele foi um ser humano puro e bom sem maldade nenhuma no coração, com uma força de viver e lutar pela vida arrebatadora, com uma coragem incrível...um menino de 19 anos encarou a sua própria morte com uma lucidez, coragem e dignidade impressionante...ele já passou pelo dia que todos tememos, ele já passou pelo maior mistério que ensombra as nossas vidas: o nosso fim.
Então eu já não posso acreditar em karma, porque o Rafael merecia o contrário do que lhe aconteceu,  O Rafael merecia uma infância sem sobressaltos de saúde, o Rafael era um guerreiro que nunca desistiu da sua própria vida até ao final, O Rafael emrecia passar a sua adolescência na escola junto dos seus amigos a aprender e a jogar futebol...ele adorava futebol.
A minha última imagem dele vida, foi ligado a uma máquina, doseado de morfina a respirar profundamente num sono profundo....foi o seu último dia de vida, embora nesse dia eu estivesse longe de o saber.
Não quiseram que o acordássemos, já se tinha aceite que iria morrer durante o sono sem sobressaltos, e eu como não queria que me visse com as lágrimas a inundar os olhos vermelhos e a soluçar não me importei muito. Mas lamento, e de que forma, não ter visto pela última vez o seu olhar, o seu sorriso e ouvir a sua voz...a minha última imagem dele vai ficar gravada na minha memória para sempre, ele era o mais próximo que havia de um anjo.
Durante essa visita tentei esconder por todas as formas os meus soluços e as minhas lágrimas porque infelizmente temos vergonha de sermos humanos, como se fosse mau termos sentimentos e emoções.
Toda a gente tinha aceite o teu fim, mas eu antes de te ver e ouvir o que ouvi não conseguia acreditar.
No dia a seguir soube que morreste de manhã e nunca esperei chorar tanto por saber algo que já se esperava...quando se chora em primeiro lugar pelos dois olhos quer-se dizer que é frustração, e foi isso que senti. Não porque fomos próximos mas porque me sentia revoltada com o que te aconteceu, tu não merecias.
Disseram-me que perguntaste muitas vezes "porquê eu?mas porquê eu?", acho que não há razão nenhuma, porque se a vida fosse justa estarias vivo e bem agora.
A minha única ilação continua a ser de que a vida é uma merda,não adianta o quanto nos prendamos a ela, o quanto gostemos dela e o quanto gostemos de puder continuar a viver porque ela dá-nos para trás mais cedo ou mais tarde. Os positivistas dirão: "deixa estar, vai ficar bem, a vida continua", pois a deles...por enquanto, mas não de quem parte de maneira tão brutal e ilógica na flor da idade...discursos floridos de pseudo-positivismo de nada adiantam, do que adianta acreditar e lutar se a a paga é a morte gelada e cruel de um ser inocente na flor da idade que não fez nada de mal na vida a ninguém?dá que pensar...
No dia a seguir fui ao teu funeral e os meus pais compraram flores e um postal que eu tive de assinar a soluçar, o postal dizia: "Descansa em paz Rafael, com eterna saudade dos teus primos", para mim foi um murro no estômago, veio-me um nó à garganta e não consegui parar de soluçar por ter tomado naquele momento consciência de que já não existes...e eu nunca te enviei um postal de parabêns nem fui a uma festa de aniversário tua, éramos primos afastados e vivíamos longe mas isto destroçou-me.
Só quando entrei na igreja e vi o teu corpo deitado num caixão é que acreditei mesmo, parecia que estavas a dormir, e estavas.
Não me conti de novo quando à porta da igreja estava uma foto tua com uma cruz por baixo e na outra porta estava também a foto de uma velhota de 86 anos que morreu e cujo funeral era ao lado, eu senti revolta...revolta de uns viverem tanto e outros tão pouco...o teu lugar não era ali estendido, o teu lugar não era naquele caixão rodeado de corpos num cemitério soturno e silencioso...e quando te deixámos lá eu não pude deixar de pensar que tu devias era de voltar para casa com a tua mãe e irmã, vestir um pijama, ver desenhos animados, adormecer e acordar de manhã, tomar o pequeno almoço e ir para a escola.
Houve aquela sensação estranhíssima de sentir que nos esquecémos de alguém quando fomos embora do cemitério para continuar as nossas vidas patéticas.
O teu lugar não era ali, o teu destino não era morerr aos 19 anos num hospital...
Mas não tenho nada nem ninguém para culparr, a não ser a estupidez que é esta vida: não pedimos para nascer, não pedimos para morrer, a vida começa por nenhuma razão e acaba por nenhuma razão...parece que por mais que lutemos pela vida e gostemos dela, ela se desapega assim cruelmente de nós.
Eu sou uma revoltada com a vida, sempre senti que não pertenço aqui, que nunca devia de ter existido, mas também ninguém deveria, porque não faz sentido...nem pela explicação religiosa e muito menos pela vã eplicação científica...átomos que se agregam em formas de árvores, peixes, dinossauros que são extintos por um meteorito e cujos pequenos mamíferos evoluem para macacos e símios que dão origem a pessoas que se reproduzem ao longo de séculos...não faz sentido, porque não vejo propósito nisso, nem vejo milagre, nem vejo justiça num mundo em que animais se matam uns aos outros para sobreviver...o mundo provoca-me imensa dor porque não o entendo e ainda mais dor tenho por saber que nunca o vou entender...penso tantas vezes que mas valia vir outro asteróide desnorteado extinguir-nos, penso muitas vezes que mais valia esta bola rochosa que é a Terra estar mais afastada ou mais próxima do Sol de modo a ser tão inabitável como os outros...penso que esta bola não devia existir, penso que as outras bolas a que chamamos planetas também, nem este Sol nem os outros milhares de sóis...penso muitas vezes que seria mais feliz senão tivesse nascido nem sob a forma humana ou animal, e nem que apenas fosse algo material como um objecto...um dos meus desejos profundos era nunca ter existido, não é desejo de morrer como muitos pensam e dizem: "tu é que devias ter ido, só cá deviam estar os que gostam", como se isto fosse uma festa...
A minha dor é apenas o desejo de nunca ter nascido, porque olho para a vastidão do Universo e o tempo que vai levar para o nosso Sol morrer...milhares de anos...e nós com décadas de nada sem saber o que fazer com elas...só na vã busca da felicidade, na vã busca de sermos amados por uma vida que não quer nada connosco e que nos abandonará em breve. Provoca-me dor não entender apenas isso, posso dizer que sou uma pessoa deprimida porque sente demais e pensa demais, mas não desejo morrer, só tenho medo de viver e como sinto que tudo é inglório e sem sentido mesmo quando estou feliz, penso que preferia nunca ter feito parte do Universo...nem um grão de pó queria ser.
Por isso quando oiço dizer que "quem queria estar cá vai mas quem não quer fica", talvez haja um fundo de verdade nisso, mas ninguém manda em nada, nem na mente, nem no corpo, nem do tal chamado destino...
A única coisa que me parece realmente genuína neste mundo é a dor...muitas vezes sinto-me mal por me sentir bem, sinto-me mal por estar feliz porque penso em todas as pessoas que não o podem ser, sinto que se me sentir bem algo de mal acabará por acontecer, então prefiro estar triste para não me decepcionar depois, sou muito cautelosa em relação a sentir-me bem, sinto que é pecado ser-se tão feliz num mundo tão infeliz, num mundo tão parvo, sinto que de nada me vale tentar fazer grandes coisas da vida porque posso morrer de qualquer coisa a qualquer hora e sinceramente faço mais por viver a minha vida num nevoeiro porque prefiro morrer sem me ter apegado à vida do que ter gostado tanto de estar cá e ser ceifada...é um sentimento muito estranho e anti-natura mas sinto que não devo ser feliz, que ser-se feliz num mundo destes é criminoso que  ser-se feliz é ser-se egoísta e que fazer da própria felicidade um objectivo de vida é egoísta e estúpido...para além de irreal, a real felicidade não existe mesmo e para nos sentirmos bem é preciso sentir-se o oposto...só se sabe o que é a felicidade quando se passa pela infelicidade, e eu quando sou feliz sou-o em pleno, mas sei que ela passa, e a tristeza também, não somos máquinas com controlo da bioquímica neuronal, somos pessoas e sinceramente acho que a vida não devia de ser só para pessoas felizes e que estar mal e não querer sorrir e não fazer nada para nos querermos sentir bem devia de ser aceite...não sei até que ponto as pessoas que são drogadas por felicidade são fingidas ou só se auto iludem, mas uma coisa tenho a certeza que fingir-se estar-se bem quando não se está é cansativo e ainda mais deprimente e não acho que tem de haver nenhuma necessidade de à mínima tristeza entupir-mo-nos de anti-depressivos e fazermos logo o máximo que podemos para ficar bem de novo...eu acho a tristeza importante, e de facto ignorância é felicidade, sempre reparei que as pessoas mais felizes são as mais superficiais tanto em termos emocionais como racionais mesmo. Não quero ser assim!
Não consigo deixar de pensar em ti, dois anos acamado, traído pela própria biologia, traído pelo próprio corpo, querendo estar bem, querendo viver, mas o teu débil corpo sem te dar ouvidos...
Não consigo imaginar a agonia por que passaste...querer viver e estar bem e não conseguir, sem entender o porquê até ao teu último sopro.
Não merecias nada disto e eu choro compulsivamente porque tenho revolta deste mundo injusto.
Eu gostava que o mundo fosse justo e que ainda cá estivesses, é duro pensar que já não existes hoje quando existias há dois dias.
Quando acabou o funeral e saímos todos senti mesmo que nos tínhamos esquecido de alguém. Fiquei tão afectada com o teu fim trágico e abrupto que sonhei contigo, sonhei que quando nos despedimos no cemitério, alguém abriu a porta do jazigo e correu para nós, eras tu a gritar e a dizer: "Porque se esqueceram de mim aqui?Quero ir para casa, não me deixem aqui sozinho!".


Descansa em paz Rafael.Até sempre!

domingo, 21 de setembro de 2014

Impacto Zero

(Livro: Impacto Zero: as aventuras de um cidadão comum que tenta salvar o planeta e aprende muito sobre si próprio e o nosso estilo de vida, de Colin Beaven)

Estamos em Janeiro de 2006 mas estão 17 graus lá fora (Nova Iorque), mas as pessoas andam a correr de calções. As pessoas à minha volta estão felizes, mas eu não estou. Pelo contrário, estou preocupado. Porém, o que realmente me deixava desolado, era não conseguir acreditar que o modo de vida que estava invariavelmente a destruir o planeta até nos deixava felizes. Uma coisa seria acordarmos na manhã seguinte a uma festa de arromba e constatarmos que tínhamos destruído a casa, mas ao menos podíamos dizer que nos divertíramos à brava. No entanto, se tivesse de generalizar, teria de dizer que, em média 6,5 milhões de pessoas que partilham este globo não são tão felizes como poderiam ser. Sem contar com as pessoas que têm acesso extremamente reduzido a alimentos e a água potável, muitas pessoas minhas conhecidas, em Nova Iorque e noutros cantos deste mundo de cultura consumista, não estavam felizes com as vidas pelas quais tinham lutado - as vidas que, supostamente, desejavam. Para além de muitos de nós esgotarmos anos a trabalhar para manter um estilo de vida que, na realidade, não gostamos estamos a começar a compreender (espero), que este mesmo modo de vida está a destruir o planeta.
Seria possível ter uma vida amiga do ambiente na nossa cultura moderna? O meu objectivo era ir o mais longe possível e tentar ao máximo não ter qualquer impacto sobre o ambiente. O meu fito era conseguir zero emissões de carbono, é verdade, mas também zero resíduos para o solo, zero poluição atmosférica, gastar zero recursos da terra, expelir zero toxinas para a água.
O egocentrismo versus altruísmo enquadra o debate sobre o ambiente, ou qualquer outro tipo de mudança social, de uma forma perigosa. Há quem defenda, e talvez com razão, que se opusermos a sobrevivência do planeta ao egoísmo humano, o planeta será sempre derrotado.
Entretanto, todo o modo de actuar da nossa civilização continua inexoravelmente a esgotar todos os recursos. O nosso sistema torna praticamente impossível conseguirmos as coisas que desejamos e de que necessitamos sem deixarmos atrás de nós um rasto de detritos e gases de efeito de estufa.

*Urge reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em pelo menos 80% até 2050 para impedirmos que o aquecimento global escape totalmente ao controlo. Ao invés de agirem, empresas como a Exxon recorrem a dissimuladas tácticas de relações públicas para desacreditarem as organizações que tentam alertar-nos. Entretanto, os políticos tentam «reposicionar o aquecimento global como uma teoria, ao invés de um facto».

*Um veleiro que zarpasse do Havai, rapidamente ficaria encalhado num gigantesco amontoado de resíduos plásticos flutuantes como dobro do tamanho dos Estados Unidos da América, redemoinhando sobre si mesmo em pleno Oceano Pacífico. Ou então, quem fosse pescar correria sérios riscos de regressar de mãos a abanaar de um dos 14 000 lagos do Canadá que já não suportam vida marinha, por causa da chuva ácida. Ou ainda, quem tentasse dar um passeio pelas florestas na esperança de avistar aves, encontraraia em vez disso um enorme buldôzer amarelo nos 13 milhões de hecatres de bosque que abatemos por todo o mundo, todos os anos, para produzir papel higiénicos e copos de papel descartáveis.

*Só serão necessárias cerca de 13 fraldas de pano para criar uma criança, se lavarmos duas vezes por semana. Por outro lado, a mesma criança, ao chegar aos 2 anos, teria gasto 4000 fraldas de plástico. Como é que bombear petróleo dos campos do Médio Oriente, expedi-lo para unidades fabris, digamos, na China para fabricar as fraldas de plástico, expedi-las para os EUA e depois enterrar essas 4000 fraldas cheias de trampa, não é pior que lavar 30 pedaços de pano 104 vezes?

*O lixo produzido pela minha família, constituído por embalagens de plástico descartáveis, faz parte de uma portentosa mixórdia social impregnada de molho de alho, hidratos de carbono bolorentos e outras substâncias petroquímicas que, ao fim de uns 20 minutos de utilização, acabarão em aterros sanitários e incineradores, para libertarem químicos para as águas que bebemos ou para o ar que respiramos.

*Há uma explicação para os sacos do lixo não serem transparentes e não permitirem ver o conteúdo. É o mesmo motivo por que eu e a minha espécie guardamos os restos mortais em urnas fechadas. Receamos aquilo que os nossos olhos possam ver. Agora que já pus o lixo no caixote, agora que o lixo já não está em minha casa, deixou de ser um problema na primeira pessoa. Passou a ser um problema de todos nós. Em conjunto, prejudicaremos os pulmões ao inalarmos as partículas diesel emitidas pelos camiões americanos ao viajarem literalmente milhões de km para transportarem o nosso desperdício. Em conjunto, partilharemos maiores probabilidades de cancro ao respirarmos as dioxinas produzidas pelos incineradores. Compreenderão que, agora que me livrei dos meus produtos descartáveis, a minha comodidade tornou-se um incómodo para toda a humanidade.
Cerca de 80% dos produtos que utilizamos destinam-se a ser utilizados uma só vez. Por muito trivial que um toalhete de papel possa parecer, deixa transparecer inúmeras escolhas individuais e culturais que adoptamos no quotidiano e por via dos quais estamos a esgotar os recursos do planeta e a mandá-los para aterros sanitários e incineradores, praticamente sem os utilizarmos.

*Na floresta tropical da Amazónia, abatemos cerca de 9 campos de futebol de árvores a cada minuto, isto equivale a 2000 árvores por minuto!

*Segundo o Worldwatch Institute, todos os anos, acumulamos entre 4 a 5 mil milhões de sacos de plástico que são utilizados apenas durante apenas alguns minutos e depois são deitados fora, saem de lojas e mercados em quantidades centenas de vezes superiores a qualquer outra mercadoria. São o bem de consumo mais omnipresente em todo o mundo e é também o produto descartável mais difundido, o que não é coincidência.
Reciclamos sacos de plástico a um ritmo inferiro a 1%, e os sacos descartáveis constituem aproximadamente 4 milhões de toneladas de resíduos municipais dos EUA em 2006. Os sacos de plástico envenenam o ar ao serem queimados nos incineradores, ou libertam substâncias químicas prejudiciais nos aterros sanitários durante centenas de anos. A incongruência é que estes sacos, criados no intuito de serem descartáveis, são feitos de um material que foi concebido para durar imenso tempo. Os sacos não são os únicos produtos descartáveis que contêm plástico: consideremos as lâminas de barbear, talheres, escovas de lavar os dentes, garrafas de água, copos para café, canetas, pentes e assim sucessivamente. Visto que o plástico é  muito durável, todos estes objectos perduram durante centenas de anos.
Mil milhas ao largo da costa da Califórnia, em pleno Oceano Pacífico, existe uma amálgama de lixo à deriva com o dobro do tamanho dos EUA. Em pleno Oceano Pacífico, a mil milhas de distância do humano mais próximo, o plâncton, as medusas e os peixes são em menor número , numa proporção de 6 para 1, em relação aos sacos de plástico, garrafas de água e outros objectos de plástico descartáveis.
Só no Pacífico Norte, estima-se que 100 00 tartarugas marinhas e outros mamíferos, 1 milhão de aves marinhas e um nr incontável de peixes morram de fome todos os anos devido à obstrução dos tratos digestivos provocada pelo plástico. Entretanto, os produtos de plástico descartáveis à deriva que não provocam o sufocamento de animais marinhos decompõem-se lentamente com o sal e a luz solar até ficarem em suspensão na água. Os animais que se alimentam de plâncton devoram-nos, depois peixes maiores comem os mais pequenos, e adivinhem quem come os peixes maiores? Os restaurantes de sushi que preparam refeições para nós, adultos, e as fábricas de douradinhos que preparam as refeições das cantinas das escolas. Algo que tem início no 1º nível da cadeia alimentar, inevitavelmente acaba no último nível. No fim de contas, cada um de nós tem, no seu organismo, quantidades detectáveis de até uma centena de substâncias químicas de origem industrial de que nunca se tinha ouvido falar até há cerca de 50 anos. Muitos desses químicos são provenientes da produção e utilização da mesma porcaria de plástico descartável que enche os meus sacos.
Os sacos de plástico (e os de papel, que não são os melhores em termos ambientais) são algo pelo qual estamos dispostos  a ameaçar o habitat ao nível do planeta do qual todos dependemos em termos de saúde, felicidade e segurança? Em jeito de balanço, se tivermos de escolher (e eu acho que temos mesmo de escolher), preferiríamos ter um planeta a abarrotar de sacos de plástico e outras porcarias de plástico descartáveis, ou ter tartarugas no mar e crianças sem substâncias químicas?

*A criação de gado para a criação de terras de pasto e (acreditem ou não) as emanações repletas de metano provenientes dos sistemas digestivos dos ruminantes contribuem para 18% dos gases com efeito de estufa de todo o mundo , mais que o sector dos transportes completo. A lista de outros problemas para os quais a criaçãoi de gado contribui substancialmente (desde a poulição dos lençóis freáticos à chuva àcida) é interminável. Depois há os peixes. Li um artigo da edição de Novembro de 2006 da revista Science que revelava que até 2048, os oceanos estariam improfícuos sem qualquer hipótese de recuperação, caso as tendências perdurassem. Continuaria a haver a peixe, porém, num vasto e praticamente vazio oceano, os machos teriam imensa dificuldade em encontrar fêmeas para procriarem e o sector da pesca não conseguiria recuperar. Segundo o relatório, 29% do sector pesqueiro já havia sucumbido. A boa notícia é que esta tendência ainda é reversível. Uma abordagem consiste em comer exclusivamente peixe e marisco certificado pelo Conselho de Protecção Marinha.